Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

«Índice Médio de Felicidade», David Machado

indice-medio-de-felicidade.jpg

Daniel tinha um plano, uma espécie de diário do futuro, escrito num caderno. Às vezes voltava atrás para corrigir pequenas coisas, mas, ainda assim, a vida parecia fácil - e a felicidade também. De repente, porém, tudo se complicou: Portugal entrou em colapso e Daniel perdeu o emprego, deixando de poder pagar a prestação da casa; a mulher, também desempregada, foi-se embora com os filhos à procura de melhores oportunidades; os seus dois melhores amigos encontram-se ausentes: um, Xavier, está trancado em casa há doze anos, obcecado com as estatísticas e profundamente deprimido com o facto de o site que criaram para as pessoas se entreajudarem se ter revelado um completo fracasso; o outro, Almodôvar, foi preso numa tentativa desesperada de remendar a vida. Quando pensa nos seus filhos e no filho de Almodôvar, Daniel procura perceber que tipo de esperança resta às gerações que se lhe seguem. E não quer desistir. Apesar dos escombros em que se transformou a sua vida, a sua vontade de refazer tudo parece inabalável. Porque, sem futuro, o presente não faz sentido.
Índice Médio de Felicidade é um romance admirável e extremamente actual sobre um optimista que luta até ao fim pela sua vida e pela felicidade daqueles que ama. Dramático e realista, mas com momentos hilariantes, confirma o talento de David Machado como um dos melhores ficcionistas da sua geração.
_________________________________________________________
   David Machado era-me totalmente desconhecido. Aquando do lançamento deste seu último livro, numa reportagem televisiva, o título chamou-me à atenção e fiquei curiosa. Entretanto muito livro me foi passando pelas mãos, até que na feira do livro deste ano ele estava em destaque numa zona bem visível. Era a altura ideal para o comprar. Li-o em 5 dias, entre os bocadinhos da hora de almoço e os bocadinhos antes de adormecer. É um livro um tanto depressivo, cinzento apesar da capa amarela. Um relato por vezes estranho do que esta famosa "crise" pode fazer à mais comum e ideal vida. Julgo que pode ser exagerado em alguns momentos, "ir longe demais", mas o facto é que o desespero leva a atitudes que vão igualmente "longe demais". Mas não deixa de haver esperança e sobretudo luta, muita luta. Afinal, é disso que estes dias são feitos. Luta. Em busca da nossa felicidade. Seja ela qual, ou quanto, for.