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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Não deixes...

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Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco, sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos. Não te deixes vencer pelo desalento. Não permitas que alguém retire o direito de te expressares, que é quase um dever. Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário. Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo. Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta. Somos seres cheios de paixão. A vida é deserto e oásis. Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história. Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua: tu podes tocar uma estrofe. Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre. Walt Whitman

É Portugal!!!

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Cara Europa,

É a primeira vez que peço o livro de reclamações. Uma vez na Worten comprei um desumidificador que não desumidificava mas tive vergonha. Desta vez é mais grave: desconfio ter em mãos um país europeu com defeito.

Foi-me prometido Portugal, um país mediterrâneo com clima simpático mas que, desde que Gil Eanes dobrou o Cabo Bojador, apenas conseguiu estar na bocas do mundo quando um ousado jovem de skate foi trend no 9GAG por gritar Sai da frente Guedes.

Deve ter havido um engano. O resto da Europa está a funcionar normalmente, na mediana: franceses andam entretidos com Le Pen, ingleses andam entretidos com Brexit e espanhóis continuam pouco entretidos por não entrar nas anedotas do português, do inglês e do francês.

Por cá, estamos imparáveis. Somos campeões da Europa de futebol. Temos o melhor jogador do mundo em futebol, futebol de salão, futebol de praia e desconfio que se houvesse futebol de pomar, com duas nespereiras a fazer de baliza, o melhor do mundo também era nosso.

Algo está mal. Desconfio que nos foi dado um país em segunda-mão, porque os exemplos de virtude já não são só com o desporto que se joga com o pé.

Vencemos a Eurovisão. Organizámos o maior evento de empreendedorismo da Europa. O NOS Alive foi eleito um dos melhores festivais da Europa. A Forbes deu um shout-out ao Vhils. Temos faculdades portuguesas a liderar o ranking do Financial Times. Até o pastel de nata, que era só nosso, decidimos exportar para o resto da Europa só para poder dizer que mesmo assim o nosso é que é o melhor da Europa.

Desconfio que temos o país fora-de-prazo. O nosso estado de graça caducava 3 dias depois do pontapé do Eder mas 10 meses depois ainda não tem bolor.

Todos os dias sai mais um artigo no The Guardian a dizer que Lisboa é a cidade mais cool da Europa, que o Porto é o epicentro da cultura, que o Algarve tem os melhores pores-do-sol, por-dos-sóis, pores-dos-sóis e eu continuo sem saber colocar o plural em palavras com hífen.

Não sei como funciona a vossa política de devoluções, mas via com agrado uma troca por Bulgária ou Croácia.

Eu só pedi Portugal, e deram-me por engano o melhor país da Europa. [Texto de Guilherme Geirinhas, publicado no site Informa+]

Áreas de serviço (sim, um post dedicado a elas!)

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Gosto de áreas de serviço. Especialmente quando são sinónimo de férias ou passeio. Gosto de áreas de serviço cheias de gente. Das filas para a casa de banho e para o café. De espreitar as revistas e comprar umas quantas a pensar nos dias que vou passar sem fazer nada. Gosto de espreitar os doces que se vendem e os gelados, apesar de não comer nenhum. Gosto de ver os brinquedos que vendem e as supostas iguarias típicas da zona. Gosto sobretudo de ver as pessoas de sorriso no rosto e de lhes adivinhar o destino, enquanto abrem malas do carro apinhadas de bagagem e lancheiras mais ou menos saudáveis, não fosse viajar com a merenda atras uma característica tão portuguesa. Gosto de lhes ver as roupas leves, o visual descontraído de quem não quer saber de nada, o corpo relaxado pela ausência de compromissos, a mente focada nos quilómetros que faltam para o merecido descanso, seja de uma semana ou de um fim-de-semana apenas. Gosto de áreas de serviço tanto como gosto de aeroportos. Porque são uma espécie de "ponte" entre uma vida de horários e rigidez de compromissos e obrigações e a outra maravilhosa parte da vida que é merecida e que deveria ser permitida viver a toda a gente: a vida que vivemos para ser gozada e aproveitada junto de quem nos faz feliz. Gosto de áreas de serviço. Ponto. E mal posso esperar por poder parar numa, nessa espécie de ponte entre a vida e o melhor da vida.

