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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Quando as aparências iludem: desabafo de alguém neuroticamente ansiosa por dentro, só por dentro

  

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 Hoje, numa formação sobre gestão do tempo e do stress, as opiniões foram unánimes no que toca a avaliar-me enquanto pessoa ansiosa ou não: basicamente sou "a calma em pessoa". Dizem que aparento (e atenção, aparento!!, mas as aparências são o que mais contam) uma calma que parece inabalável e que nunca me vêem agitada ou nervosa ou à beira do desespero.

   Pois eu esclareço:

   Sou nervosa? Não, não sou.

   Sou stressada? Não, não sou.

   Alguma vez me viram desesperada e completamente perdida, irada, zangada, a deitar fumo pelos ouvidos? Muito provavelmente, não.

   E agora, a grande questão: sou ansiosa? SIM!! Muito!!! Estupidamente!! Exageradamente! Irracionalmente! Neuroticamente ansiosa. Mas por dentro, para dentro e para mim. Como em muitas outras coisas da vida, exteriorizar a minha ansiedade não é o meu forte, com tudo o de negativo isso acarreta, mas se há coisa que a idade e maturidade me ensinaram a assumir é que sou uma pessoa doentiamente ansiosa e já escrevi sobre isso aqui. Não o mostro, mas cá por dentro é um turbilhão de coisas e emoções que nem sempre é fácil gerir. Tenho dias mais tranquilos que outros, como toda a gente, mas julgo que nunca consigo atingir um estado zero de ansiedade. Tenho demasiada coisa cá dentro, penso demais, guardo demais, individualizo demais, sou excessivamente autosuficiente, preocupo-me demais e demonstro-o de menos e tenho muita dificuldade em lidar com o tempo de que certas coisas natural e logicamente precisam para acontecer. E depois, claro, não sonhando ou idealizando demais (a idade também me ensinou a controlar isto), sou ambiciosa, perfeccionista e quero sempre chegar mais longe e melhor, duvidando muitas vezes das minhas capacidades ou das voltas que o mundo dará até eu conseguir o que quero e mereço.

   Não vivo com medos. Não receio abrir a porta a cada dia e dar de caras com um leão que me ataca, como hoje um colega partilhava acerca da sua ansiedade. Não sou pessismista. Não dramatizo. Racionalizo. Sei que haverá uma solução. Sei que pode melhorar. Sei lidar com adveridades. Sei não fraquejar. Sei muito bem como mostrar que não fraquejo. Sei não desistir. Mas também sei que esta ansiedade escondida cá dentro já faz terrivelmente parte de mim. Sei também que muitas vezes é ela que me move, que me atira para o campo de batalha, que me faz continuar e continuar e continuar. Sei que é por ela que eu nunca páro. Mas sei, e admito, que também é essa maldita ansiedade que tantas vezes me mói demasiado por dentro, me dificulta o sorriso, me entristece o olhar, me torna uma pessoa pior e apaga um pouquinho do meu brilho. E o que mais assusta é sentir que mudar isto que sou é tão, mas tão difícil...