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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Sim. Isto é um post sobre o dia dos namorados

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Nunca fui propriamente uma pessoa romântica. Tive os meus devaneios, os meus sonhos, os meus momentos "aiiii, que lindo", mas nunca fui aquela pessoa de dizer amo-te a cada 5min, muito menos de fazer surpresas ou grandes programas romantico-lamechas. Mas a vida, os anos, a maturidade, e aqui entre nós que ninguém nos ouve, o mau feitio, tornaram-me muito mais distante e repelente dos grandes gestos de amor. Dias como o de hoje nunca me motivaram e agora encaixo-os na categoria das maiores pirosices e palermices que o calendário anual nos oferece. Chego a considerar deprimente e rídiculo as coisas que se fazem e se dizem neste dia, já para não falar na quantidade assustadora de dinheiro que se gasta em presentes neste dia. Felizmente a vida premiou-me com um namorado que respeita estas minhas manias (não me livrei de presentes no primeiro e segundo ano, mas depois consegui domesticá-lo!), apesar de ele ser uma pessoa extremamente afectuosa e até romântica e que eu sei que gosta de me mimar com presentes. Para mim, ou para nós, faz muito mais sentido marcar e festejar "o nosso dia de anos de namoro", porque essa sim será sempre uma data especial para nós e apenas para nós. De maneira que para mim (para nós) hoje foi mais um dia normal da semana. Sem gestos especiais, sem mensagens lamechas, sem flores, prendas ou jantares românticos. Uma relação que precisa disto e de gestos bonitos em dias calendarizados no mundo inteiro para sobreviver não é uma relação que valha a pena viver. Um amor que se alimenta no dia 14 de Fevereiro e é esquecido nos restantes 364 dias não é um amor que mereça ser amado. Porque o amor tem de ser diário, tem de estar nas pequenas coisas e acima de tudo surgir e manter-se naturalmente na nossa vida. Tem de fazer parte de nós de forma tão intrínseca que não precisa de datas para ser lembrado. O amor é a vida inteira, o corpo inteiro, o ano inteiro, a cada dia, todos os dias; e não uma sucessão de coraçõezinhos vermelhos espetados em vasos e afins num dia marcado, com mesa e hora marcada. Nestes dias vêm-me recorrentemente à cabeça as palavras mais sábias que alguma vez ouvi sobre o amor. Dizia o Dr. Pinto da Costa, no meu último ano de licenciatura, durante uma aula de psicologia forense, que os jovenzinhos apaixonados deveriam escrever as palavras I Love You dentro de cérebros e não de corações, porque o amor é e tem sempre de ser racional, começar e acabar no nosso cérebro e ser comandado por ele. É cérebro que nos faz amar, que nos ensina a amar. E também é o cérebro que nos ensina a valorizar o que é realmente importante nesta vida. Haja amor. Todos os dias. Sempre.

O último refúgio

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"Qualquer pessoa que queira conservar a sanidade de espírito precisa de ter um lugar no mundo onde possa e deseje perder-se. Esse lugar, o último refúgio, é um pequeno anexo da alma onde, quando o mundo naufraga na sua absurda comédia, podemos sempre esconder-nos, trancar a porta e perder a chave." [Carlos Ruiz Zafón, O Labirinto dos Espíritos]

Da vida

"Nesta vida, nada que valha a pena é fácil, Daniel. Quando era novo, acreditava que para navegar no mundo bastava aprender a fazer bem três coisas. Uma: apertar os atacadores dos sapatos. Duas: despir conscienciosamente uma mulher. E três: ler para saborear todos os dias algumas páginas compostas com inteligência e destreza. Parecia-me que um homem que pisa firme, sabe acariciar e sabe escutar a música das palavras vive mais e, sobretudo, vive melhor. Mas os anos ensinaram-me que isso não basta e que por vezes a vida nos oferece a oportunidade de aspirar a ser qualquer coisa mais do que um bípede que come, escreta e ocupa espaço temporal no planeta. E hoje o destino, na sua infinita inconsciência, quis oferecer-lhe a si essa oportunidade. " #CarlosRuizZafon, O Labirinto dos Espíritos

As minhas papas

Haverá pequeno-almoço mais reconfortante e saciante, especialmente em dias de frio, que uma bela tigela de papas? Pois é, não há como negar, as papas estão na moda e toda a gente as adora (não há como não o fazer!). Eu não sou excepção. Como toda a gente, comecei pelas papas de aveia e estas continuam a ocupar o topo da minha preferência, mas desde há algum tempo que procuro variar o tipo de papas que faço e tenho descoberto alternativas igualmente deliciosas e saudáveis. 

