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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Pai(s)

   Os nossos pais saão os nossos modelos para muitos dos nossos passos. É inevitável. São eles que nos abrem os primeiros caminhos e nos mostram as primeiras imagens do mundo. Umas vezes melhor, outras pior, guiam-nos, dão-nos a mão, estão lá. São pais e isso confere-lhes o direito e a obrigação de olharem por nós para sempre, ainda que algumas vezes o façam de forma exagerada e nos deixem os nervos em franja.

   Hoje é dia do(s) Pai(s) (o dia da(s) Mãe(s) chegará, assim como as palavras para e sobre ela(s)). Não vou entrar no meu habitual discurso acerca dos dias disto e daquilo, porque começa a cansar, eu sei. Mas, ainda que não concorde com estes dias, hojé é dia do(s) pai(s) e, para aqueles que tendem a esquecer-se da importância do pai e da figura do pai, vamos, pelo menos hoje, admirá-lo e acarinhá-lo, mostrando-lhe que, ainda que as palavras muitas vezes faltem e as demostrações de afecto sejam parcas, ele é importante para nós, demasiado importante para prescindirmos da sua presença na nossa vida. Da minha parte estes dias não são necessários. Sou fã incondicional e número 1 do meu Pai. Admiro a sua personalidade, a sua inteligência, a sua determinação, a sua ambição e congratulo-o por tudo o que conseguiu na vida, com a luta e empenho que só os verdadeiros vencedores possuem. Olho para ele e desejo, um dia, chegar onde ele chegou, saber o que ele sabe, ser o que ele é, ter 49 anos e gostar do que ele gosta, fazer o que ele faz, ir onde ele vai, ter a imagem que ele tem. Olho para mim agora e vejo um reflexo do que ele é. "Ela é tão parecida com o pai" já faz parte da minha vida. Física e psicologicamente reflexos, com diferenças nos pontos cruciais. Nada me poderia orgulhar mais. Nada me poderia encher mais de esperança e certeza de que estou no bom caminho, que, se ele conseguiu, eu, com a mesma coragem e determinação que nos corre no sangue, também vou conseguir.

   Ele é o meu Pai. O meu Baldi. O meu Chico. O meu companheiro para a vida. Aquele que tenho a certeza que nunca me abandonará. Ainda que não concorde, não perceba, barafuste, discuta (suavemente...com ele sempre foi suavemente), aponte o dedo, amue...é o meu pai. E de um pai como o meu, do nosso pai, gosta-se sempre e para sempre.

Ser criança

  

   Um mês de trabalho com crianças foi suficiente para eu perceber um pouco melhor o que é ser criança actualmente. Confesso que me surpreendi, muitas das vezes não pelos melhores motivos, porque, de facto, causa-me uma certa confusão a forma como hoje se vive a infância. Eu sei que deveria estar preparada para tudo e que até sou psicóloga e nada me deveria surpreender, mas a verdade é que me surpreendo. E todos os dias. E começo a perceber (e confirmar) a minha inexplicável aversão (no bom sentido) e incredulidade perante esses pequenos seres, afinal já tão cheios de tudo (para o bem e para o mal) 

   Estas crianças da “geração Magalhães” assustam-me. Por diversos motivos, mas principalmente porque não são crianças, não sabem ser crianças e não querem ser crianças. Têm sede de crescer, querem parecer (e ser) mini-adultos e esquecem-se de viver essa fase tão boa, tão pura. Conservam a inocência de quem pouco sabe e muito quer saber, mas são más, conflituosas, intrigistas, mal-educadas e competitivas, demasiadamente competitivas. Competem pelo melhor caderno, pela melhor letra, pela minha atenção, pelo melhor material, pela melhor resposta, pelo centro de estudos que frequentam, pelos pais que têm, pelo Magalhães que já chegou ou vai chegar, pelo telemóvel (chamem-me antiquada, mas com 8 anos ter telemóvel? Não chega o Magalhães?)… competem para se afirmarem aos 5, 6, 7, 8 anos, como se já percebessem que pela vida fora irão caminhar numa selva de competição e total luta pela sobrevivência do mais forte.

