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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Áreas de serviço (sim, um post dedicado a elas!)

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Gosto de áreas de serviço. Especialmente quando são sinónimo de férias ou passeio. Gosto de áreas de serviço cheias de gente. Das filas para a casa de banho e para o café. De espreitar as revistas e comprar umas quantas a pensar nos dias que vou passar sem fazer nada. Gosto de espreitar os doces que se vendem e os gelados, apesar de não comer nenhum. Gosto de ver os brinquedos que vendem e as supostas iguarias típicas da zona. Gosto sobretudo de ver as pessoas de sorriso no rosto e de lhes adivinhar o destino, enquanto abrem malas do carro apinhadas de bagagem e lancheiras mais ou menos saudáveis, não fosse viajar com a merenda atras uma característica tão portuguesa. Gosto de lhes ver as roupas leves, o visual descontraído de quem não quer saber de nada, o corpo relaxado pela ausência de compromissos, a mente focada nos quilómetros que faltam para o merecido descanso, seja de uma semana ou de um fim-de-semana apenas. Gosto de áreas de serviço tanto como gosto de aeroportos. Porque são uma espécie de "ponte" entre uma vida de horários e rigidez de compromissos e obrigações e a outra maravilhosa parte da vida que é merecida e que deveria ser permitida viver a toda a gente: a vida que vivemos para ser gozada e aproveitada junto de quem nos faz feliz. Gosto de áreas de serviço. Ponto. E mal posso esperar por poder parar numa, nessa espécie de ponte entre a vida e o melhor da vida.

Na minha cozinha: muffins de pêssego e laranja

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 Vamos precisar de:

  • 2 pêssegos pequenos descascados
  • 1 laranja descascada
  • 3 scoops de farinha de arroz (ou qualquer outra a gosto)
  • 1 c.café de fermento
  • canela a gosto
  • 1 ovo
  • 1/3 chávena de leite magro sem lactose ou bebida vegetal (caso a massa fique demasiado compacta)

E é só fazer assim:

  • Misturar tudo num robô de cozinha; colocar em formas individuais e levar ao forno.

O bem que Salvador Sobral fez ao país

Não vou escrever sobre o Salvador Sobral ou a sua música, afinal gostos não se discutem, música cada um ouve a que gosta e acima de tudo, já chega de posts e mais posts sobre o rapaz e aquilo que ele canta.

Portugal ganhou pela primeira vez o Festival Eurovisão da Canção. Isto é que interessa. Não interessa se foi o Salvador, a Luísa, o Zeca Afonso ou o Quim Barreiros. Foi Portugal quem venceu o Festival Eurovisão da Canção. É a importância deste reconhecimento internacional que importa para um país como o nosso, que apesar de já ter descoberto mundos, vive há demasiados anos na sombra e na pequenez do "só de nós ninguém quer saber".

Portugal tem mostrado ao mundo que existe e que sabe o que faz. Não nos faltam exemplos: temos um nobel da literatura, temos o melhor jogador de futebol (e de futebol de salão) do mundo, fomos campeões da Europa, temos a cidade eleita o melhor destino europeu, temos das melhores praias do mundo, temos cérebros fantásticos a produzir conhecimento, temos Emmys... independentemente dos gostos pessoais ou do fato de considerarmos justo ou não cada título que temos conquistado, o que estes prémios e reconhecimentos nos têm de ensinar é que nós, portugueses, sabemos fazer e sabemos fazer muito bem. O Presidente da República felicitou Salvador Sobral dizendo que "quando somos muito bons, somos os melhores", e eu acrescento que quando somos muito bons e acreditamos no que valemos, fazemos diferente, e somos os melhores. E é só isto que interessa: nós, que não estamos (ou não estavamos!) habituados a ganhar, sabemos ser os melhores.

Salvador Sobral cantou que talvez pudesse amar pelos dois. Eu cá acho que cada conquista de um Português é um forma de amor, não pelos dois, mas por todos nós, portugueses, os melhores em tanto.  

Nós somos assim...

Nós somos assim, cheios de pressa de barrar a manteiga, de dar conselhos, de mudar uma porta de sítio para reconfigurar a geometria doméstica. Como toda a gente, temos planos, e são eles as âncoras que jogamos rente ao futuro, para nos movermos à força de braços para lá. Os mais novos, é claro, têm planos feitos da mesma imprestável merda, mas envernizam-nos com uma camada sonhada de grandiosidade que consiste em chegar a chefe de repartição ou em comprar uma casa maior. Na verdade, todos os sonhos são rídiculos e é o rídiculo que nos move, mas os velhos riem-se dos novoos e os novos riem das crianças , e o riso é ntergeracionalmente estanque, e é isso que mantém o circo a funcionar em continuo, sem que ninguém dê pela marosca e peça o dinheiro de volta ou se converta, interiormente e de forma radical, à anarquia misant´rópica ou ao ateísmo militante.

