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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Ainda vestimos a camisola?

   A semana passada estive num congresso (boring!) sobre solidariedade social e outras temáticas relacionadas com a dinâmica das IPSS, onde um dos oradores referiu que actualmente já ninguém "veste a camisola" da instituição onde trabalha, pois esta foi substituída por um colete de forças. Provavelmente das maiores verdades que ouvi nos últimos tempos. 

   É verdade que nos últimos tempos as entidades patronais pressionam de tal forma os seus colaboradores que poucos são os que conseguem vestir, orgulhosamente, a camisola. Mascarados com a desculpa da crise e o fantasma do desemprego, muitas chefias incutem nos colaboradores um espírito de total anulação da sua vida pessoal, em prol do sucesso profissional ou das conveniências da empresa/instituição. De repente, parece que quem não trabalhar para além do horário não é bom colaborador e que casar, engravidar ou adoecer é sinónimo de irresponsabilidade ou malandrice. Parece que de repente todos nos querem tirar o direito à vida pessoal e todos temos medo de impôr a nossa posição. Fazemos o que nos mandam, tudo o que nos mandam, porque temos receio de perder o emprego e vivemos com aquela sombra do "daqui a um mês acaba o meu contrato" ou "já vamos ouvir" ou "tem de ser senão ele (chefe!) cai em cima de nós" ou...ou...ou... 

   Para muita gente, trabalhar deixou de ser um prazer. Até para muitos daqueles que gostavam verdadeiramente do que faziam. Não é tanto uma questão de já não gostarmos do que fazemos, mas antes o estarmos sujeitos a uma pressão diária tal, que chega a roçar o receio e o medo, o que é lamentável e vergonhoso, que muitas vezes nos esquecemos das coisas boas do nosso trabalho (para além do simples facto de estarmos a trabalhar!) e de como somos bons naquilo que fazemos.

   É verdade que hoje em dia é difícil vestirmos a camisola. E o motivo é simples. Não vestimos a camisola, porque quem nos chefia são os primeiros a atirar com a camisola ao chão, a esquecer todos os valores subjacentes ao nosso trabalho e, acima de tudo, a esquecer que boas equipas têm sempre bons líderes e que as questões emocionais e afectivas, o bem-estar subjectivo e individual, são os pilares fundamentais de qualquer bom desempenho.