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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Problemas de expressão

Marie Louise Parker

   "Devia ser como no cinema / A língua inglesa fica sempre bem / E nunca atraiçoa ninguém..."

    Cantavam os Clã os seus "Problemas de Expressão" e canto eu. O português é, de facto, uma língua traiçoeira, enfadonha, complicada e cheia de pormenores. Apercebo-me disto à medida que mergulho cada vez mais (e mais fundo) na leitura em inglês, por motivos académicos. No inglês parece que tudo soa melhor, que todas as palavras combinam umas com as outras e que até as repetições dão vida a um texto. Já no nosso português é preciso ler e reler um texto centenas de vezes o pormenor: faltam as vírgulas, os parágrafos são demasiado longos, as palavras repetem-se e não sabemos qual utilizar para substituir, as ideias perdem-se, as expressões não se adequam ao pretendido...pensar em inglês parece mais simples que pensar em português.

   As palavras na nossa língua pesam como blocos de cimento. Falam mais do que o que queremos e deixam sempre algo por dizer. Tudo bem que nós temos a saudade e eles apenas sentem falta num miss you (não estaremos a falar da mesma coisa?) e temos o gosto de ti, ou o adoro-te ou o amo-te e eles desatam ao love you para todas as situações. Se calhar não são mais limitados que nós, limitam-se apenas a serem práticos e precisos. Love you. Ponto. Enquanto nós fazemos joguinhos de palavras e sentimentos e andamos ali no "digo ou não digo" e acabamos por jogar pelo seguro, que é como quem diz, acabamos por não nos comprometer. E depois, o inglês tem aquelas expressões deliciosas que queremos assumir como nossas de imediato e ansiámos pela oportunidade de as proferir. Fantástica Marie Louise Parker na série Weeds a responder "Uh-Uh...Been there, done that..." , sem o escusado discurso "eu já passei por tudo isto antes, já sei qual o resultado e as consequências disto, por isso não volto a cair no mesmo erro" (passamos de 4 para 25 palavras).

   Tudo isto para dizer que preferia falar inglês e pensar em inglês. Facilitaria em muito alguns aspectos da minha vida (e tenho para mim que acabaria a minha tese bem mais depressa). Ou se calhar, o defeito é mesmo meu.

 

PS - Efeitos semelhantes poderão ser provocados em mim assim que souber e compreender mais de 3 palavras em italiano, língua que eu acho linda, charmosa, romântica, chic, elegante and so on...