Na minha cozinha: muffins de pêssego e laranja

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 Vamos precisar de:

  • 2 pêssegos pequenos descascados
  • 1 laranja descascada
  • 3 scoops de farinha de arroz (ou qualquer outra a gosto)
  • 1 c.café de fermento
  • canela a gosto
  • 1 ovo
  • 1/3 chávena de leite magro sem lactose ou bebida vegetal (caso a massa fique demasiado compacta)

E é só fazer assim:

  • Misturar tudo num robô de cozinha; colocar em formas individuais e levar ao forno.

O bem que Salvador Sobral fez ao país

Não vou escrever sobre o Salvador Sobral ou a sua música, afinal gostos não se discutem, música cada um ouve a que gosta e acima de tudo, já chega de posts e mais posts sobre o rapaz e aquilo que ele canta.

Portugal ganhou pela primeira vez o Festival Eurovisão da Canção. Isto é que interessa. Não interessa se foi o Salvador, a Luísa, o Zeca Afonso ou o Quim Barreiros. Foi Portugal quem venceu o Festival Eurovisão da Canção. É a importância deste reconhecimento internacional que importa para um país como o nosso, que apesar de já ter descoberto mundos, vive há demasiados anos na sombra e na pequenez do "só de nós ninguém quer saber".

Portugal tem mostrado ao mundo que existe e que sabe o que faz. Não nos faltam exemplos: temos um nobel da literatura, temos o melhor jogador de futebol (e de futebol de salão) do mundo, fomos campeões da Europa, temos a cidade eleita o melhor destino europeu, temos das melhores praias do mundo, temos cérebros fantásticos a produzir conhecimento, temos Emmys... independentemente dos gostos pessoais ou do fato de considerarmos justo ou não cada título que temos conquistado, o que estes prémios e reconhecimentos nos têm de ensinar é que nós, portugueses, sabemos fazer e sabemos fazer muito bem. O Presidente da República felicitou Salvador Sobral dizendo que "quando somos muito bons, somos os melhores", e eu acrescento que quando somos muito bons e acreditamos no que valemos, fazemos diferente, e somos os melhores. E é só isto que interessa: nós, que não estamos (ou não estavamos!) habituados a ganhar, sabemos ser os melhores.

Salvador Sobral cantou que talvez pudesse amar pelos dois. Eu cá acho que cada conquista de um Português é um forma de amor, não pelos dois, mas por todos nós, portugueses, os melhores em tanto.  

Nós somos assim...

Nós somos assim, cheios de pressa de barrar a manteiga, de dar conselhos, de mudar uma porta de sítio para reconfigurar a geometria doméstica. Como toda a gente, temos planos, e são eles as âncoras que jogamos rente ao futuro, para nos movermos à força de braços para lá. Os mais novos, é claro, têm planos feitos da mesma imprestável merda, mas envernizam-nos com uma camada sonhada de grandiosidade que consiste em chegar a chefe de repartição ou em comprar uma casa maior. Na verdade, todos os sonhos são rídiculos e é o rídiculo que nos move, mas os velhos riem-se dos novoos e os novos riem das crianças , e o riso é ntergeracionalmente estanque, e é isso que mantém o circo a funcionar em continuo, sem que ninguém dê pela marosca e peça o dinheiro de volta ou se converta, interiormente e de forma radical, à anarquia misant´rópica ou ao ateísmo militante.

Autismo, Valério Romão

Ler: Autismo, Valério Romão

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 Trata-se da primeira abordagem literária de um tema que toca cada vez mais gente em Portugal. Este primeiro romance do jovem autor dá-nos a experimentar, de um modo nunca óbvio, o impacto devastador da doença na família, mas também faz um retrato impiedoso da comunidade médica além de abordar, sempre de um modo fortemente literário, as inúmeras consequências do autismo. O romance, com um final inesperado, afirma-se como reflexão dinâmica e até aventurosa sobre a solidão, a impossibilidade de comunicar e o desespero…       

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Mais um daqueles livros que compramos por impulso só pelo título.

Um excelente testemunho sobre o que um diagnóstico de autismo pode fazer a uma família, a uma criança, a um casal, a uma rotina... um testemunho sobretudo duro, por vezes até incompreensível e a roçar o irracional, mas um testemunho que é possível de ser encontrado em quem tem de ultrapassar uma realidade destas.  

