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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Demasiado de mim, demasiado eu

 

   "Qual é a tua opinião?" - é pergunta que raramente me ouviram e ouvirão fazer. Sou estupidamente individualista, demasiadamente EU. Poderia mesmo usar um slogan ao peito que dissesse "Eu basto-me a mim própria". Às vezes culpo o facto de ser filha única, pois nas decisões realmente importantes da vida, estive sozinha, tomei-as sozinha.

   Ah e tal, mas era bichinho do mato? Não, não era. Na verdade tive carradas de amigos (colegas?) e as "amigas intímas" suficientes para partilhar aquilo que mais me angustiava. Mas a verdade é que, as verdadeiras decisões da vida, foram sempre tomadas sozinha e independentemente da opinião dos outros. Não lhe chamaria egoísmo. Esta sou eu! Um eu demasiado singular e, talvez por isso, demasiado exigente, demasiado autoritária, demasiado teimosa. Porque defendo a minha posição até ao fim, construo-a sozinha e não peço a opinião dos outros. Das poucas vezes que a pedi, e foi quase de certeza opinião relativa a alguma peça de roupa, acabei sempre por me arrepender (por trazer ou por não trazer a tal peça de roupa). No trabalho, ajo sem pedir opiniões. Mas não tenho problema nenhum em pedir ajuda quando me sinto perdida. Para mim, são coisas completamente diferentes.

   Hoje questiono-me: será isto um defeito? Estarei a prejudicar-me? Estarei errada?

Da morte

«Tem medo da morte? Eu digo não, nunca a conheci, como é que posso ter medo de algo que não conheço? Mas depois, como  sou capaz – feliz ou infelizmente – de dizer algumas coisas mais, digo, por exemplo, que não é exactamente a morte o que me preocupa, o que me preocupa no fundo é a consequência da morte.

   Lá está, pode ser formulado de outra maneira e essa é uma maneira que eu gosto muito de ter encontrado: que o mal da morte é que tu estavas e agora já não estás, isso é que é o pior de tudo, ter estado e já não estar. Isto parece uma coisa óbvia, mas é aí que está exactamente a questão.»

 

JSaramago