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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Living in a lie

   Hoje no regresso a casa pus Guano Apes a tocar no carro. Guano Apes foi talvez a banda por que mais viciei até hoje. A minha adolescência foi passada, entre outros, ao som de Guano Apes, mais do que qualquer outra banda e isto poderá bem ter sido o máximo da minha rebeldia nessa fase, juntamente com as calças da Resina (quem não usou?) e a barriga à mostra (é um facto, sempre adorei a minha barriga!).

   Hoje, ao voltar a ouvir esta banda fiz um throwback de muitos anos (e só o facto de escrever "de muitos anos" é suficientemente assustador). Há 15 anos atrás ou mais, que planos faria eu? Que sonhos teria? Que objectivos de vida? SInceramente não me lembro muito bem do que, nessa altura, esperava que fosse o meu futuro, mas decididamente recordo-me de ser uma sonhadora, como qualquer adolescente, e de acreditar que (praticamente) qualquer coisa era possível. É neste sentido que a adolescência é uma espécie de "living in a lie": vivemos tudo intensamente, acreditamos que somos donos deste mundo e de outro qualquer, apaixonamo-nos loucamente por pessoas, coisas e momentos, damo-nos demasiado facilmente, sofremos exageradamente por coisas que hoje nem recordamos, não compreendemos metade da vida e queremos mudar a outra metade e sonhamos, sonhamos muito, muito mesmo, sonhamos e acreditamos que o que sonhamos vai mesmo acontecer. Mas depois o tempo passa e nós crescemos e a vida faz-nos muito mais do que nós nos fazemos à vida. E tudo muda. E tudo é um "abre-olhos". E tudo passa. E muito se esquece. Até que percebemos que a vida real não é nada daquilo que sonhavamos ou idealizavamos ao som de uma banda rock mais ou menos agressiva e com letras de músicas que parecem sempre escritas a pensar em nós. 

   Na adolescência, o que ontem era a maior das verdades hoje é a mais pura das mentiras. Hoje é, amanhã acaba. A adolescência é isto. E é isto muito rápido, por isso é que deve ser vivida com a mesma intensidade com que fazemos um treino de HIIT. Tal como durante estes treinos, muitas vezes sentimos que não somos capazes de continuar, que chegamos ao nosso limite e que só queremos que o tempo passe a correr para tudo terminar. Mas, tal como nestes treinos, no final sentimo-nos como se tivessemos levado uma coça das boas e que simplesmente não queremos voltar aquele lugar, porque não somos capazes de resistir a outra coça igual. Mas a verdade é que voltamos uma e outra vez, porque queremos voltar, porque gostamos de voltar e porque, afinal, somos capazes de aguentar aquela coça e muitas mais iguais ou piores, até nos tornarmos mais fortes e mais fortes e mais fortes...até crescermos, nos tornarmos adultos e percebermos finalmente que na vida tudo tem um momento certo para acontecer e a adolescência é isso mesmo: um momento que tem mesmo de acontecer. 

 

 

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