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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Histórias com gente dentro

 

   Hoje uma mãe trouxe o seu filho de 16 anos à consulta porque este lhe disse que poderia nutrir sentimentos especiais por um amigo. A mãe discutiu com ele, bateu-lhe, insultou-o e mais uma série de condutas questionáveis. E agora diz que não aceita, que não é capaz de perceber como tal é possível, que o filho está maluco, que lhe arranja uma namorada e até o deixa dormir com ela, que até nem se importa que ele fume, que é impossível e que eu tenho de lhe mudar aqueles sentimentos.

   O filho está terrivelmente magoado com a mãe. Diz que se afastou do suposto amigo para não magoar mais a mãe mas que sente falta dele, que lhe disse aquilo porque confiava nela e porque a queria testar para saber como esta reagiria na eventualidade de realmente aqueles sentimentos um dia mais tarde se confirmarem.

   Este miúdo de 16 anos é capaz de dar a volta a qualquer um com o seu discurso, que denota uma maturidade fora do comum para a idade - apesar de a mãe o descrever como "uma criança ainda". É de ideias fixas, ou pelo menos, tão fixas quanto a idade o permite. E está terrivelmente magoado com a mãe que acusa de "obsessiva e preconceituosa". Se os sentimentos são sérios? Partilhou os seus sentimentos (ou dúvidas?) do momento e o futuro ninguém o sabe.

   Na minha opinião, e percebendo completamente o choque que esta situação significou para aquela mãe, esta cometeu um erro muito grave. Ou dois. Gravíssimos. Agiu de forma a que o filho perdesse toda a confiança em si e falhou quando ele mais precisava (quanto miúdos de 16 anos confiam na mãe ao ponto de partilharem coisas deste género). Provavelmente é uma ferida que nunca sarará por completo. E segundo, obrigou o filho a ir ao psicólogo porque pode gostar de um rapaz. E mais. Tentou obrigar a psicóloga a dizer-lhe que era ele que estava errado e que gostar de rapazes é errado ou pecado ou que o valha.

   Este rapaz provavelmente não vai voltar à consulta. Já a mãe, precisa de muito trabalho psicológico. E social. E de reciclagem de ideias e princípios. E precisa de perceber que errou tanto, mas tanto.

   Desculpem se estou a ser um tanto agressiva, mas fiquei de facto revoltada por saber que esta mãe teve um filho que confiou ao máximo nela e desperdiçou essa oportunidade, essa riqueza, por uma atitude completamente preconceituosa.

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