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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Desculpem, mas hoje eu sou a maior!

 

 

   Hoje estou absolutamente orgulhosa de mim, de maneiras que me terão de permitir este pequeno momento de gabarolice.

 

   O mestrado em psicologia clínica está finalmente terminado. Sou "mestra" e com glória. O nervoso e ansiedade foram totalmente em vão, porque na verdade não tinha nada com que me preocupar. Segundo o júri e a arguente, fiz um trabalho quase-quase irrepreensível e absolutamente delicioso. E assim começou toda uma enxurrada de elogios à minha pessoa e à minha tese, que foi mote para uma agradável troca de ideias entre mim e a arguente querida-querida que me foi atribuida, quase me esquecendo que estava ali a ser avaliada.

   E de elogio em elogio lá foi o meu ego subindo, subindo...e hoje por lá ficará, a recordar "uma excelente capacidade de comunicação e argumentação", "um discurso claro, preciso e perceptível", "uma tese com um carácter formal e científico extraordinário", "uma excelente escolha de palavras", "uma excelente capacidade de relacionar ideias e tirar conclusões", e, o mais importante para mim, "um trabalho que revela um enorme esforço e dedicação".

   Posto isto, tive direito a muitos beijinhos, a muitos elogios, a muitos "é um orgulho para esta universidade ter alunos como você" (ficamos asssim a saber que a universidade tem mais orgulho em mim do que eu nela!), a um abraço apertado da directora de curso e a um magnífico, lindo, lindo, lindo, 18 como classificação final.

 

   Se me estive a gabar? Estive. Mas hoje eu mereço.

Um objectivo que ainda esteja por realizar em 2010?

 

   Só um? Mesmo?

 

   Não é querer ser dramática ou fatalista, depressiva ou negativista, mas questiono-me se, até ao ponto em que 2010 se encontra, concretizei algum objectivo. É que sendo muito e mesmo sincera, a sensivelmente 2 meses do final do ano e a pouco mais de um mês de completar 25 anos, a minha vida não é absolutamente nada do que idealizei para mim e para ela, a minha vida.

   Talvez o problema seja esse...idealizar.

Quando vamos ao cabeleireiro e não nos reconhecem o dinheiro foi bem gasto

 

 

   Uma pessoa vai ao cabeleireiro, corta (bastante!) o cabelo e dá uma folga aos caracóis. E vai trabalhar. E no trabalho ouve coisas como:

 

   C. (11 anos): Quem é esta? ... Aahhhh! É você! Eu pensei que era uma criança, mas estava a estranhar uma criança de tacão...está mesmo diferente.

 

   R. (11 anos): Quem é aquela?

   C. (10 anos): É a professora xpto, então não vês?

   R. (11 anos): Fogo!

 

   Z. (32 anos - estimada colega - de voz elevada): C. e amiguinha estou farta de vos ouvir conversar. Quero silêncio! Caladas as duas.

  

   E uma das duas, uma das amiguinhas, era eu. De cabelo cortado e sem caracóis.

Nisto da doidice, cada um sabe de si

 

 

   Falar em público, para grandes ou pequenas audiências, não é coisa que me apoquente e, aparentemente, pelos comentários tecidos, sempre fui bem sucedida em todas as minhas "comunicações".

   A questão é que, se ter a palavra é coisa para não me importunar, o tempo de espera até lá chegar, já é coisa para me perturbar bastante, embora, também aparentemente, não o demonstre, que nisto de ocultar estados de alma já vou em doutoramento. O problema é que anda ali a remoer e remoer e remoer o assunto, e será que vai correr bem, e será que vou dizer tudo o que é importante, e será que vai ser perceptível, e será que vão colocar muitas questões, e será que, e será que...no meio de tanto será que, há espaço para o friozinho na barriga, para as noites a pensar no assunto (e as sonhar!), para os despertares repentinos em jeito de "e seu acrescentar mais isto e retirar aquilo e disser assim e assim?" e para as doidas e constantes alterações na apresentação que tenho preparada.

   Diz-me a experiência que comigo a coisa funcionará melhor no improviso e na surpresa. Ora anda cá agora, já, já e diz-nos umas coisas interessantes. É que isto de estar à espera do dia D e da hora H não é nada, nada, compatível com o meu lado mais neurótico (nem com a minha barriga de flor de estufa).

 

   Bem, desta vez, já faltam muito menos que 24horas de especulação... 

Sabem o que li por aí?

Que um dia, "Um Dia", vai chegar aos nossos ecrãs, com todas as desilusões que as adaptações de livros ao cinema acarretam, mas com muito-muito espírito de "must see movie".
Mal posso esperar!
Já vos disse que A-DO-REI o livro?

Inception

Um dos melhores filmes que vi até hoje! O melhor dos melhores dos últimos tempos.
Não é de compreensão fácil, mas é terrivelmente magnífico, terrivelmente bem construído, cheio de pormenores, cheio de metáforas, cheio de representações.
Se calhar sou só eu que sou demasiado atraída pelos labirintos da mente humana, que me interesso demasiado pelo significado do material do subconsciente ou que vivo interessada nesta constante luta entre a realidade e o sonho...mas este filme...WooooW...tão cheio de tudo o que julgamos não conhecer.

Em Portugal, hoje, faz-se o culto da morte

 

   Como manda a tradição hoje Portugal foi em peso aos cemitérios. Contra isso, nada, que cada um sabe da sua vida e das suas formas de lidar com a morte. Só acho que, como muito mais, também este dia se comercializou, se banalizou e agora temos um verdadeiro "espectáculo", entre a melhor flor, a melhor indumentária para se ir "visitar" os entes que já partiram, a melhor campa...ou, quem sabe, a melhor e maior tristeza. Eu, que moro bem perto de um cemitério, pude testemunhar in loco a agitação que este dia traz. E a verdadeira palhaçada em que isto se transformou. Desculpem a agressividade de palavras, mas quem raio é que se lembro de estacionar uma grande rulote a vender farturas e suas amigas bem em frente ao portão do cemitério? Ah! Talvez os mesmos que se lembram de vir vender os bolos teixeira e as regueifinhas e as cavacas e toda a parafernália de doces tradicionais, não para o portão, porque esse já está ocupado, mas uns 5 metros mais acima. Digam-me, por favor, que isto só acontece na minha freguesia! Caso contrário, estou realmente desiludida com o povo português.

  

   Talvez estejamos todos a tentar fugir desta vida que não está nada fácil. Talvez não sejamos capazes de deixar partir. Ou talvez, simplesmente, não saibamos como lidar com a morte, que nos mostra que somos finitos, totalmente e inevitavelmente, finitos. Mas, para mim, esta não é, de todo, a melhor forma de estar "por cá", orgulhando os que estão "por lá".

 

   Eu não vou ao cemitério. Não tenho motivos para o fazer. Os que partiram, já o fizeram há muito, muito tempo. Mas no dia em que um cemitério for a moradia de alguém que me é (porque vai sempre ser; a morte não acaba com os sentimentos) muito querido, não vou ter problemas em o visitar. Em qualquer dia. Sempre que o coração o pedir. Não religiosamente. Não enquanto rotina. Não para não deixar morrer a sua memória. Apenas porque sim. Em qualquer dia, menos num em que possa dar com a cabeça numa rulote de farturas.

  

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