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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Closet de Inverno

 

   Se há altura do ano em que o lema "tanta roupa e nada para vestir" faz sentido é no Inverno/tempo frio. Primeiro, porque sou aquela pessoa que os velhinhos gosta de dizer que "se dá ao frio" e, por isso, quanto mais roupa visto mais frio tenho. E depois, porque basicamente nunca sei o que vestir nos dias de muito frio ou como combinar peças para ter um ar apresentável. Acho sempre que o resultado final é sempre um ar excessivamente casual e por isso nunca gosto das escolhas que faço. Como muito do meu trabalho é "na rua" acabo sempre por precisar de um casacão bem quente, de maneira que de manhã penso sempre "para quê que vou estar com grandes escolhas se nem o casaco vou desapertar?", mas depois acabo sempre por me arrepender das escolhas e nunca gosto de me ver com camisolas e camisolões.

   Sou uma pessoa vaidosa mas prática. Nada como umas calças, uma blusa gira e um blazer para compôr a coisa. Isto agora de vestir por camadas não é para mim. É isso e não gostar do meu closet outono/inverno que está muito pobre em camisolas quentes e bonitas. Enquanto aguardo pelos saldos, vou ter de investir numa ou duas...o problema é encontrá-las (será mais uma batalha como a da busca das botas pretas perfeitas que ainda continua?).

Histórias com gente dentro

   A B. tem 7 anos e nunca teve uma boneca.

   "Olha, tenho um uxo, dois uxos, tês uxos e um bebé". Tudo isto lhe foi recentemente dado e por isso não larga o dito bebé. Mas uma boneca nunca teve. Para mim, uma menina que nunca teve uma boneca na mão está a ser vitíma de um qualquer tipo de violência ou negligência.

   A mãe da B., que foi mãe adolescente, resolveu ir para a Inglaterra na passada segunda-feira e não disse nada à família. Deixou a guarda da menina entregue à avó, levou a filha ao infantário e apanhou um avião, grávida de 6 meses, gravidez de risco, pai desconhecido. Não se despediu da filha, não explicou o que se ia passar, limitou-se a um "até logo", que na verdade significa "até qualquer dia, sei lá quando". A B., de 7 anos, soube por mim, uma perfeita desconhecida, que a mãe achou que o melhor era ir embora sem dar cavaco. Expliquei-lhe como pude e ela pareceu perceber que a mãe foi trabalhar para um sítio muito longe, tão longe que teve de ir de avião e agora precisa de ganhar muito muito dinheiro para poder vir no avião visitar a menina e trazer muitas prendinhas. E porque o dinheiro custa muito a ganhar vai estar muitos dias sem vir a casa...na verdade, ninguém sabe quantos dias, mas a B. continua a acreditar que a mamã vai voltar com o mano e muitas prendinhas.

   Talvez, então, traga a boneca que a B., com 7 anos, nunca teve.

   Apetece-me mudar isto.

Bright side of life???

 

   Acabámos uma semana doida com pensamentos positivos e vontade de ver o bright side of life e coisa e tal e começamos uma nova semana exactamente ao mesmo ritmo da anterior mas de forma inesperada e o bright side of life vai logo por água abaixo. Sinceramente, não vejo uma coisa boa no dia de hoje, em que ainda por cima fui atacada por um gato, eu que adoro esses bichinhos peludos e mimo o meu como se de uma pessoa se tratasse. É isto, é negativismo ou apenas a má disposição de quem contava finalmente ter uma semana calminha e descobre que ainda não é desta. Não é que eu me importe de trabalhar, acreditem que não e que atiro as mãos e os braços ao céu ou à terra por saber que tenho um trabalho, mas há coisas que me custam compreender e aceitar e lidar com elas e uma dessas coisas é precisamente perceber que o trabalho me está a roubar demasiado tempo à minha vida pessoal (há quanto tempo não vou ao ginásio? há quantas semanas ando a adiar a ida ao cabeleireiro? até o pobre do gato já tem a vacina em atraso!). Isso e perceber que cada vez me pedem para fazer mais e mais coisas quando até existem mais dois psicólogos na instituição e me obrigam a dizer "eu não tenho tempo para isso agora".

   Acho que vou jantar e hibernar, não vá este bad mood ser contagioso...e ainda hoje é segunda-feira....

"...always look to the bright side of life..."


   Nestes últimos dois dias tive oportunidade de participar num workshop apelidado de POSITIVidade, que nos apresentou um programa de intervenção junto de idosos baseado nos princípios da psicologia positiva e que se foca precisamente na potenciação dos recursos positivos das pessoas. Acho estas perspectivas bastante interessantes e o trabalho que desenvolveram bastante benéfico para os idosos e para nós, técnicos e acima de tudo pessoas.

   Neste período tão conturbado, em que nos parece tão difícil ver o lado positivo dos dias, nunca é demais reforçar esta necessidade de "look to the bright side of life". Antes de tudo o mais necessitamos de uma transformação enquanto pessoas para depois, sim, podermos levar essa positividade aos outros e há tanta gente a precisar dela, mesmo aqueles que parecem já se encontrar na recta final das suas vidas.

