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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O caso José Sócrates - do outro lado

   Eu não tenho qualquer interesse político em José Socrates ou qualquer outro politico ou politica. Na verdade, politica é daqueles assuntos que me passa completamente ao lado. Este filme todo à volta da prisão de José Socrates passou-me pelo mesmo lado que todos os outros, quanto mais não fosse porque temos uma televisão que nos martiriza com estes acontecimentos, ao ponto de já não sermos sequer capazes de olhar para um comando.

   No entanto, o que não me passa ao lado é a forma como o povo português tem lidado com esta situação. E o que é nós temos? Sátira e mais sátira, gozo e comentários que vão desde o "bem feito" até aos mordazes "devia era apodrecer na cadeia". Por todas as redes sociais ou meios de comunicação social há alguém (muitos alguéns!) capazes de fazer uma piada com a prisão de José Sócrates. O que está aqui em causa não é a culpa ou inocência do senhor. Se realmente é culpado e eu até acredito que sim, já que a justiça portuguesa não se iria atrever a prender alguém tão mediático sem provas seguras, tem de pagar pelo que fez. O que me faz confusão é a capacidade dos portugueses se alhearem de tudo o que está à volta. José Sócrates é culpado, roubou, deixou o país na miséria e agora toma lá uma carrada de insultos que bem mereces. E a família de José Sócrates, será que merece? Alguma vez o povo que o pôs no poder e que o deitou abaixo pensará que por detrás do aldrabão há uma pessoa com pessoas à volta que gostam dele? Que estarão provavelmente a sofrer nesta altura com tudo isto e a sofrer duplamente: por um lado a desilusão, a dor, a mágoa, a incompreensão, o sei lá que mais que lhes passará pela cabeça por terem descoberto que o pai, o filho, o sobrinho, o amigo, poderá ser culpado de vários crimes e por outro a revolta e a dor, talvez maior que a anterior, por todo o circo que se montou à volta de uma situação que de cómica não tem nada.

   É apenas isto que me faz pensar no caso José Sócrates: a desumanidade com que os portugueses lidam com ele. E a facilidade com que, mais uma vez, se esquecem da pessoa e das pessoas por detrás do "monstro".