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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Querido S. Pedro

   O que eu queria mesmo saber é se será ainda este Inverno que eu vou poder usar outra coisa que não uma gabardine/quispo/abrigo de chuva para embelezar exteriormente os meus outfits diários.  É que para quem anda muito na rua e tem um arsenal de casacos/sobretudos e um casaco de pêlo novo (tudo muito bom para o frio mas terrível para a chuva) estas coisas têm a sua importância. É isso e o estarmos já em risco de depressão profunda e crónica com tanto cinzento molhado nos nossos diad.

   Não te preocupes em responder,  basta mandares evidências em forma de sol de que ainda mereces ser considerado santo. 

O outro lado da princesa do povo

 

   A Princesa Diana é, provavelmente, uma das maiores figuras da história moderna. Eu não me recordo particularmente da vida dela, até porque nunca me interessaram muito estas histórias de princesas e palácios, mas todos nós julgamos saber de trás para a frente a história de amor infeliz com o Príncipe Carlos (nunca percebi o que uma mulher tão bonita viu nele, para além do facto de ser príncipe e de, para algumas, isso poder significar muito), da Camila e de como todo o mundo parecia venerar esta mulher, a Princesa do Povo, como lhe chamavam, que era tão boa pessoa... como disse, nunca tive opinião formada sobre ela, mas sempre a achei com ar de "sonsa" e com um discurso demasiado "coitadinha" para alguém tão adorado e, aparentemente, cheia de coragem e boas intenções. Era só uma impressãozita que me ficava sempre que a via na televisão ou em revistas...

   O filme "Diana" oferece-nos uma perspectiva da pessoa que a Diana era um pouco diferente da que habitualmente nos têm vendido. Primeiro dá-nos a conhecer uma história de amor por um médico que eu desconhecia completamente e desmistifica completamente o suposto romance com Dody. Mas acima de tudo mostra-nos uma Diana sedutora, manipuladora até, com extrema necessidade de atenção, que implorava amor, que chegava a alertar os fotografos sobre os locais onde se encontrava e com muita dificuldade em deixar de viver (e de ser) como uma princesa.

   Uma perspectiva, cuja fundamentação real não conheço bem, mas que me pareceu muito curiosa e interessante.

«Um Milionário em Lisboa», José Rodrigues dos Santos

 

Baseado em acontecimentos verídicos, Um Milionário em Lisboa conclui a espantosa história iniciada em O Homem de Constantinopla e transporta-nos no percurso da vida do arménio que mudou o mundo - confirmando José Rodrigues dos Santos como um dos maiores narradores da literatura contemporânea. 
Kaloust Sarkisian completa a arquitectura do negócio mundial do petróleo e torna-se o homem mais rico do século. Dividido entre Paris e Londres, cidades em cujas suítes dos hotéis Ritz mantém em permanência uma beldade núbil, dedica-se à arte e torna-se o maior coleccionador do seu tempo. 
Mas o destino interveio. 
O horror da matança dos Arménios na Primeira Guerra Mundial e a hecatombe da Segunda Guerra Mundial levam o milionário arménio a procurar um novo sítio para viver. Após semanas a agonizar sobre a escolha que teria de fazer, é o filho quem lhe apresenta a solução:
Lisboa. 
O homem mais rico do planeta decide viver no bucólico Portugal. O país agita-se, Salazar questiona-se, o mundo do petróleo espanta-se. E a polícia portuguesa prende-o.

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   A conclusão da história de O Homem de Constantinopla, que, apesar de também ter gostado deste segundo livro, me cativou mais. Parece-me que esta segunda parte enrola um pouco mais a história. Ainda assim, gostei e continuo a afirmar que José Rodrigues dos Santos é bem melhor no romance histórico que em qualquer outro tipo de literatura.

Só um mundo de amor pode durar a vida inteira *

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. 
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. 
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas. 
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.  Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? 
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. 
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. 
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.  Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.


Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Expresso'

 

Mais um aninho, mais um jantarzinho

   É já esta semana que a nossa instituição comemora os 50 anos de existência. E apesar de as "comemorações" se estenderam ao longo de todo este ano 2014, o dia de aniversário é esta semana e, por isso, vamos ter "festa de arromba", que é como quem diz, jantar de gala, com direito a palácio e tudo (sim, é mesmo verdade).

