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Férias, com ou sem filhos?

por `Na, em 05.01.11

Angelina Jolie & Brad Pitt

 

   Ouvi alguém suficientemente importante para falar num programa de rádio (!) dizer que nas férias os filhos (pequenos) devem ficar em casa enquanto os pais se estendem relaxados ao sol, ao que uma ouvinte prontamente acrescentou que férias com filhos não são férias e que, por isso, nas próximas a sua filha vai ficar em casa. Ora eu, alguém suficientemente importante para opinar num blog (!!!), não sei muito bem o que pensar sobre isto. Ou se calhar até sei e estou com medo de ser demasiado extremista. Na verdade, acho isso tudo muito bonito e viva aos tempos modernos e à emancipação parental, mas o que me faz cá uma certa confusão é perceber que, para aqueles pais, ainda que por um período de tempo reduzido e limitado e "especial", os seus filhos estão a mais, assim ao jeito de empecilho (peço desculpa aos mais sensíveis). ~

 

   Eu, que de maternidade percebo muito pouco e a quem esqueceram de injectar o espírito maternal, julgo que os filhos são um compromisso para toda a vida e ser pai e mãe não tira férias. Ou os queremos para sempre, 24h por dia, 7 dias por semana, 365 ou 366 dias por ano, ou não vale a pena querer-los.  Na minha definição de "pais" cabe apenas e só a descrição de quem não imagina a vida sem os seus filhos, de quem os filhos nunca estão a mais e de quem está disposto a fazer todos os sacríficios e mais alguns pelos seus filhos. Isso incluirá as férias, que pelos vistos passam a ser um sacríficio quando se lhes acrescentam os miúdos.

 

   Por outro lado, eu percebo aqueles pais. Não preciso de passar pela experiência para calcular que ser pai/mãe é talvez das missões mais difíceis com que o ser humano se depara ao longo da vida. E também não preciso de passar pela experiência para perceber que, em muitos momentos, muitos pais procurarão incansavelmente o botão "pause" que lhes permita voltar à realidade durante uns momentos. Eu até percebo que é possível "cansarmo-nos" de sermos pais. E é por perceber tudo isto que não me vejo nesse papel. Porque percebo o compromisso eterno, as implicações, as mudanças, as exigências e muito mais que ser pai/mãe exige e que eu, pela minha inexperiência, não sou sequer capaz de imaginar.

 

   Já me julgaram egoísta por esta minha posição; ah e coiso e tal, não és capaz de gostar de alguém para além de ti. Eu questiono-me: não será também egoísmo dizer "filho/a, o papá e a mamã vão de férias, goszar como gente grande, e tu ficas aqui, no mesmo sítio de sempre, a fazer as mesmas coisas de sempre e a aborreceres outro alguém que não nós, porque nós precisamos mesmo de férias, mas é de ti" (os mais sensíveis que me desculpem de novo).

 

   Se eu, numa hipótese muito remota, for mãe, vou querer o meu filho (espera-se que seja agraciada e me calhe no ovo Kinder uma menina que goste de vestidos e sapatos de salto alto desde o berço) sempre perto de mim. Durante a semana, em férias ou em fins-de-semana prolongados. Equaciono jantares românticos e fins-de-semana a dois, com a criança em casa dos avós, mas, provavelmente, nunca me iriam ouvir dizer "férias só com a criançada longe". É a pensar nestas e noutras coisas que desde sempre digo: "Eu não idealizo a minha vida com filhos". Egoísmo, falta de dedicação, whatever, atirem-me todas as pedras. A decisão de não ter um filho (também) é um acto de amor. E agora sim, podeis apedrejar-me.

  Mas se me permitis mais uma piquena sugestão antes do sangramento: vivam os vossos filhos, todos os dias.

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publicado às 19:45


2 comentários

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De EK a 06.01.2011 às 07:30

Se entenderem que podem tirar férias da relção conjugal. É tudo de uma hipocrisia absolutamente aterradora.
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De McB a 25.06.2014 às 20:17

Certo...

Mas tens noção do que é não poder ter mais um único dia com um horário como tu queres até a criança ter idade para ficar sozinha em casa? Dedicação e amor significa trocar parte da "boa vida" (vamos supor :)) que se tinha por outra boa vida (bem, nem sempre!): brincadeiras, risadas, vê-los a crescer, a evoluir, fazer os nossos filhos evoluir, etc.

Mas isso não significa que o casal se anule... porque muitas vezes esse espaço... desaparece. Por amor, claro. Mas o desgaste que tal causa muitas vezes leva a rupturas que poderiam ser evitadas.
...e não se gosta menos dos nossos filhos por isso.

Uma noite sem acordar a meio, sem despertador, sem fraldas, sem compromissos... percebes a diferença? Uma noite em que tens uma elevada probabilidade de dormir bem e acordar à hora que te apetece? Não estou a falar de 50% do tempo sem os filhos. Falo de 5 noites em 365, supõe... é 1,37% de um ano.

O facto de amarmos os nossos filhos faz com que não os abandonemos à primeira adversidade. Mas o amor aos nossos filhos não nos dá 4 horas de sono mais àquela noite de 4 horas de sono apenas, não nos dá o vigor à vida conjugal que havia dantes, não nos dá o alento para o desgaste que tal causa. Ajuda a suportar, mas fica-se cansado na mesma. E com o cansaço vem a irritação, começam as discussões e lá se vai a harmonia.

Quanto à decisão de não teres filhos ser egoista, sinceramente, não ligues. Às vezes as pessoas não dizem por mal, mas já ouvi isso no passado e só me dá vontade de dizer "vais criá-los tu por mim, é?".

Só acho que uma situação de tudo ou não não me parece ser a mais adequada, no sentido de "se não és capaz de passar todas as noites da tua vida ao lado dos teus filhos até eles serem »teens», então não tenhas filhos" ser algo demasiado radical; se assim fosse, ias ver o que era uma taxa de natalidade (ainda) mais baixa!

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Sou apaixonada pelas pequenas coisas da vida. Por instantes, momentos, clicks perfeitos, sons, sabores, cheiros e palavras, porque é destas pequenas coisas que a vida é feita. Com tanta roupa e nada para vestir, assumo-me uma fashion victim nunca satisfeita com a imagem ou o estado do meu closet, que entre trapos e trapinhos, tem muitos sonhos e desabafos. Adoro chegar ao final do dia e trocas os saltos altos por umas sapatilhas perfeitas para os meus treinos mais ou menos frequentes. A melhor forma de relaxar? Eu, o gato e um bom livro. E o silêncio. Nada mais que o silêncio, que tantas vezes preciso para acalmar uma mente agitada por todas as histórias de vida que trago cá dentro. Fiel a mim mesma, quem faz parte da minha vida aguenta o meu mau feitio, a minha teimosia, as minhas pieguices, as minhas constantes e inesperadas alterações de humor. Porque seremos sempre uma caixinha de surpresas e segredos, benvindos a um pedacinho da minha vida...

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