Mas comecemos pelo clássico: as papas de aveia

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 A grande vantagem destas papas é que são super fáceis e rápidas de preparar e bastante económicas, já que a aveia tem um preço muito acessível. Em qualquer loja ou supermercado encontramos mais do que uma variedade de aveia (dou preferência à integral e de flocos finos) e todas baratinhas. A sua preparação é igualmente fácil: no lume (como mais gosto mas nem sempre tenho tempo para o fazer!) ou no microondas, é só juntar água, leite ou bebida vegetal e deixar cozinhar e temos o básico das papas de aveia. No meu caso, gosto sempre de lhes juntar fruta, principalmente banana (deixo cozinhar juntamente com a aveia para ficarem ainda mais deliciosas) ou maçã cozida e quando as uso para pré-treino acrescento ainda claras, para as tornar mais proteicas e nutritivas. As variações são infinitas e dependem apenas da nossa imaginação e dos nossos gostos. 

Mas avançando para outros universos, existem outras papas que não ficam nada atrás na qualidade e sabor. 

 

Trigo Sarraceno

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O trigo sarraceno é um cereal energizante e nutritivo, sem gluten, rico em proteínas, magnésio e ferro. Vende-se sobre diversas formas, mas para as papas compro-o em versão flocos e cozinho-o exatamente da mesma forma que a aveia. O sabor é completamente diferente, diria que mais amargo, e faz umas papas mais leves e suaves. Desvantagem? Mais caro que a aveia (o pacote pequeno ronda os 3euros).

 

Quinoa

Vulgarmente utilizada para acompanhamento das refeições principais, a quinoa também é uma excelente opção para umas belas papas. Julga-se que a utilização da quinoa na alimentação remonta há mais de 4000 anos atrás e diversos estudos e organizações apontam-na como um dos alimentos mais completos do mundo, sugerindo mesmo o aumento urgente da sua produção em países subdesenvolvidos e carenciados, como forma de erradicar a fome. Claramente um super alimento!  

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Até há bem pouco tempo conhecia apenas a versão "normal" da quinoa, ou seja, em cereal/bolinhas, que utilizava para os meus cozinhados. Um dia experimentei cozinhá-la em bebida vegetal e juntar-lhe maçã cozida e o resultado foi delicioso. 

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Recentemente encontrei no Jumbo e pela primeira vez quinoa em flocos, ideal para a preparação de bolos ou panquecas e claro está, das papas! Devo dizer que foi amor à primeira colherada! Esta versão da quinoa é óptima para as papas que ficam das mais deliciosas de sempre e super saciantes. Não preciso de falar da preparação, igual em todas as papas, mas deixo apenas a ressalva de que, mais uma vez, não é um opção barata - um pacote pequeno custa quase 4 euros. Mas acreditem que vale cada cêntimo!

 

Tapioca

A tapioca é a fécula extraída da mandioca, usalmente vendida em forma granulada. Está totalmente na moda nos últimos tempos, principalmente pelos magníficos crepes (crepiocas) a que dá origem, mas a verdade é que a tapioca se consome há anos (perguntem aos vossos avós se nunca fizeram uma espécie de papa de tapioca). 

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  Se é certo que ainda não tive sucesso na preparação das famosas crepiocas, no que a papas diz respeito, estas bolinhas gelatinosas são grandes amigas minhas! A principal desvantagem é que a tapioca tem de ser colocada "de molho" durante cerca de 1h/1h30, para hidratar antes de ser cozinhada e a sua preparação é um pouquinho mais lenta que a das outras papas. Para além da fruta, acrescentar-lhes um pouco de farinha de alfarroba durante a preparação é também uma excelente dica. 

 

Teff

Talvez a alternativa menos conhecida neste universo das papas e dos cereais. O teff é um cereal sem glúten, muito comum na Etiópa mas praticamente desconhecido no resto do mundo, e com excelentes carateristas nutricionais, nomeadamente cálcio, ferro e proteína, tudo o que queremos e precisamos para ser felizes e saudáveis. 

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Como se trata de um cereal muito pequeno e vendido em flocos muito finos, as papas ficam verdadeiramente papas e super consistentes. O sabor é completamente diferente de qualquer outro cereal, intenso e muito particular, mas agrada-me bastante. É uma alternativa super saudável mas a que recorro poucas vezes, já que o preço é assustador e até hoje encontrei-o à venda apenas na Celeiro (aquele pacote pequenito custa mais de 5 euros!). 

