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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

E eles, com que sonharão?

   Mais uma morte que nos vem mostrar que isto de ser famoso, rico, mundialmente conhecido e ter o mundo aos nossos pés não é propriamente um ideal de felicidade.

   Não é preciso reflectirmos muito para nos darmos conta do assustador número de "famosos" que acabam a vida cedo demais. Ou acabam com a vida, que será a expressão mais correcta a aplicar. Abuso de substâncias, álcool, depressão, perturbação bipolar... as "desculpas" são sempre as mesmas e deixam-nos a pensar que a vida pode realmente dar-nos tudo, tudo, mas que para quem tem tudo e tudo a vida nem sempre é feita de sorrisos e gargalhadas, ainda que seja essa a nossa especialidade.

   A pressão e exposição a que estas pessoas estão sujeitas pode ser de uma violência brutal e humanamente intolerável. É certo que nem todos somos iguais e muitos desses "famosos" conseguirão gerir essa relação pressão-exposição de uma forma adaptativa e saudável. Mas para além do constante risco de se desviarem do caminho certo que a facilidade com que tudo lhes é acessível comporta, é preciso uma estrutura psicológica digna de prémio nobel para enfrentar uma vida de holofotes e olhos postos em nós. Eu, que tenho muitos dias em que as 7 ou 8 horas de trabalho em constante contacto humano e cheia de solicitações, chego ao final do dia saturada de tanta necessidade de estar em estado de alerta e só quero o sossego e o isolamento do meu lar, consigo facilmente perceber que não poder dar um passo sem que o mundo repare de que cor são os meus botões será provavelmente das formas mais desgastantes de viver. E se eu tenho dinheiro e me é fácil conseguir drogas e álcool, também me é ainda mais fácil usá-los como refúgio para aquilo que eu não posso ser ou para aquilo com que eu não sei lidar. E com a ajuda destas substâncias ou não, se eu tenho o mundo às costas, o mundo que me pede nada menos que a perfeição, é-me facílimo conhecer o monstro da depressão, porque a minha vida é anulada e muitas vezes substituida pela vida que vende, pela vida que os agentes querem, as revistas gostam e o público pede.

   As vidas destes famosos parecem-nos sempre perfeitas. Mas quando perdemos a conta aos casos de vidas que acabam em suicído devemos parar para pensar que se calhar estas pessoas sonham com vidas...como as nossas.

   Que descansem em paz.