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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Histórias com gente dentro

   Parece que hoje em dia é prática comum enviar doentes terminais para casa. Pessoalmente não acho a melhor das soluções. Não só porque pelo estado em que as pessoas se encontram poderá exigir determinados cuidados mais ou menos urgentes que em casa não se poderão prestar de forma tão eficiente, porque parece que nada é suficiente para aliviar o sofrimento da pessoa e porque para quem cuida da pessoa o sofrimento parece ser mil vezes superior, pela sensação de impotência e de que não estão a ajudar em nada os seus familiares. 

   Nestes casos, é comum alguns familiares desabafarem um envergonhado e temido "mas porquê que deus nao se lembra dela e não o leva?", seguido de sentimentos de remorso incríveis e mil e um pedidos de desculpa por tamanho egoísmo.  E é aqui que nós,  que somos profissionais, mas acima de tudo que somos seres humanos capazes de avaliar aquela situação de forma isenta e sem emoções à mistura, devemos ter a coragem e a dignidade de lhes dizermos e explicarmos que colocar essa questão ou fazer esse pedido não é nunca um manifestação de egoísmo,  mas acima de tudo e sempre um dos maiores sinais de amor e respeito pela dignidade humana. Porque quem ama os seus só pode preferir vê-los partir mas sabê-los em paz, do que tê-lospor perto numa condição de sofrimento e dor que poderá ser tudo menos viver.