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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Casais sem filhos e felizes, são cada vez mais

 revista Sábado de há duas semanas fez um artigo bastante interessante acerca deste novo "fenómeno" (que não acredito que seja uma tendência ou moda, mas sim um reflexo dos tempos e das mentalidades) dos casais que não querem ter filhos. Identificação total da minha parte, como seria de esperar! 

   Escreve-se assim a dada altura: Não havendo Euromilhões, preferem manter a vida que têm. Imprópria para crianças. Rita está no ginásio às 7h, Ricardo começa a correr às 7h30 – todos os dias; aos fins-de-semana tanto podem acordar às 12h para tomar o pequeno-almoço e almoçar às 16h, como nem sequer almoçar, ou fazer seis quilómetros a pé de Campo de Ourique ao Restelo – para comer os famosos croissants do Careca. Nunca tiram férias nem viajam em Agosto, ou na Páscoa (porque é mais caro), mas viajam todos os anos; não têm almoços de domingo ou dias fixos para ver a família, e no Verão, “à hora do cancro”, estão quase sempre na praia (...)Tal como os passeios a pé que fazem juntos, depois do jantar, ou as saídas de bicicleta quando lhes apetece, ao ritmo que querem. Comentário mais comum dos amigos com filhos (de quase todos): “Vocês não têm olheiras!” Tradução: não há miúdos a acordá-los às 7h da manhã. 

   Parece que ainda somos poucos, os casais que afirmar não quererem ter filhos (cerca de 8%), mas na última década o número de casais sem filhos aumentou significativamente. Maioritariamente parecem ser as mulheres quem ditam a tendência e as regras e somos cada vez mais as que dizemos "filhos não", sendo um fenómeno significativamente superior em mulheres instruídas e ao que parece mais inteligentes. Em termos de relacionamento conjugal, as coisas parecem correr bem para os casais que vivem um para o outro.  Depois de ouvirem cinco mil pessoas, investigadores da britânica Open University concluíram que os casais sem filhos se sentem mais valorizados, dedicam mais tempo a manter a relação, conversam de forma mais aberta, apoiam mais o parceiro e dizem mais vezes “amo-te”. E no caso dos homens, a probabilidade de se sentirem insatisfeitos com a vida sexual é duas vezes menor. Os níveis de stress também são mais baixos, diz Catarina Mexia. Por várias razões: “Têm mais tempo para eles e para o casal, responsabilidades financeiras mais baixas e uma gestão mais previsível das poupanças.”

  Já sei que muitos vão continuar a apontar o dedo do egoísmo a todos aqueles que, como eu, gritam bem alto que não querem ter filhos. É certo que não asseguramos a propagação e continuação da espécie, como há dias um colega de trabalho me dizia, mas eu acredito que a nossa passagem por esta vida e a nossa essência enquanto humanos é muito mais do que gerar uma nova vida e dar continuidade à espécie. Para mim, a minha vida tem de ser vivida da forma que me faz feliz, pois só assim é que esta passagem vale a pena. E estas coisas da felicidade são sempre muito subjectivas e completamente pessoais e intransmissíveis. É por isso que eu acredito que é possível ser-se muito feliz sem filhos, desde que seja isso que o nosso coração dite. 

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