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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Solidão justificada sem justificação

  

 

Uma tarde de calor como tantas outras convida a passeios, banhos de sol, esplanadas...uma tarde de sol fica bem mais alegre junto de alguém, longe da solidão. Numa dessas tardes como tantas outras, a vida rola com o seu ritmo normal em mais um Lar da Terceira Idade. Entre um dedo de conversa e outro, os minutos vão passando e parecem horas intermináveis de solidão.

A vontade de dar um pouco de cor aos dias de quem já tanto viveu faz-me perder em conversas ou simplesmente palavras com as vítimas da solidão. Entre um tema e outro, surge a questão: "E os seus netos costumam visitá-la?". As justificações para a resposta negativa sucedem-se, acompanhadas do olhar triste e distante e de palavras que tentam convencer á própria e a mim.  "Entre a faculdade, os hobbies e o namorico não há tempo para cá vir. Eles lá têm a vida deles e o tempo não chega para tudo."

   Será esta uma justificação de ausência válida? Será que na sucessão de 24 horas não é possível "roubar" 30 minutos para visitar uma avô que tanto adora os netos? Custa assim tanto fazer uma pessoa feliz?

   Deparo-me constantemente com solidões justificadas sem justificação. Com solidões forçadas. Não será isto egoísmo para com alguém que deu tudo na vida para criar, educar e preparar para a vida?

   O que são 30 minutos em 24 horas? Não é tempo perdido. É tempo ganho a amar quem nos amou e amará para toda a vida.