Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O desmaio de um homem

 

 

    É provavelmente a notícia do dia: Cavaco Silva sentiu-se mal em pleno discurso do 10 de Junho.

   Não é o facto de estarmos a falar do Presidente da República que quase caia para o lado em direto para todo o país que torna este acontecimente digno de referência. O que merece destaque, lamentável destaque, é o facto de termos um ser humano em síncope, independentemente de ser conhecido ou não, e de ao mesmo tempo termos todo um povo em protesto e reclamação, direito que lhes assiste, é certo, que não manifesta qualquer tipo de empatia pela ao ver um semelhante, que também por acaso até já entra na lista de pessoa idosa e de risco, numa situação no mínimo desagradável e incómoda e, quem saberia, até grave.

   E grave é esta reacção do povo ali presente, que quero acreditar não era representativo do povo deste nosso país. Porque se o nosso país é habitado por seres humanos incapazes de respeitar o sofrimento de outro ser humano, então este é, definitivamente, um país de alma perdida.

   Deixo-vos as palavras de Nuno Costa Santos, na versão online da Revista Sábado. Não podia concordar mais.

«Chegámos ao ponto em que um homem que desmaia, que desfalece, não merece um instante senão de empatia pelo menos de silêncio. Nem sequer vou falar do facto de ter sido eleito por voto da maioria. Vou apenas referir que é um ser de carne e osso e que, mesmo desafinado, também tem um coração.
Um homem é um homem é um homem. Abra-se os olhos. Quem cai, mesmo que seja um adversário, não merece um pontapé verbal, uma risada de escárnio, vinda do alto de uma janela. Merece a espera necessária a que se recomponha para voltar a ser rebatido. Não contem comigo para a festa do desmaio dos outros. O cinismo é uma ditadura do espírito. O cinismo é um desmaio das ideias.»

   Dá que pensar...