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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

My name is Khan

 

 

Rizvan Khan sofre de Síndrome de Asperger e é Islâmico. Parte para a América, seguindo o último desejo da sua mãe: o de ser feliz. Lá, entre medos e comportamentos estereotipados, típicos da sua patologia, apaixona-se por Mandira e pelo seu filho Sam. Da forma mais inocente possível, conquista-a e casam-se. São felizes. Muito. A 11 de Setembro o mundo muda para todos os Islâmicos. Vítimas de perseguições e acusações, muitas são as injustiças cometidas e Sam é morte por colegas de escola em nome do patriotismo americano. Mandira culpa Khan, o seu filho morreu por ter o nome dele, um nome islâmico. Mandira revolta-se e pede a Khan para partir e voltar apenas quando disser ao presidente americano: "My name is Khan...and I´m not a terrorist". E Khan parte numa atribulada viagem para cumprir o pedido da sua Mandira. A sua tentativa de contactar com George W. Bush falha e Khan é preso por suspeitas de terrorismo e torturado pela polícia americana. Um jornalista interessa-se pela sua história e a partir daí tudo muda. Khan torna-se um herói islâmico e é libertado quando descobrem que ele havia denunciado ao FBI terroristas islâmicos. Khan tem forças para mudar o mundo e mover montanhas. Khan sofre uma tentativa de assassinato por parte de um extremista islâmico. Khan sobrevive a tudo e recusa-se a voltar para casa sem se encontrar com o presidente americano. Barack Obama é eleito e recebe Khan. Diz-lhe "Your name is Khan...and you are not a terrorist."

 

   Há filmes bons e filmes muito bons. E depois há filmes absolutamente fantásticos, verdadeiras pérolas do cinema. Este é, sem sombra de dúvidas, um filme obrigatório. Magnífico do princípio ao fim, em quase 3 horas de filme que nos prendem ao ecrã tal é a doçura, a inocência e a determinação de Rizvan Khan. E já agora, uma enorme salva de palmas de pé para o desempenho do actor que faz de Rizvan. Outra pérola. Um desempenho magnífico, pormenorizado, que nos leva a questionar se ele própria sofrerá de Síndrome de Asperger.

 

   Um filme que nos mostra o outro lado do 11 de Setembro: o lado dos "culpados", que mesmo não o sendo, carregam o fardo de pertenceram a um povo perseguido, torturado e a abater pelos americanos. Um filme que nos mostra até onde a determinação nos pode levar. Um filme que nos mostra que aqueles que são "diferentes" têm tanto, mas tanto, para nos dar. E que são eles que realmente marcam a diferença neste mundo.

 

  O melhor de tudo? Tudo isto é baseado em factos verídicos. E eu gostei tanto, mas tanto, disto que me arrisco a dizer que estou perante o melhor filme que vi até hoje.

 

  Eu pergunto-me porque motivo filmes como este não chegam aos nossos cinemas ou não são sequer divulgados. E por falar em óscares, onde está o júri das estatuetas que ignora filmes e desempenhos destes?

 

  

Do que o nosso povo gosta

 

   Diz que Portugal ficou de fora da organização do Mundial de 2018, "oh meu Deus, qual será o sentimento dos portugueses em relação a isto". Eu tenho cá para mim que isso é como o Emmy ganho pela telenovela portuguesa, ou o Nobel ganho pelo nosso queridíssimo Saramago: depois de amanhã ninguém se lembra disso.

   Já o decote da Rita Pereira ninguém esquece. É mais ao menos como o pontapé daquele Marco na Sónia, ou aquele Vítor que puxa os cabelos à sua Ana e não é violento. É que é disto que o nosso povo gosta: de uma boa cusquice, um bom escândalo da vida real, de preferência que envolva os nossos "VIPs" que têm sempre uma vida melhor que a nossa. Disto e de ver a neve na televisão no Inverno e dizer "Aaaahhhh...".

 

 

Quem quer um destes?

 

   Movida pela curiosidade fui espreitar lá aquela coisa do euqueroumdestes.com. Qual a minha surpresa quando me deparo com um site repleto de coisas e coisinhas sem utilidade nenhuma.

   Vejamos então alguns exemplos das sugestões de prendas de natal que eles nos oferecem:

- lá temos a famosa manta com mangas

- um esmagador de latas

-  uma engenhoca anti-roncos

- um gorro equalizador, seja lá o que isso for

- uma máquina de goluseimas

- um rato de diamantes (podemos imaginar a qualidade do diamante)

- uma almofada com colunas

- um relógio espião (revivendo os nossos tempos de inspector gadget turururututu)

- um saca-rolhas eléctrico recarregável

- Clocky, o despertador fugitivo, esse grande maluco

- o candeeiro espada laser Star Wars

- um porta-chaves flutuante (a sério, este é para quê? Para as cheias ou para levarmos para a aula de natação?)

- a colher avião, para podermos dar corpo ao famoso "olha o aviãozinho, abre a boquinha"

 

E muito mais haveria para vos mostrar, e nem sequer entrei na secção dos "românticos". Ide lá espreitar e deliciai-vos.

 

   Há cada vez mais formas maravilhosas de gastar dinheiro (e acreditem que não tão pouco quanto isso).

Há professores e professores

 

   Diz-me a experiência de trabalho com crianças em idade escolar que há professores injustos e que deixam que as suas preferências determinem os seus comportamentos para com os seus alunos. Ora preferências, todos nós temos. Eu também as tenho. Grave é deixá-las transparecer no nosso trabalho, principalmente quando lidamos com crianças, que são mais sensíveis a estes comportamentos, ao contrário do que nós pensamos. E revolta-me ver crianças serem prejudicadas por professores que não sabem ser profissionais e se esquecem que nós, adultos que participamos no seu crescimento, deveremos ser modelos que promovam um desenvolvimento saudável e nunca revoltado e com sentimentos de injustiça.

Tenho para mim que já uso vestidos a mais

 

A. (4 anos): Não foste pó teu tabalo?

Eu: O meu trabalho é aqui.

A (4 anos): Nãaaaooo...o teu tabalo, não vais?

Eu: Que trabalho? Já estou no meu trabalho?

A (4 anos): O teu tabalo...não vais tabalar?

Eu: E qual é o meu trabalho?

A (4 anos): Aquele na tua loja.

Eu: Q loja?

A (4 anos): A tua loja de vestidos. Tu tens não tens?

 

Não tenho, mas não me importava de ter. Assim sempre tinha uma "desculpa" para o meu uso diário de vestidos.

 

Não posso gostar de tudo o que é o Natal

 

   Não gosto desse espírito solidário que parece inundar o país (e o mundo) nesta época e apenas nesta época. É um espírito falsificado de solidário e com cheiro a oportunismo, fachada e "que bem que fica sermos todos pai natal e sairmos por aí a ajudar tudo e todos".

 

   Sou pela solidariedade, sou. Mas não nesta época. Sou-o todo o ano. E lamento que para muitos a solidariedade tenha data marcada no calendário.

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