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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Espaço aéreo

 

   Sinto-me inexplicavelmente bem em aeroportos. Qualquer coisa toma conta de mim sempre que passo aquelas portas giratórias. O som das rodas das malas que correm pelo chão rumo ao seu destino, os placards de informação, o verificar do voo, o check-in e aquela ânsia de "será que ultrapasso os 20kg permitidos" (sim, quando eu viajo é um drama recorrente), o ti-ti-ti-ti do verificador de metais (sim, também apita sempre que passo e começa a ser hábito o "importa-se de descalçar os sapatos e passar sem eles"), a procura da porta de embarque, a visita à papelaria para me abastecer de material de leitura, o embarque e o sempre sorridente "Tenha uma boa viagem", entrar no avião, procurar o meu lugar, acomodar-me, tomar medidas ao "bicho" que sustentará a minha vida nas próximas horas...não consigo fazer tudo isto sem um sorriso (estúpido) na cara.

   Gosto de aeroportos. E gosto de viajar. Não só de avião. Gosto de viajar e pronto. De partir, de deixar a minha casa e as minhas coisas, de chegar a um local diferente. Conhecer, explorar. E gosto de regressar. De saber que tenho alguém à minha espera, que tenho a minha casa e as minhas coisas tal como as deixei. E eu regresso mais rica, mais completa, mais realizada. Pronta para partir de novo, com a certeza que posso regressar.

   Não gosto de criar raízes. De viver presa ao aqui e ao agora. De estar sempre no mesmo sítio. Estagnada. Acomodada. Tenho asas como os aviões. Ou como as borboletas. E, como cantam os GNR, as asas servem para voar, para sonhar ou para planar, visitar, espreitar, espiar, mil casas no ar. Talvez num aeroporto as minhas asas sintam que têm todo o espaço para se estenderem e baterem. Com ou sem destino, simplesmente batendo. Vivendo.

 

(Infelizmente a visita de hoje ao aeroporto não foi para bater as minhas asas. Foi para levar o papi sortudo que tem um emprego que lhe permite viajar. Ok! A parte do sortudo é discutível. Acredito que não fosse o adjectivo utilizado pelo meu pai. Principalmente quando, 13 horas depois, continua dentro de um avião...nisto até a minha paixão pelas viagens vacila)

  

Tudo o que temos cá dentro

 

Uma pessoa pode caber dentro de outra. Às vezes até duas ou três.
Um navio cabe dentro de uma gota de água.
Uma biblioteca inteira pode caber dentro de uma cabeça.
A sua banda preferida cabe perfeitamente entre as suas orelhas.
Uma nação pode caber numa bola. E um povo numa única palavra (Paz).
Um bairro, uma cidade, um país, cabem em três letras (www). E tudo isto cabe aqui (internet de banda larga).
 
   Estas palavras servem de mote a um novo spot publicitário da TMN. A primeira vez que o ouvi aumentei de imediato o som do rádio. Quando o vi na televisão, gostei ainda mais. As palavras exactas conjugadas com as imagens perfeitas.
 
   Tudo isto me fez pensar quanto de tanta coisa cabe dentro de nós. Cá dentro cabem pessoas, momentos, sentimentos, odores, sabores, imagens. Cá dentro há espaço para o amor, para a raiva, para a alegria e para a tristeza. Há espaço para lágrimas e sorrisos. Nossos e dos outros. Há espaço para recordações e há sempre espaço para novas ideias. Dentro de nós há espaço para tudo o que quisermos guardar. Cabe o que temos e o que já tivemos. Cabem aqueles momentos que nos cortam a respiração e aqueles que nos fizeram sentir as piores pessoas do mundo. Cabe aquela música que não conseguimos deixar de cantarolar e aquela outra que o nosso pai ouvia quando ainda mal sabíamos o que era a música, mas que gostávamos de dançar. Cabe aquele livro que lemos de uma vez só, aquele que mexeu connosco até às entranhas e aquele que não passou de uma valente desilusão. Cabem todos os filmes que nos levaram às lágrimas, de riso e de choro. E ainda cabem os cozinhados da nossa mãe e aquelas porcarias todas que comemos nos dias de maior descontrolo (hormonal, pois está claro!).
   Dentro de nós o espaço é infinito e, bem arrumado e acomodado, o infinito cabe dentro de nós. Sem aquela sensação de carregar o mundo nas costas, mas com a sensação de que somos tudo o que temos cá dentro.