   As crianças de hoje são estupidamente mimadas e muito do que fazem e são é culpa de quem as mima e educa de forma tão permissiva. As “birras” são uma constante e frases do tipo “Não faço porque eu não quero” revelam que, em casa, são sempre elas a proferir tais palavras e nunca as ouvem em jeito de “Não. Tu não fazes porque eu não quero.”. Limites, disciplina, diálogo, compromisso. As nossas crianças precisam disso. Precisam também de amor, carinho, afecto e toda a atenção do mundo. Precisam que as ensinem a ser crianças neste mundo de crise e aceleração, que as deposita em centros de estudo e ATL`s das 8h da manhã às 8h da noite (este assunto ficará para próximos desabafos polémicos). As crianças de hoje não sabem conjugar o verbo brincar no presente, porque para elas, brincar, faz parte do passado. Brincar não é para elas, é para os “pequeninos”, mesmo quando elas próprias têm 5, 6, 7 ou 8 anos. É preciso ensiná-las a brincar e mostrar-lhes que existem outras prendas para além dos MP3, MP4, telemóveis da Hello Kitty, PSP...e toda uma parafernália de objectos que deveriam chegar bem mais tarde e nuca substituir um belo brinquedo.

   Lidar com crianças não é fácil. Mas, muitas vezes, mais difícil ainda é lidar com os pais dessas crianças. E quando os conhecemos, percebemos muito melhor as tais crianças.

 

(sem generalizações, ok?)

SunLight

 

   Serei eu a única que está completamente rendida a estes raios de sol com cheirinho a Primavera antecipada? Não muda tudo? O espírito, a alma, o humor, os olhares, os sorrisos...até o preto da roupa é posto de parte. Que venha o branco, o nude, o cinza, o roxo, o vermelho, o castanho, o rosa, o verde, o amarelo...cor, muita cor! Muita cor pela vida fora!

    Oh Mr. Sun, please stay around!

 

Com tanto sol não há sexta-feira 13 que nos atormente, ainda que a papi tenha voltado para casa de muletas, depois de lhe terem retirado o "material" (vulgo parafusos) que lhe curava o pézito partido a jogar à bola em Maio do ano passado, e num completo estado de dependência que até lhe parece agradar dada a quantidade de solicitações, pedidos e miminhos. Não há trabalho que nos canse em excesso, ainda que ele contemple esvaziar um guarda-vestidos e acumular toda a roupa na sala de jantar, desmanchar um guarda-vestidos e montá-lo, durante toda uma tarde de sol de Domingo, na garagem e esperar que o novo roupeiro venha mesmo 3ªf (felizmente, não se trata do meu guarda vestidos, ou o risco de não caber mais nada nesta casa para além da minha roupa era preocupante). Tudo isto depois de acordar para um magnífico dia com uma daquelas dores de cabeça que nos atiram para a cama, nos obrigam a fechar a janela a todo e qualquer raio de sol durante toda a manhã e ainda pôr aquela máscara nos olhos que o papi trouxe da sua última viagem e ficar bem quietinha para não expulsarmos violentamente os 3 comprimidos que esperamos que nos aliviem da tormenta. Mas afinal, que importa tudo isso? We have the Sun!

sol da juventude

   Nestes primeiros dias de sol não consigo deixar de relembrar estes mesmos primeiros dias de sol de há muitos anos atrás, quando os dias eram passados na ânsia pelo toque da campainha que abria as portas à liberdade de um intervalo dedicado aos amigos, que nessa altura julgava eternos. Cada momento era vivido com a intensidade do último suspiro, as gargalhadas eram constantes, as conversas fluiam com naturalidade e sem regras, os sentimentos à flor da pele tatuavam em nós memórias eternas sem que nos apercebessemos.