Silêncios contemplativos

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Marta era dada a silêncios contemplativos, a momentos nos quais nada cá fora parecia corresponder ao que ela, lá dentro, nutria, apaixonada; durante esse tempo limitava-se a olhar para um sítio imediatamente atrás das coisas que fixava com a retina e deixava que o interior e o exterior, com o tempo, voltassem a harmonizar-se na mesma frequência disposicional.

(Autismo, Valério Romão)

Das coisas que un não percebo (mas até lhes vou dedicar um post!)

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 Calma! Não fujam já! Prometo que este não é mais um post sobre as maravilhas ou desmaravilhas do iogurte mais falado (e quer-me parecer que mais comido! de sempre). De facto, este é um post sobre todos os posts, comentários, textos, publicações e afins que se têm feito por aí numa espécie de movimento "anti-skyr". Até Miguel Esteves Cardoso se deu ao trabalho de lhe dedicar uma crónica pouco simpática e cá para mim quando um escritor que até sabe escrever e dizer umas coisas engraçadas se debruça sobre um iogurte das duas uma: ou a inspiração escasseia, ou este é provavelmente um dos produtos mais inteligentemente colocados no mercado dos últimos tempos!

Se meio mundo adora estes Skyr do céu (belo trocadilho, hein?), a outra metade cai-lhes em cima como se fossem uma espécie de jihadistas dos iogurtes! Que são queijo e não iogurte, que são caros, que é o mesmo que comer quark, que são super sem sabor, que parece que estamos a comer sabonete, que são espessos, que têm adoçantes, que têm proteina a mais, que isto e aquilo e o pior de todos os mundos.

Ora muito bem, para mim a coisa é bem simples: como em tudo na vida alimentar, não gosta não come!!! Fácil assim!! É preciso dizer-mos a todo o mundo que não gostamos e apontar um dedo acusatório a quem os consome e, ainda por cima, gosta do seu sabor?? Mas será este o primeiro alimento de que nem toda a gente gosta??? Nem é preciso responder, certo?

Eu assumo-me consumidora de Skyr. Grande consumidora até. Porquê? Porque gosto, admirem-se só e pasmem-se mais, gosto da versão natural, essa mesmo que sabe a sabonete. Gosto deles porque são espessos, porque são azedos, porque me saciam, e só depois porque têm um significativo aporte proteico. Até podem ser queijo. Chamem-lhe o que quiser. Eu gosto de Skyr e não gosto de queijo nem de sabonetes. Quem não gosta, não compra, não come, mas também não precisa de escrever a cortar na casaca dos pobres coitados dos queijos com pretensão a iogurtes proteicos com sabor a sabonete.

A fama e o excelente marketing já ninguém lhes tira. Afinal, já dizia o povo: falai de mim, bem ou mal, falai de mim...

 

Ir é o melhor remédio: Aveiro

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 Há cerca de 2 semanas, aproveitando a "ponte" do feriado de 25 de Abril, deixamos os homens a trabalhar e fui com a minha mãe passear até Aveiro. Para mim foi um regresso, mas já dizia o ditado que devemos sempre voltar aos locais onde fomos felizes e as terras que visitamos e gostamos são sempre locais onde fomos e seremos sempre felizes.

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Aveiro é uma cidade relativamente pequena e fácil de conhecer num dia apenas. Há quem a chame de "Veneza portuguesa" pela existência dos canais da ria, pelas pontes e pelas barcaças que navegam pela ria. Por isso, andar nos barquinhos é ponto obrigatório numa passagem por Aveiro e é uma excelente forma de termos uma visão da cidade do meio da ria, num passeio de cerca de 45/50 min, quase sempre acompanhado por guias super simpáticos e divertidos.

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Para lá da ria temos as ruazinhas de Aveiro e quem gosta de palminhar cidades e locais sabe que muito do encanto de um lugares está nas suas ruas, nos seus cantinhos, nos seus cafés, nas lojinhas, nas esplanadas, nas igrejas e nas suas gentes. Descobrir ruas é talvez das partes que mais gosto em qualquer passeio. Muito mais que visitar os pontos turísticos, o melhor de cada lugar está naquilo que os guias não mostram e que podemos descobrir pelos nossos próprios pés e olhos!

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Mas porque Aveiro também é praia, não venham embora sem uma paragem nas famosas e adoráveis casinhas às riscas da praia da Costa Nova, uma das zonas balneares mais frequentadas, a par da praia da Barra, mesmo ao ladinho.

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Bons passeios! E já sabem, ir é o melhor remédio!!!!

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