 

Weetabix

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Só para terminar, um pouco de Weetabix, o farelo de trigo que toda a gente conhece, tido como um dos "cereais de supermercado" mais saudáveis. Uma opção muito rápida e sem complicação nenhuma (leite, barra de weetabix e já está) a que recorre pouquíssimas vezes pois não sou grande apreciadora de farelos. É daquelas coisas que tenho sempre em casa mas de que raramente me recordo e que acabo por usar até mais em iogurtes (uma espécie de papa de iogurte com o farelo desfeito fica muito bom!). Tal como em todas as outras papas, gosto de o misturar com fruta. 

 

Como se percebe, as opções são muitas e é fácil variarmos os nossos pequenos almoços sem perdermos o foco no bom e saudável. No que a papas diz respeito, as alternativas de cereais são imensas, as formas de preparação também e os alimentos e super alimentos que lhes podemos acrescentar também. 

 

E quanto a vocês, quais a vossas papas preferidas? Partilhem! 

E que os vossos pequenos-almoços sejam sempre felizes!

Segunda oportunidade...

"- Meu amigo - disse por fim - não perca a esperança. Se alguma coisa aprendi neste mundo cão é que o destino está sempre ao virar da esquina. Como se fosse um larápio, uma puta ou um cauteleiro, as três encarnações mais frequentes. E se algum dia decidir ir procurá-lo, porque o que o destino não faz é visitas ao domicílio, vera como ele lhe concede uma segunda oportunidade. " #CarlosRuizZafón, Labirinto dos Espíritos

«A Quinta dos Animais», George Orwell

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À primeira vista, este livro situa-se na linhagem dos contos de Esopo, de La Fontaine e de outros que nos encantaram a infância. Tal como os seus predecessores, Orwell escreveu uma fábula, uma história personificada por animais. Mas há nesta fábula algo de inquietante. Classicamente, atribuir aos animais os defeitos e os ridículos dos humanos, se servia para censurar a sociedade, servia igualmente para nos tranquilizar, pois ficavam colocados à distância, «no tempo em que os animais falavam», os vícios de todos nós e as sua funestas consequências. Em A Quinta dos Animais o enredo inverte-se. É a fábula merecida por uma época - a nossa época - em que são os homens e as mulheres a comporta-se como animais.

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George Orwell era muito bom no que fazia. Ou no que escrevia. Ponto. 

Animais que pensam e agem como pessoas e pessoas que pensam e agem como animais. Há dezenas de anos atrás, como agora. Mais atual não podia ser. Mais simples também não. 

Ponto.

1 de fevereiro 2017

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A 1 de Setembro de 2015 iniciei aquele que foi até hoje o meu maior desafio profissional: o de diretora técnica de um dos nossos centros sociais, felizmente o mais pequeno, apenas com a valência da 3a idade. Os primeiros tempos não foram fáceis para mim: não aceitei bem a mudança, não encarei bem a equipa e fui cheia de receios relativamente ao meus desempenho e ao futuro daquele centro, que estava a passar por uma fase menos boas em termos de ambiente e até financeiramente. Não desisti, adaptei-me, conformei-me e a dada altura percebi que as coisas começavam a rolar e que até se poderia fazer ali um bom trabalho. Com todas as expectativas, o centro cresceu muito, ficamos com casa cheia, passamos do prejuízo a um dos mais lucrativos e eu entreguei-me de alma e coração aquilo. Foi assim que consegui mudar aquele centro, aquela equipa e aqueles idosos. Conseguimos ser equipa, desde a empregada de limpeza até à diretora técnica e isso refletiu-se nos números e nos sorrisos, nossos e dos nossos idosos. Talvez fruto deste sucesso diário, há algum tempo que se manifestava uma vontade da chefia em me dar uma "casa maior". Sim, eu sou ambiciosa, sim eu quero chegar mais longe, sim eu gosto de fazer mais e melhor, mas sinceramente uma ano e três meses não era para mim o tempo suficiente para eu mostrar tudo o que podia fazer por aquele centro. Não agora, que estávamos melhores que nunca, que a equipa estava super motivada e eu completamente absorvida por aquele trabalho, aquele grupo de idosos e familiares e aquela equipa. Criei laços e relações como nunca e nesta área em que trabalho esta é a maior ferramenta de trabalho e de sucesso. Mas já diz o ditado "ano novo, vida nova", só nunca pensei que no meu caso a vida nova chegasse tão cedo. E assim, a 1 de Fevereiro de 2017, volto a aceitar o maior desafio da minha vida profissional: ser diretora técnica de um dos nossos maiores centros sociais, desta vez com uma população que vai dos 6 meses aos 100 anos e uma equipa enorme. É um desafio gigantesco que eu estou a tentar encarar como uma voto de confiança, uma espécie de promoção e uma oportunidade de crescimento pessoal e na minha carreira. Andei não cheguei à parte da aceitação de tudo isto, até porque a mudança aconteceu depressa demais e há todo um luto que preciso de fazer de tudo aquilo que fiz até hoje e de todas as relações que criei e ficaram para trás. Amanhã começo uma nova etapa da minha vida profissional. Vou com medo. Vou. Não tanto de falhar mas mais de não me adaptar, de não me encaixar e de não sentir aquilo como meu. É sempre esse o meu receio nas mudanças: não me sentir bem comigo. Mas vou com fé, com vontade de aprender , com vontade de fazer o melhor. Acima de tudo vou de coração cheio por tudo o que consegui até hoje com o que fiz durante estes cerca de 16meses. Se há coisa que estes dois dias de despedida me deram foi a nítida certeza de dever cumprido. Quer do ponto de vista profissional quer do ponto de vista emocional. Criei afetos durante 16meses e essa foi talvez a minha maior arma. Hoje dói saber o que deixei para trás, mas saber que a minha saída tocou tanta gente é a maior prova de sucesso que eu poderia ter. E agora é confiar. Vergar mas não quebrar e ir.

