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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Plus size (#imnoangel)

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   Parece que estão a moda as campanhas publicitárias "anti victoria secrets angels" e que até se estão a publicar por esse mundo fora fotos pessoais (e corporais) com a hastag #imnoangel. Tudo muito bem, fantástico, porque para mim faz todo o sentido o "real woman have curves" e sou uma clara defensora de tudo quanto é campanha feita por modelos que correspondam a mulheres reais e não bonequinhas de photoshop ou modelos com pernas de 2 metros mas sem formas nenhumas e com ar de quem come uma amêndoa por refeição. É certo que nem todas nós queremos ser anjos de lingerie por quem o mundo baba, que a maioria das mulheres não tem o dito "corpo perfeito" que essas ditaduras da imagem ditam, assim como é certo que, nunca estando plenamente satisfeitas com o nosso corpo, sabemos gostar de nós, do nosso corpo e das nossas imperfeições físicas e os anos e a vida ensinam-nos a conviver com elas, a aceitá-las e a disfarcá-las. Auto-estima, em todas as esferas da nossa vida, é das características pessoais que melhor nos ajuda a enfrentar o mundo e os outros com um sorriso na cara e a roupa perfeita.

   Ainda que goste de ver eventuais campanhas com modelos reais e até com as ditas modelos plus size e desse lema do #imnoangel, por vezes faz-me confusão o discurso que estas adoptam, quando deixo de olhar para o corpo daquelas imagens e passo a olhar para a saúde das mesmas. Eu posso aceitar que o meu corpo tenha mais ou menos imperfeições, mais ou menos gordurinhas localizadas, mais ou menos celulite, mais ou menos manchas e gostar do que vejo, gostar de mim. Mas eu não me posso sentir orgulhosa de um corpo com excesso de peso. Não posso orgulhar-me de algo que me deve preocupar e que me poderá prejudicar. Ter excesso de peso e estar orgulhosa disso não é um discurso que se deva passar numa campanha publicitária. Auto-estima, aceitação da nossa imagem, preocupação, ausência de obsessões com dietas e corpos perfeitos, vontade de mudar, naturalidade na forma como aceitamos e mostramos o nosso corpo, consciencialização para o nosso corpo, o nosso estado, a nossa saúde... isso sim. Vender corpos com excesso de peso e legendas de "i`m proud of it" por baixo é tão grave como vender corpos esqueléticos com asas, desnutridos, carregados de photoshop e utópicos, pois nenhum deles poderá levar a legenda "saúde" por baixo. E a saúde, a nossa saúde, é tudo o que importa.