   Como todos os jantares deste género, estou zero entusiasmada, não só porque estas formalidades não fazem de todo o meu género, mas também porque ultimamento o meu tempo útil de trabalho real e no terreno tem sido tão pouco (em parte devido precisamente a tantas actividades) que não me consigo entusiasmar com este evento, marcado para sexta-feira à noite.

   A questão da indumentária parece-me que está ultrapassada (parece-me, porque ainda não me decidi a experimentar tudo direitinho para ver se me agrada): optei por um vestido preto da nova coleção da Zara, em neoprene (!!!espanto!!!), num modelo bem simples e completamente "usável" para o dia a dia, que conto conjugar com uns sapatos leopard print (ainda não muito convicta de que vá bater certo), uma clutch dourada e o meu casaco de pelinho novo que aguarda ser estreado nesse dia. Quanto ao resto, o tempo será tanto que não dará sequer para dar um saltinho ao cabeleireiro, de maneira que será tudo home made, que sempre sai mais económico.

   A parte gira disto tudo é que em Maio temos outro jantar do género e eu já só consigo pensar que não ganho para comprar tanto vestido para tanta festa!

"Her" e a solidão

 

   Solidão. É disto que fala este filme. É isto que é este filme.

   Numa época em que vivemos cada vez mais conectados virtualmente mas totalmente desconectados das relações humanas reais, este é um filme que, passado num futuro ainda mais virtual que o nosso presente (está visto que isto tem tendência para piorar), nos mostra que o ser humano vai sempre procurar incansavelmente estabelecer relações com alguém, chegando mesmo a contentar-se com relações virtuais, não-humanas diria mesmo. Relações sem corpo, sem toque, sem cheiro, sem olhos nos olhos, mas com uma voz que nos diz tudo aquilo que nós queremos (ou precisamos de) ouvir. Neste mundo completamente virtual que é o filme e para o qual caminhamos a passos largos e assustadores, perdeu-se a capacidade de estar com o outro real. Tudo está à distância de um chamamento dirigido a uma máquina, o mundo parece uma realidade fácil e as relações assumem uma nova dimensão de "operating system". Relamente, tudo parece fácil. Mas a solidão é tanta, que chega a doer pensar que um dia nós, que hoje somos espectadores, podemos ser as personagens principais de uma realidade que facilmente deixa de ser real de tão virtual que é.

   Solidão. É isso que está neste filme.

   E é isto que vai estar nestas vidas quando deixarmos de abraçar as pessoas para passarmos a abraçar vozes.

 

Nota final: ainda assim, tenho de dizer que este filme não me encheu as medidas...

Desafio para o mês de Fevereiro

   Depois do arrombo financeiro que a época de saldos significou, Fevereiro seguirá, no que a compras diz respeito, uma regra semelhante à que uso na minha alimentação: a regra do "não vem que não tem". Passo a explicar: a melhor forma de não comer porcarias é não ter/comprar porcarias. Se não as tenho não as irei comer. Seguindo a mesma política de restrição, a melhor forma de não gastar dinheiro em roupa é não entrar na loja. Se não as vejo não as irei comprar. Porque às vezes é mesmo difícil resistirmos às tentações, sejam elas quais forem, o melhor é mesmo nem olhar para as tentações.

   Posto isto, em Fevereiro, zero compras.

   Que comece o desafio!

Das frustrações do dia-a-dia

   Por dificuldades financeiras muitas famílias veem-se obrigadas a alterar o seu estilo de vida, situação com a qual nem sempre é fácil lidarem e que nem toda a gente consegue concretizar da forma mais adequada e positiva. No nosso trabalho vamos conhecendo alguns destes casos de dificuldade nestes ajustes a uma nova forma de vida, casos nos quais as pessoas vivem de tal forma presos ao passado e àquilo que já tiveram e perderam que vivem num sofrimento diário constante e com uma rigidez de pensamento e resistência à mudança que nos causam alguma dificuldade de intervenção. Estamos perante pessoas que, não negando que a sua vida financeira mudou, cognitivamente rejeitam determinadas sugestões de alterações de hábitos, sendo igualmente frequente a inadequada gestão financeira e por isso a acumulação de dívidas. O sofrimento emocional destas pessoas é evidente, mas as barreiras psicológicas que os próprios colocam deixam-nos por vezes com sentimentos de impotência por não os conseguirmos ajudar devidamente.

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