 

Conversas de criança

   A. 8 anos e C. 7 anos, enquanto pintam um desenho:

   A: "Ela está grávida, mas vai abordar...é por isso que ela está grávida, porque vai abordar."

   C: "Abordar? O que é isso?"

   A: "Então, abordar é deixar ir o bébe embora...".

 (o termo usado foi mesmo aBordar...)

 

   Eu e C. 8 anos, em mais uma batalha pela sua atenção na tarefa:

   Eu: "...põe os olhos na J. , C. Se ela consegue tu também consegues."

   C. deixa automaticamente de me prestar atenção, o olhar vagueando pela sala.

   Eu: "C. estou a falar contigo. Para onde estás a olhar?"

   C: "Que quer porfessora, estou a pôr os olhos nela."

 

   Impossível não sorrir.

Um dia meto-me num avião e...

 

   Haverá melhor desafio que este para alguém que é completamente, perdidamente, apaixonada por viagens? Desta vez tenho de escolher exactamente uma viagem por continente que gostariamos de fazer um dia e porquê/para quê. O difícil é escolher só uma viagem...

   Europa: Itália, sem dúvida. Perder-me no meio de tanto beleza, respirar aquele ar, falar aquela língua, comer uma verdadeira pizza, navegar ao sabor de uma gôndola...desde sempre tive este fascínio por tudo o que é italiano.

   América: Fácil, fácil...quem adivinha, quem? A eterna fashion city, pois está claro. New York irá com toda a certeza fazer cantarolar "It feels like home to me". Qual o melhor lugar para calçar um belo salto alto, vestir o nosso melhor outfit, pegar na nossa mais bela carteira, colocar uns magníficos óculos de sol Prada, abrir a porta e sair para o mundo?

   África: Uma vez que já conheço a Tunísia e confirmei a minha paixão por aquela cultura, vou comprar um bilhete para as Ilhas Seychelles, porque a um mar daqueles é impossível resistir.

   Ásia: Índia, Índia e sempre Índia. Aprofundar os princípios e costumes Hindus, aprender a dançar como elas, usar aquelas cores todas, perder-me naquelas músicas, praticar Yôga no local onde tudo começou e gravar na minha memória a imagem do Taj Mahal.

   Oceania: Da Austrália voltaria com um cangurú e um koala e porque nunca nutri grande fascínio por este país passaria lá uns dias e dava um saltinho à Nova Zelândia.

 

   Tal como disse, difícil foi escolher um só local. São tantos os meus desejos de viagem...alguma companhia aérea me quer patrocinar? Sim? prometo publicidade gratuita neste blog internacionalmente visitado.

(Quem quiser está convidado a viajar por este desafio...)

Os meus 6 sabores

   Novo desafio. Este com sabor. Consiste em revelar os nossos 6 sabores preferidos.

   E para abrir o apetite aqui vão os meus 6 sabores:

    - O sabor dos pinhões no Natal. Não me controlo quando apanho pinhões à frente.

    - O sabor de uma francesinha e das batatinhas fritas molhadas no molho da mesma.

    - O sabor do Swirl de fruta da Olá, com muitas frutinhas misturadas.

    - O sabor de cerejas vermelhinhas, rijas, daquelas que fazem crraaac quando as trincamos.

    - O sabor das pipocas do cinema, quentinhas, a assistir a um bom filme.

    - O sabor do frango assado no forno da minha mãe.

 

   Com tudo isto, confesso que fiquei com água na boca:)

 

(Cavaleiro das ondas e os teus sabores quais são?)

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