Autismo, Valério Romão

Ler: Autismo, Valério Romão

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 Trata-se da primeira abordagem literária de um tema que toca cada vez mais gente em Portugal. Este primeiro romance do jovem autor dá-nos a experimentar, de um modo nunca óbvio, o impacto devastador da doença na família, mas também faz um retrato impiedoso da comunidade médica além de abordar, sempre de um modo fortemente literário, as inúmeras consequências do autismo. O romance, com um final inesperado, afirma-se como reflexão dinâmica e até aventurosa sobre a solidão, a impossibilidade de comunicar e o desespero…       

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Mais um daqueles livros que compramos por impulso só pelo título.

Um excelente testemunho sobre o que um diagnóstico de autismo pode fazer a uma família, a uma criança, a um casal, a uma rotina... um testemunho sobretudo duro, por vezes até incompreensível e a roçar o irracional, mas um testemunho que é possível de ser encontrado em quem tem de ultrapassar uma realidade destas.  

Silêncios contemplativos

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Marta era dada a silêncios contemplativos, a momentos nos quais nada cá fora parecia corresponder ao que ela, lá dentro, nutria, apaixonada; durante esse tempo limitava-se a olhar para um sítio imediatamente atrás das coisas que fixava com a retina e deixava que o interior e o exterior, com o tempo, voltassem a harmonizar-se na mesma frequência disposicional.

(Autismo, Valério Romão)

Das coisas que un não percebo (mas até lhes vou dedicar um post!)

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 Calma! Não fujam já! Prometo que este não é mais um post sobre as maravilhas ou desmaravilhas do iogurte mais falado (e quer-me parecer que mais comido! de sempre). De facto, este é um post sobre todos os posts, comentários, textos, publicações e afins que se têm feito por aí numa espécie de movimento "anti-skyr". Até Miguel Esteves Cardoso se deu ao trabalho de lhe dedicar uma crónica pouco simpática e cá para mim quando um escritor que até sabe escrever e dizer umas coisas engraçadas se debruça sobre um iogurte das duas uma: ou a inspiração escasseia, ou este é provavelmente um dos produtos mais inteligentemente colocados no mercado dos últimos tempos!

Se meio mundo adora estes Skyr do céu (belo trocadilho, hein?), a outra metade cai-lhes em cima como se fossem uma espécie de jihadistas dos iogurtes! Que são queijo e não iogurte, que são caros, que é o mesmo que comer quark, que são super sem sabor, que parece que estamos a comer sabonete, que são espessos, que têm adoçantes, que têm proteina a mais, que isto e aquilo e o pior de todos os mundos.

Ora muito bem, para mim a coisa é bem simples: como em tudo na vida alimentar, não gosta não come!!! Fácil assim!! É preciso dizer-mos a todo o mundo que não gostamos e apontar um dedo acusatório a quem os consome e, ainda por cima, gosta do seu sabor?? Mas será este o primeiro alimento de que nem toda a gente gosta??? Nem é preciso responder, certo?

Eu assumo-me consumidora de Skyr. Grande consumidora até. Porquê? Porque gosto, admirem-se só e pasmem-se mais, gosto da versão natural, essa mesmo que sabe a sabonete. Gosto deles porque são espessos, porque são azedos, porque me saciam, e só depois porque têm um significativo aporte proteico. Até podem ser queijo. Chamem-lhe o que quiser. Eu gosto de Skyr e não gosto de queijo nem de sabonetes. Quem não gosta, não compra, não come, mas também não precisa de escrever a cortar na casaca dos pobres coitados dos queijos com pretensão a iogurtes proteicos com sabor a sabonete.

A fama e o excelente marketing já ninguém lhes tira. Afinal, já dizia o povo: falai de mim, bem ou mal, falai de mim...

 

Ir é o melhor remédio: Aveiro

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 Há cerca de 2 semanas, aproveitando a "ponte" do feriado de 25 de Abril, deixamos os homens a trabalhar e fui com a minha mãe passear até Aveiro. Para mim foi um regresso, mas já dizia o ditado que devemos sempre voltar aos locais onde fomos felizes e as terras que visitamos e gostamos são sempre locais onde fomos e seremos sempre felizes.