   Quando se é jovem/adolescente tudo é "tudo ou nada". Tudo é para ser vivido e depois pensado. Tudo são sonhos, projectos, ideias. A amizade é o melhor do mundo, as paixões parecem amores eternos e os desgostos podem marcar-nos para toda a vida. As lágrimas surgem com uma facilidade assustadora e pensámos que pior é impossível e que nunca recuperaremos. No dia seguinte restam as olheiras e , talvez, uma dor de cabeça. É um novo dia, cheio de oportunidades, cheio de tanto para viver e partilhar. E as tristezas são esquecidas...até ao próximo "acidente de percurso", tão necessário para o crescimento e desenvolvimento pessoal. E assim se constrói um indivíduo. Sem sabermos que aqueles momentos irão ser dos melhores da nossa vida. Sem sabermos que, anos depois, irémos sentir falta de tudo aquilo, do bom e do mau, dos intervalos e das aulas, das visitas de estudo e dos testes, dos amigos sinceros e dos que nos desiludiram, dos sorrisos e das lágrimas...é a vida vivida no seu estado mais puro, sem preocupações "de adulto", sem crise, sem desemprego...

   Todos os dias, a caminho do trabalho, passo pelas duas escolas que marcaram a minha adolescência. Todos os dias sou assaltada por recordações daqueles primeiros dias de sol. Ouço a campainha tocar na minha cabeça e sorrio. Como eu fui feliz nos dias de sol da minha juventude...

Smart Shopping

  

"Lá se vai ouvindo, de vez em quando: «Que ideia é essa, quando os empregos escasseiam e o dinheiro no bolso não estica, de continuar a apelar ao consumo? De fazer revistas recheadas de convites ao over-spending? De continuar a falar de luxo quando a palavra de ordem é contenção?». Suspiro. Pausa.

   Sim, é verdade. A coisa está má, é o que se pode dizer se não se quiser contribuir para o já avançado desgaste da palavra C-R-I-S-E. Chamemos-lhe C, para não magoar tanto. E, de repente, com a C. à solta, até parece mal falar de moda. De novas tendências. De colecções novinhas em folha, à espera nas nossas lojas preferidas. De coisas obscenamente caras. De casas fantásticas, carros de luxo, viagens de sonho, e mais coisas para comprar, ainda que a C. se tenha instalado e pretenda ficar cá por mais uns tempos.

   A C assusta todos, especialmente quando tem uma dimensão sem precedentes e quando não se sabe quando acaba e quão profundo é o fundo onde ela vai bater. Mas há que ver as coisas de uma outra perspectiva. Se assim é - se parece mal falar de coisas mundanas, continuar a consumir se a grande tendência nos diz para apertar o cinto no último furo - alguém já pensou no que aconteceria se o mundo parasse? Se ninguém consumisse nada mais que o essencial? Se parássemos de alimentar o sonho, mesmo quando ele parece descabido? Era a morte da Economia.

   Nessa noiva e tenebrosa realidade, comecaríamos a desdenhar aquilo de que gostamos. Para quê vinho quando temos água. Sapatos novos? Só quando a sola romper. Ir de férias...dentro de casa. Viajar só em trabalho e em low-cost. O resultado imediato era só um: mais falências, mais desemprego, mais desânimo, mais C. E viveríamos num mundo muito mais triste.

   A auto-censura não é a solução para o problema. E não vale a pena transformar a C. num tabu que nos impede de fazer uma extravagância de vez em quando. C é sinónimo de oportunidade, dizem os entendidos. E, nessa perspectiva, a grand trend, que surge também como método de combate à C, é o smart shopping, também conhecido como «ter estilo sem ir à ruína». Ou seja, sem preconceitos, passamos a ter carta branca para nos deleitarmos com as tendências da estação sem sentimentos de culpa."

 

Rita Ibérico Nogueira, in Revista "Fora de Série", do Semanário Económico

Parabéns Barbie!

 

   A boneca mais famosa do mundo e a favorita de muitas meninas (eu incluida) faz hoje 50 anos. 

   A Barbie marcou gerações inteiras e continua até hoje. Em muito devido à personalidade que lhe foi associada e ao padrão de beleza que simboliza. Para além disso, a Barbie é tudo aquilo que muitas meninas (e mulheres) e gostariam de vir a ser um dia: uma rapariga bonita, elegante, com fashion taste, simpática, inteligente, amiga, companheira, meiga e politicamente correcta. 