   Curiosamente, o workshop começou ontem com um desafio tão simples mas tão interessante: identificar 3 momentos positivos da semana. Automaticamente pensei: momentos positivos, esta semana??? Precisamente esta semana? Zero!!! Mas não é verdade. Parando um pouquito para reflectir consegui encontrar 3 e até mais momentos positivos. Na verdade, acho que conseguia encontrar um momento positivo para cada dia. É verdade que foi uma semana complicada, pesada e bastante exaustiva, mas a verdade é que acabou por ser uma semana que correu bem. Fiquei esgotada, é certo, e isso altera completamente a perspectiva que temos das coisas, mas tudo o que estava programado foi feito, o que foi surgindo também o foi e tudo acabou por correr pelo melhor. E o cansaço há-de passar.

   Na sequência deste desafio inicial que me foi colocado, porque não, nós adaptarmos esta rotina de identificarmos os nossos momentos positivos? Podemos começar pelos momentos positivos da semana e depois passar para o momento positivo do dia...assim ali naquele momento tão bom em que fechamos os olhos e aguardamos a chegada do João Pestanas, porque não perder uns segunditos a identificar momentos positivos?

Finalmente posso descansar

   Crazy week terminada. Finalmente vou poder descansar...infelizmente amanhã já é Domingo, o que significa que tenho apenas um dia para dormir até mais tarde. Amanhã vai ser dia de preguiçar e nada mais que preguiçar. Estou exausta!  

 

 

The Gift, magia no Coliseu do Porto, ontem

retirado do DN online

Uma semana depois de uma noite de triunfo em Lisboa, o grupo repetiu a festa perante um Coliseu do Porto igualmente esgotado. Concerto em três atos, com mestre de cerimónias, histórias contadas e muitas recordações.

Foi com os músicos no corredor central da plateia, com um Coliseu do Porto em silêncio, escutando uma última canção de um alinhamento que então via o ponteiro a indicar três horas de atuação que a festa terminou. Sala cheia, esgotada há já vários dias, acolhia o segundo de um par de concertos diferentes dos que fizeram a última digressão do grupo. Afinal, juntamente com a noite de casa cheia há precisamente uma semana, no Coliseu dos Recreios (em Lisboa), as duas noites assinalavam, com um programa diferente e uma noção de arrumação dos acontecimentos em três atos (como se fosse um musical), os 18 anos de vida dos The Gift. Quem os viu, em finais de 1998, num lisboeta São Luiz, então também cheio, a apresentar as canções de Vinyl (o seu segundo disco, que antes tinham editado o hoje algo esquecido EP Digital Atmosphere), talvez não imaginasse que uma ideia tão afastada do que era então o terreno comum do espaço pop/rock português, algum dia chegasse a este patamar de reconhecimento mainstream (e atenção que esta expressão não é palavrão que implique juízo de valores, quer apenas traduzir uma noção de relacionamento com o "grande público"). Mas chegou. E se há uma primeira palavra para explicar o que sucedeu, essa palavra será: "trabalho".

(...)

A primeira das três "partes" de um alinhamento que, mesmo sem propor um evidente arco narrativo, acabava por sugerir uma arrumação de ideias, viveu em clima de Primavera. Ou seja, mesmo contando com a intrusão de um Are You Near (do duplo AM/FM), o piano e a sua relação com a voz - tal e qual escutámos no álbum Primavera, editado já este ano - dominou a primeira mão cheia de canções, a presença das imagens de árvores que conhecemos da capa do disco acentuando essa ligação. Apesar da aclamação (inevitável, que esse é afinal o poder dos singles) do tema-título do álbum, Les Tulipes de Mon Jardin foi talvez o momento maior de uma primeira parte na qual Sónia Tavares e Nuno Gonçalves introduziram um dos elementos hoje cada vez mais transversais aos alinhamentos dos concertos dos The Gift: os diálogos que contam histórias, cruzam memórias, comunicam e coram eventuais solenidades. Afinal, é de uma informalidade pop que vive a música dos The Gift.

Álvaro Costa, um comunicador pop por excelência, foi mestre de cerimónias, abrindo a noite e servindo de elo de ligação entre os três atos de que foi feito o concerto, fazendo ainda (e bem) uma ligação entre o momento que a noite vivia e a história daquela sala. E assim, por uma noite, os The Gift partilharam um presente entre memórias de Pamplinas Maquinista ou Joselito.

Da plateia, onde com apenas um pequeno teclado Nuno acompanhou Sónia em Fácil de Entender, a noite deu passagem a um segundo ato vivido dentro de uma frisa junto ao palco, da qual chegaram memórias de Five Minutes of Everything, Me, Myself and I e uma versão (com coro geral) de OK Do You Want Something Simple?, a canção que, nessa já evocada memória de 1998, foi o gatilho que fez daquele o primeiro dia do resto da vida dos The Gift.

O terceiro ato, feito de mais evidente fulgor rítmico e jogos de cores, separou em duas partes algumas outras memórias e, depois, um olhar mais concentrado em Explode, álbum claramente talhado para uma etapa de palco diferente da que o grupo registou já no álbum ao vivo Fácil de Entender.

Em fim de festa, e agora que a fasquia dos 18 anos está ultrapassada, ficou clara a solidez do relacionamento de uma banda com a sua música - a qual vive em palco as contribuições preciosas de Mário Barreiros, Paulo Praça e Israel Pereira - e com o seu público. Film, disco de 2001 que com o tempo que passa cada vez mais parece ser a sua melhor coleção de canções, conheceu merecidas evocações.

Feeling...

 

  É quinta-feira à noite e ainda me faltam dois dias de trabalho, o que significa menos uma manhã de descanso no fim-de-semana. Amanhã o dia vão ser muito longo...terminará com um belo concerto é certo, mas sinto-me exausta e pior que tudo, sinto-me doente e fraca. Que Domingo chegue depressa!

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