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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Ler: A Peregrinação do Rapaz Sem Cor, Haruki Murakami

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Nos seus dias de adolescente, Tsukuru Tazaki gostava de ir sentar-se nas estações a ver passar os comboios. Agora, com 36 anos feitos, é engenheiro de profissão e projeta estações, mas nunca perdeu o hábito de ver chegar e partir os comboios. Lá está ele na estação central de Shinjuku, ao que dizem «a mais movimentada do mundo», incapaz de despregar os olhos daquele mar selvagem e turbulento «que nenhum profeta, por mais poderoso, seria capaz de dividir em dois». Leva uma existência pacífica, que talvez peque por ser demasiado solitária, para não dizer insípida, a condizer com a ausência de cor que caracteriza o seu nome. A entrada em cena de Sara, com o vestido verde-hortelã e os seus olhos brilhantes de curiosidade, vem mudar muita coisa na vida de Tsukuru. Acima de tudo, traz a lume uma história trágica, que a memória teima em não esquecer.
Os quatro amigos de liceu, donos de personalidades diferentes e nomes coloridos, cortaram relações com ele sem lhe dar qualquer explicação. Profundamente ferido nos seus sentimentos, Tsukuru perdeu o gosto pela vida e esteve a um passo da morte. A páginas tantas, lá conseguiu não perder a carruagem. Com Os Anos de Peregrinação de Liszt nos ouvidos, regressa à cidade que o viu nascer e atravessa meio mundo, viajando até à Finlândia, em busca da amizade perdida. E de respostas para as perguntas que andam às voltas na sua cabeça e lhe queimam a língua. Será que o rapaz sem cor vai ser capaz de seguir em frente? Arranjará finalmente coragem para declarar de vez o seu amor por Sara? Uma inesquecível viagem pelo universo fascinante deste escritor japonês que chega a milhões de leitores espalhados pelo mundo inteiro. Um romance marcadamente intimista sobre a amizade, o amor e a solidão dos que ainda não encontraram o seu lugar no mundo.

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Estou a criar uma verdadeira paixão literária por Murakami. De fato, não sei como andei tanto tempo afastada deste senhor!

Este é um dos últimos livros do escritor e comparando com os anteriores que li o estilo é ligeiramente diferente. Tem menos de fantástico e "mágico" ou espiritual, tornando-se uma história mais real e um pouquito menos Murakami. Ainda assim, é livro bastante bom. Prendeu-me desde a primeira página e arrumei com ele em menos de uma semana, de tão fácil e cativante leitura.

Aquilo por que vale a pena viver

Calculo que não tardarás a regressar à universidade em Tóquio - declarou Midorikawa num tom calmo. - À vida real. Aproveita-a ao máximo. Por muito superficial e que monótona que a vida possa ser, vale a pena tirar partido dela, garanto-te. Olha que não estou a ser irónico nem contraditório. Simplesmente, no meu caso, o que a vida tem de bom transformou-se num fardo, e não consigo aguentar mais. Se calhar, não nasci talhado para isso. E então, como os gatos que sabem que vão morrer, procurei refúgio num lugar escuro e sossegado, onde espero tranquilamente que chegue a minha hora. Nem sequer me queixo. Mas contigo é diferente. Tu deverás ser capaz de aguentar o peso desta vida. Utiliza o fio da lógica para guardar junto a ti, no teu corpo, o melhor que puderes, aquilo por que vale a pena viver.

Haruki Murakami, A Peregrinação do Rapaz sem Cor

«Kafka à beira mar», Haruki Murakami

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Kafka à Beira-Mar narra as aventuras (e desventuras) de duas estranhas personagens, cujas vidas, correndo lado a lado ao longo do romance, acabarão por revelar-se repletas de enigmas e carregadas de mistério. São elas Kafka Tamura, que foge de casa aos 15 anos, perseguido pela sombra da negra profecia que um dia lhe foi lançada pelo pai, e de Nakata, um homem já idoso que nunca recupera de um estranho acidente de que foi vítima quando jovem, que tem dedicado boa parte da sua vida a uma causa - procurar gatos desaparecidos.
Neste romance os gatos conversam com pessoas, do céu cai peixe, um chulo faz-se acompanhar de uma prostituta que cita Hegel e uma floresta abriga soldados que não sabem o que é envelhecer desde os dias da Segunda Guerra Mundial. Assiste-se, ainda, a uma morte brutal, só que tanto a identidade da vítima como a do assassino permanecerão um mistério.
Trata-se, no caso, de uma clássica (e extravagante) história de demanda e, simultaneamente, de uma arrojada exploração de tabus, só possível graças ao enorme talento de um dos maiores contadores de histórias do nosso tempo.

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De Murakami li apenas a trilogia 1Q84, mas atendendo ao tanto que se diz e escreve sobre este senhor, um dos meus objetivos para 2017 é sem dúvida construir uma bela biblioteca de Murakami. 

Sobre este livro, que dizem ser dos melhores dele, não posso dizer que adorei, mas gostei. É exatamente o estilo que estava à espera de encontrar, com algo de mágico, espiritual e "histórias do outro mundo". Demorei um pouco a entrar no ritmo da história mas a dada altura já só queria ler mais e mais para saber o final. Personagem adorável aquele Nakata! 

E o próximo Murakami já está escolhido. Não é para já, mas será Norwegian Wood. Quem recomenda? 

Em frente, até ao fim do mundo

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"Sentes o peso do tempo como um velho sonho ambíguo. Continuas sempre em movimento, tentando arranjar maneira de te esquivares. Porém, mesmo que vás até aos confins do mundo não lograrás escapar-lhe. Mesmo assim, não tens outro remédio senão seguir em frente, até esse fim do mundo. Há algo que não se consegue fazer, sem lá chegar. " (Haruki Murakami, "Kafka à beira mar")

«1Q84 - vol. 3», Haruki Murakami

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O Livro 3 revela o estilo forte e truculento de uma personagem única, Ushikawa de seu nome. A par de Tengo e Aomame, a voz da Ushikawa ecoa nas páginas do terceiro volume de 1Q84 e provoca as reações mais intensas. Amem-no ou detestem-no, mas deixem-no entregue à sua sorte. Tengo e Aomame continuam sem saber, mas aquele é o único lugar perfeito no mundo. Um lugar perfeitamente isolado e, ao mesmo tempo, o único que escapa às malhas da solidão.
Este mundo também deverá ter as suas ameaças, os seus perigos, claro, e estar cheio dos seus próprios enigmas e de contradições. Mas não faz mal. A páginas tantas, é preciso acreditar. Sob as duas luas de 1Q84, Aomame e Tengo deixam de estar sozinhos... Inspirado em parte no romance 1984, de George Orwell, 1Q84 é uma surpreendente obra de ficção, escrita de forma poderosa e imaginativa - a um tempo um thriller e uma tocante história de amor.
Murakami continua a provocar o espanto e a emoção, comunicando com milhões de pessoas de todas as idades, espalhadas pelo mundo inteiro. Ao pousar este livro, quantos leitores não se sentirão desafiados a ver o mundo com outros olhos?

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   Terceiro e último volume da trilogia e aquele que menos goste, o que se refletiu no tempo que demorei a terminá-lo. Fica a sensação de que este terceiro livro não traz nada de novo à história, quando deveria ser precisamente o contrário. São demasiadas páginas para tão pouco enredo e tão pouca história. 

   Mesmo assim, fiquei curiosa com este escritor e vou de certeza dar-lhe muitas outras oportunidades.