   O mundo Barbie é um mundo cor-de-rosa, que salta facilmente from fashion to fantasy. O mundo Barbie é aquele mundo perfeito e mágico, ao qual gostamos de pertencer. É o mundo que fez sonhar muitas menias e continua a alimentar os sonhos muitas outras.Da minha parte, muitas das imagens que guardo da minha infância estão acompanhadas por uma Barbie. Ou duas. Ou três. Esta boneca foi, de longe, o meu brinquedo favorito. Tive dezenas delas, que guardo religiosamente em caixas. É uma parte do meu passado que vou querer recordar para sempre. Porque fui feliz no mundo Barbie.

 

   Parabéns Barbie!

Obsessions

  

Quais as minhas 5 maiores obsessões? Aqui tens a resposta Closet:

 1. Roupa, roupa, roupa e roupa. Quem me conhece sabe que é verdade. Não consigo resistir a um belo traje, fazer compras é um vício para mim e só gosto de entrar em lojas quando sei que posso comprar algo, senão deprimo e ferro-me toda. 

 2. Sapatos de salto alto ou compensado. A gravidade atinge o mesmo nível que a da roupa. Espaço para sapatos já não há e só hoje apaixonei-me por uns 3 ou 4 pares de sapatos e sandálias para o Verão. É preciso renovar o gurada-roupa!

 3. A pinta vermelha e as orelhas à mostra. Tenho uma pintinha vermelha bem no meio do nariz que me tira so sério de cada vez que olho ao espelho. Escusado será dizer que correctores, bases e tudo o que sirva para a disfarçar são os meus maiores amigos. Quanto às orelhas já é mais um daqueles traumas sem justificação, mas não consigo andar de cabelo apanhado com as orelhas à mostra. São vícios, que posso eu fazer?

 4. Livros. Can´t live without them. Não há uma só noite em que um livro não seja aberto e eu me sinta a viajar através das palavras. 

 5. Perfeição / Organização. Cada coisa no seu lugar. Não funciono na confusão. Tudo feito com o máximo de empenho. Dou o máximo e quero o máximo. 

 

E as vossas obsessões quais são?

O sol quando nasce (não) é para todos

    Este nosso actual governo é de facto rico em medidas e programas e coisa e tal para ajudar os portugueses e contribuir para o desenvolvimento do país. Desta vez os nossos ilustres (sentem a ironia?) governadores vieram a público dizer, orgulhosamente, que apoiam todas as famílias que quiserem instalar painéis solares nas suas casas.

   Acho tudo isto muito bonito, percebo que é necessário incutir nos portugueses este sentido de poupança e modernização, até percebo que essa coisa dos painéis solares é importante para o desenvolvimento do próprio país. O que eu não percebo é, como é que esses senhores têm dinheiro para painéis solares e não têm dinheiro para criar postos de emprego, para apoiar as inúmeras empresas que abrem falência todos os dias ou para, mais grave ainda, ajudar as famílias que realmente precisam. Não de painéis solares, mas de bens essenciais para a sobrevivência. O que eu também não percebo é como é que um país se pode considerar evoluido e os telhados se podem enfeitar com esses acumuladores de energia solar (que por sinal até são bastante inestécticos), quando tanta e tanta gente continua a não ter as condições mínimas de habitabilidade, quando tanta gente não tem dinheiro para medicamentos básicos para a sua saúde, quando cada vez mais gente não tem sequer dinheiro para comer.

   O sol quando nasce é para todos. É fácil de se dizer e um belo slogan para este programinha. Não sei se esses senhores vivem noutro Portugal diferente deste nosso, mas neste Portugal, no Portugal real, o sol ainda não nasce para todos. Deixem-se de modernices e vaidades (tão tipicamente português também), deixem-se de tapar o sol com uma peneira (ou com um painél, adequa-se melhor ao caso) e preocupem-se em fazer chegar um raio de sol que seja onde, todos os dias, só existem nuvens e tempestades.