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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Eu e o Saramago

Fugi das páginas de Saramago com a mesma persistência com que fujo das páginas do Lobo Antunes, do Gabriel Garcia Marquez ou do Philip Roth (entre outros que não me vêm agora à cabeça). Não que tenha algo contra as páginas destes senhores (e senhores mesmo, a avaliar pelo sucesso que fazem), aliás já li dois ou três livros do Garcia Marquez, um do Roth e do Lobo Antunes não li mas não morro sem o fazer, simplesmente é um tipo de literatura que não me agrada. Demasiado descritiva, demasiado pormenorizada, demasiado "ronda-que-ronda-que-ainda-não-é-altura-de-saberem-do-que-estou-a-falar". O que não lhes tira o mérito. Pelo contrário. Atribui-lhes ainda mais, afinal é precisa uma imaginação sem limites para tanta palavra perfeitamente encaixada uma na outra. Ao Saramago metia-o no mesmo saco. Sem motivos (tal como uns tantos outros). Até um dia.

O meu primeiro encontro com o nosso nobel foi há quase 5 anos. Um título captou a minha atenção ao passar pela secção dos livros do Continente: "As intermitências da morte". Trouxe-o comigo para casa. Li-o, mas não me rendi. Hoje reconheço que me faltava maturidade literária naquela altura. O segundo encontro deu-se em 2009, graças à adaptação cinematográfica do seu "Ensaio sobre a cegueira". Gostei do filme, adorei o livro. E nasceu ali um qualquer elo. O terceiro, e último, encontro deu-se já este ano. "Caim" foi o motivo, a polémica a responsável. E o que que gostei daquela escrita. Leve, mas clássica, com retoques de uma língua passada e termos tão tradicionais que já hoje não se ouvem (nem leêm) por lado nenhum. O quarto encontro estará para breve (foi adiado apenas pelas recentes aquisições nos saldos da Bertrand!) e o cicerone já foi escolhido: "Ensaio sobre a lucidez", onde volta a haver uma cegueira branca, mas desta vez de votos. Uma espécie de continuação do Ensaio sobre a cegueira, aqui sob a forma de crítica ao poder político. E assim temos mais um "E se um dia..." tão típico deste senhor e que afinal tanto me atrai. E se um dia ninguém mais morresse...E se um dia todos cegassem....E se um dia todos votassem em branco...E se um dia alguém tivesse a coragem de enfrentar Deus, revelando o seu lado pouco sagrado?

Com certeza Saramago terá ainda muito mais para me dar a descobrir. Página a página, poderá conquistar mais uma fã (não que precise de mais mas...).