«O Prisioneiro do Céu», Carlos Ruiz Zafón

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Barcelona, 1957. Daniel Sempere e o amigo Fermín, os heróis de A Sombra do Vento, regressam à aventura, para enfrentar o maior desafio das suas vidas. Quando tudo lhes começava a sorrir, uma inquietante personagem visita a livraria de Sempere e ameaça revelar um terrível segredo, enterrado há duas décadas na obscura memória da cidade. Ao conhecer a verdade, Daniel vai concluir que o seu destino o arrasta inexoravelmente a confrontar-se com a maior das sombras: a que está a crescer dentro de si.


Transbordante de intriga e de emoção, O Prisioneiro do Céu é um romance magistral, que o vai emocionar como da primeira vez, onde os fios de A Sombra do Vento e de O Jogo do Anjo convergem através do feitiço da literatura e nos conduzem ao enigma que se esconde no coração de o Cemitério dos Livros Esquecidos.

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Não dei por este livro ser editado, a verdade é esta. Li os dois primeiros e no Natal ofereceram-me o último (O Labirinto dos Espíritos, que comecei agora), comigo convencidíssima de que se tratava do fim de uma trilogia. Qual o meu espanto quando ia começar a ler o dito último e descubro que era o quarto livro? Faltava-me um pelo meio, que era este Prisioneiro do Céu, que li em 4 ou 5 dias, pois é um livro mais pequeno que o habitual neste escritor e que se lê muito bem. 

Já li os dois primeiros livros há alguns anos (parece que o escritor demorou mais de 15 anos a escrever os 4 volumes!) mas recordava-me de todas as personagens e sobretudo daquele ambiente de livros e algum suspense. Este terceiro volume continua a história das personagens principais da trama e deixa-nos curiosos para o grande desfecho (que é literalmente grande, atendendo à quantidade de páginas que me esperam!). 

 

Boas leituras!

Mudanças que nos mudam

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E as coisas só nos matam quando nos entregamos a elas ao ponto de ser terrivelmente doloroso largá-las. Dias difíceis são estes em que percebemos que há coisas e pessoas que vão sentir a tua falta tanto como tu delas; dias em temos de romper laços, guardar só o que é de guardar e continuar a sorrir. Por ti, por eles e pelo que está para chegar. #confia

Ventos de mudança...

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Fevereiro está a chegar e vai trazer mudanças na minha vida. 

E eu sei que temos de ver ser o lado positivo de todas as coisas e esta até tende a ter um elevado grau de positividade, mas é uma mudança e todas as mudanças exigem adaptação, aceitação, abandono e coragem. Eu ainda não cheguei à fase da aceitação total porque, como em todas as mudanças na minha vida, ainda não percebi se me vai fazer sentir bem ou não, se me vai motivar, se me vai deixar dar o melhor de mim...isto, e ainda não ter sido capaz de aceitar o que vou deixar para trás, que tanto trabalho me deu a construir mas de que me tanto me orgulho. O problema de tudo isto é que ainda não aprendi que quanto mais nos damos, mais custa cortar o cordão umbilical...

Haja coragem e força para confiar.