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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O nosso legado

"Passei a vida inteira a pensar que a imortalidade era possível. Relacionei-me com meninas jovens para lhes extrair a vitalidade e prolongar a minha juventude, fiz ginástica sueca e um longo passeio tpdas as manhãs, tomei todos os dias banho em água gelada, até tudo o que comia era devidamente pensado e pesado, a cada refeição só comia não sei quantos gramas de iogurte e de fruta e de peixe e de tudo o mais que me prolongasse a vida. Quis fazer da minha própria existência qualquer coisa de único...sei lá, uma obra de arte. (...) Tudo isto para quê? (...) Para estar aqui deitado a vê-lo tirar-me a urina porque já nem a maldita da minha bexiga consigo controlar...

(...)

Deixe-me explicar-lhe uma coisa, senhor Sarkasian, (...) É preciso que o senhor saiba que não finais felizes. Se a vida fosse um rosto a sua expressão seria de tristeza. Desenhou um arco no ar. Começamos cá em baixo, subimos na vida, atingimos um pico em que estamos na plenitude das nossas capacidades e principiamos a descer, primeiro devagar e depois mais e mais depressa, até terminarmos de novo cá em baixo, como a curva de uma boca triste na cara de uma pessoa. A vida é isso.

Então para que aqui estamos, doutor? Porque vivemos?

Não tenho resposta para essa pergunta (...) O que importa talvez seja o que fazemos enquanto cá estamos e o que deixamos aos que cá ficam. Não vivemos para morrer, vivemos para fazer algo que perdure. Talvez o verdadeiro sentido da nossa existência esteja no nosso legado."

«Um milionário em Lisboa», José Rodrigues dos Santos