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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

FOMO

   «Aqui para nós, que ninguém nos ouve, tenho a sensação de que o nosso mundinho anda histérico. Quando digo "o nosso mundinho", quero dizer a mediania da sociedade urbana, falida ou apenas remediada, que ainda assim não dispensa o smartphone, a ligação permanente à net, as redes sociais (...)»

 

   Foi ao ler um artigo de opinião de Pedro Rolo Duarte na revista LuxWoman de Março que pela primeira vez ouvi falar deste conceito ou expressão, que achei interessantíssima e completamente adequada aos dias de hoje. Então, FOMO significa "fear of missing out" e refere-se ao medo de estar a perder qualquer coisa online, o medo de estar fora da rede ou simplesmente de estar out. Basicamente, a ideia é a de que actualmente a maioria dos seres humanos não é capaz de estar num local "sem rede", sem qualquer acesso a tecnologias que lhe permitam sair do seu mundo e entrar no mundo (virtual) dos outros, como se assim estivessem a perder algo absolutamente relevante e fundamental.

   Loucura? Não me parece. Parece-me sim um termo e uma ideia completamente pertinentes e ao mesmo tempo preocupantes. FOMO poderá mesmo tornar-se uma nova espécie de patologia dos tempos modernos, porque a realidade é que nos tornamos cada vez mais dependentes de qualquer coisa que nos ponha em contacto (virtual) com algo, seja esse algo uma pessoa, um pedido de amizade, um like, um comentário, um post, uma fotografia...ou o que quer que seja que nos mostre que (ainda que virtualmente) não estamos sozinhos no mundo...

   E para resumir esta epidemia de FOMO, nada melhor do que isto:

«Haver quem se tenha dado ao trabalho de criar uma sigla que traduz Fear of Missing Out diz muito sobre o mundo a que chegámos. Saudável não é. Civilizado, menos. Dependente, muito. Preso? Absolutamente. Não são eles, os condenados em tribunal - somos nós, os livres, que estamos afinal presos a uma pulseira electrónica. Amarrada às nossas vidas. Poderia haver maior paradoxo e, ao mesmo tempo, melhor imagem do tempo que vivemos?».

   Eu acho que não. Vale a pena desligarmo-nos por uns instantes para pensarmos nisto...