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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Na solidão da leitura revelam-se

   Os portugueses são um povo com um muito fraco hábito de leitura. Portugal é um dos países da Europa com os mais elevados índices de iliteracia. É também o país em que menos jornais e revistas se vendem (aqui, as revistas ditas do "jet set cor-de-rosa" devem ser as melhores cotadas, dado o elevado grau de interesse dos portugueses pela vida alheia, principalmente se incluir desgraça - "Coitadinhos!!!" - ou se incluir luxo exacerbado - "Grrr, que inveja!!!"), em que as editoras menos editam e vendem e em que, ao viajarmos de comboio, metro ou autocarro, menos pessoas se vêem a ler. 

   As questões económicas poderão até ser consideradas e responsabilizadas, mas não servem de desculpa total, uma vez que, se pensarmos nos telemóveis, por exemplo, cada português terá até mais do que destes aparelhos, bastante mais dispendiosos, na compra e nos gastos inerentes ao seu uso. 

   Ora um livro lido recentemente (e ler vem mesmo a calhar para este post) sugere que os hábitos de leitura pobres dos portugueses poderão estar relacionados com aquilo que é a essência da leitura: um momento em que o indivíduo fica sozinho, em silêncio, perante o objecto de leitura. Precisamente, o acto e o processo de leitura implicam que o indivíduo tenha desenvolvido a capacidade de estar sozinho, de gerir o seu mundo interno e os estímulos do mundo externo, de forma a conquistar uma atitude de disponibilidade que lhe permita envolver-se no processo de leitura, que lhe permitsa desligar-se dos estímulos externos, ficar só consigo para se voltar para uma série de outros mundos para os quais a leitura nos empurra. Estar a sós com um livro convida-nos a uma postura reflexiva e pôe-nos em contacto connosco mesmo. Um contacto que pode ser assustador quando nos encontramos desorganizados e não gostamos do que somos.

   Será que os portugueses não gostam do que lêem ou não gostam do que são?