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Aveiro é uma cidade relativamente pequena e fácil de conhecer num dia apenas. Há quem a chame de "Veneza portuguesa" pela existência dos canais da ria, pelas pontes e pelas barcaças que navegam pela ria. Por isso, andar nos barquinhos é ponto obrigatório numa passagem por Aveiro e é uma excelente forma de termos uma visão da cidade do meio da ria, num passeio de cerca de 45/50 min, quase sempre acompanhado por guias super simpáticos e divertidos.

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Para lá da ria temos as ruazinhas de Aveiro e quem gosta de palminhar cidades e locais sabe que muito do encanto de um lugares está nas suas ruas, nos seus cantinhos, nos seus cafés, nas lojinhas, nas esplanadas, nas igrejas e nas suas gentes. Descobrir ruas é talvez das partes que mais gosto em qualquer passeio. Muito mais que visitar os pontos turísticos, o melhor de cada lugar está naquilo que os guias não mostram e que podemos descobrir pelos nossos próprios pés e olhos!

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Mas porque Aveiro também é praia, não venham embora sem uma paragem nas famosas e adoráveis casinhas às riscas da praia da Costa Nova, uma das zonas balneares mais frequentadas, a par da praia da Barra, mesmo ao ladinho.

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Bons passeios! E já sabem, ir é o melhor remédio!!!!

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Liberdade

 

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  Nós, que crescemos e vivemos num tempo livre e muitas vezes até sem regras, esquecemo-nos demasiadas vezes do quão importante é essa coisa chamada liberdade, em qualquer uma das suas vertentes. Da liberdade de expressão à liberdade de pensamento e acção, importa não esquecer os sortudos que somos por podermos escolher a vida que queremos viver, a história que queremos contar. Mais do que homenagear ou lembrar quem lutou pela nossa liberdade, foquemo-nos em fazer essa luta valer a pena, todos os dias, para cada um de nós. Viver uma vida plena e que faça jus à nossa essência é a melhor forma de o fazermos. Aproveitar esta passagem por cá para espalhar coisas boas e fazer o bem, porque também somos livres no amor e na pegada afetiva que deixamos no mundo. A liberdade dos sentimentos e dos afetos é talvez dos maiores tesouros que possuimos, por isso, de que estamos à espera para amar a liberdade com amor, pela vida, pelos nossos, pelos outros e, acima de tudo, por nós?

   Que na vossa vida haja sempre liberdade para serem felizes!

Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.

(Simone de Beauvoir)

 

Ler: Rapariga em Guerra, Sara Novic

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 Uma saga de guerra, um relato da passagem à idade adulta, uma história de amor e de memória, Rapariga em Guerra percorre todas estas facetas e revela-se um romance de estreia ao mesmo tempo perturbador e cheio de esperança, escrito com a força da verdade. Zagreb, 1991. Ana Juric é uma menina de dez anos com um espírito descontraído, que vive com a sua família na capital da Croácia. Mas, nesse ano, a Jugoslávia é abalada pela guerra civil, destruindo a infância idílica de Ana. A paz do dia a dia é manchada pelo racionamento, pelos constantes raids aéreos e os jogos de futebol são substituídos pelo fogo das armas. Os vizinhos começam a desconfiar uns dos outros e a sensação de segurança começa a desvanecer-se. Quando a guerra lhe bate à porta, Ana tem de encontrar um novo caminho num mundo perigoso.

Nova Iorque, 2001. Ana é agora uma estudante universitária em Manhattan. Apesar de todas as tentativas para deixar o passado para trás, não consegue escapar às recordações de guerra e aos segredos que guarda até dos que lhe são mais próximos. Perseguida pelos acontecimentos que lhe roubaram a família para sempre, regressa à Croácia depois de uma década de ausência, na esperança de fazer as pazes com o lugar a que um dia chamou casa. Enquanto enfrenta o passado, procura reconciliar-se com a história difícil do seu país e com os acontecimentos que lhe interromperam a infância, há tantos anos. Avançando e recuando no tempo, este livro é um retrato franco e generoso de um país devastado pela guerra, mostrando-nos, com uma escrita brilhante, a impossibilidade de separar a história de um país e a história do indivíduo.

Sara Novic revela destemidamente o impacto da guerra numa menina e o seu legado em todos nós. É a estreia de uma escritora que olhou para o passado recente e encontrou uma história que ressoa ainda hoje.

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   A sinopse deste livro já diz quase tudo o que podemos esperar. É um livro de guerra, mais um livro sobre a guerra, se assim o preferirmos, que é um tema que se me agradou, apesar de começar a cansar um pouco. Este, felizmente, foge à habitual 1ª e 2ª guerras mundiais, o que é o seu principal ponto positivo. De resto, é um livro simples e previsível: guerra, crianças perdidas, familias separadas, morte, partidas, traumas e regressos.