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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O nosso legado

"Passei a vida inteira a pensar que a imortalidade era possível. Relacionei-me com meninas jovens para lhes extrair a vitalidade e prolongar a minha juventude, fiz ginástica sueca e um longo passeio tpdas as manhãs, tomei todos os dias banho em água gelada, até tudo o que comia era devidamente pensado e pesado, a cada refeição só comia não sei quantos gramas de iogurte e de fruta e de peixe e de tudo o mais que me prolongasse a vida. Quis fazer da minha própria existência qualquer coisa de único...sei lá, uma obra de arte. (...) Tudo isto para quê? (...) Para estar aqui deitado a vê-lo tirar-me a urina porque já nem a maldita da minha bexiga consigo controlar...

(...)

Deixe-me explicar-lhe uma coisa, senhor Sarkasian, (...) É preciso que o senhor saiba que não finais felizes. Se a vida fosse um rosto a sua expressão seria de tristeza. Desenhou um arco no ar. Começamos cá em baixo, subimos na vida, atingimos um pico em que estamos na plenitude das nossas capacidades e principiamos a descer, primeiro devagar e depois mais e mais depressa, até terminarmos de novo cá em baixo, como a curva de uma boca triste na cara de uma pessoa. A vida é isso.

Então para que aqui estamos, doutor? Porque vivemos?

Não tenho resposta para essa pergunta (...) O que importa talvez seja o que fazemos enquanto cá estamos e o que deixamos aos que cá ficam. Não vivemos para morrer, vivemos para fazer algo que perdure. Talvez o verdadeiro sentido da nossa existência esteja no nosso legado."

«Um milionário em Lisboa», José Rodrigues dos Santos

«Um Milionário em Lisboa», José Rodrigues dos Santos

 

Baseado em acontecimentos verídicos, Um Milionário em Lisboa conclui a espantosa história iniciada em O Homem de Constantinopla e transporta-nos no percurso da vida do arménio que mudou o mundo - confirmando José Rodrigues dos Santos como um dos maiores narradores da literatura contemporânea. 
Kaloust Sarkisian completa a arquitectura do negócio mundial do petróleo e torna-se o homem mais rico do século. Dividido entre Paris e Londres, cidades em cujas suítes dos hotéis Ritz mantém em permanência uma beldade núbil, dedica-se à arte e torna-se o maior coleccionador do seu tempo. 
Mas o destino interveio. 
O horror da matança dos Arménios na Primeira Guerra Mundial e a hecatombe da Segunda Guerra Mundial levam o milionário arménio a procurar um novo sítio para viver. Após semanas a agonizar sobre a escolha que teria de fazer, é o filho quem lhe apresenta a solução:
Lisboa. 
O homem mais rico do planeta decide viver no bucólico Portugal. O país agita-se, Salazar questiona-se, o mundo do petróleo espanta-se. E a polícia portuguesa prende-o.

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   A conclusão da história de O Homem de Constantinopla, que, apesar de também ter gostado deste segundo livro, me cativou mais. Parece-me que esta segunda parte enrola um pouco mais a história. Ainda assim, gostei e continuo a afirmar que José Rodrigues dos Santos é bem melhor no romance histórico que em qualquer outro tipo de literatura.

«O Homem de Constantinopla», José Rodrigues dos Santos

 

O Império Otomano desmorona-se e a minoria arménia é perseguida. Apanhada na voragem dos acontecimentos, a família Sarkisian refugia-se em Constantinopla. Apesar da tragédia que o rodeia, o pequeno Kaloust deixa-se encantar pela grande capital imperial e é ao atravessar o Bósforo que pela primeira vez formula a pergunta que havia de o perseguir a vida inteira:
"O que é a beleza?"
Cruzou-se com a mesma interrogação no rosto níveo da tímida Nunuphar, nos traços coloridos e vigorosos das telas de Rembrandt e na arquitectura complexa do traiçoeiro mundo dos negócios, arrastando-o para uma busca que fez dele o maior coleccionador de arte do seu tempo.
Mas Kaloust foi mais longe do que isso.
Tornou-se o homem mais rico do planeta.
Inspirado em factos reais, O Homem de Constantinopla reproduz a extraordinária vida do misterioso arménio que mudou o mundo - e consagra definitivamente José Rodrigues dos Santos como autor maior das letras portuguesas e um dos grandes escritores contemporâneos.

(Wook, site)

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   Quando um livro me prende desde a primeira página, é isto, acabo com ele em poucos dias. Já aqui referi que gosto bastante de romances históricos, pela possibilidade de aprendizagem que representam. E julgo que também já aqui referi que gosto também bastante do José Rodrigues dos Santos enquato escritor de romances históricos, muito mais do que quando se arma em Dan Brown português e entra em teorias da conspiração e códigos e segredos que apresenta como sólidos e fundamentados mas dos quais nunca ninguém ouviu falar antes. JRS nasceu para contar boas histórias, como bom jornalista que é e como escritor agradável que tem mostrado cada vez mais ser. Mais uma vez oferece-nos uma história que nos cativa, nos faz viajar e sem nunca nos maçar com descrições e narrativas longas e enfadonhas. A segunda parte do livro já está à espera, mas antes disso, uma pausa para outras viagens, mais...animalescas, com mais um dos livros que me ofereceram pelo Natal.

   Quanto a este, 100% recomendável.

A verdade do mal

«O que quero dizer é que a questão do bem e do mal sempre gerou mais perplexidade do que certezas. (...) O que é o bem e o que é o mal? Todos nós intuímos estes conceitos, mas a sua definição precisa escapa-nos. Até hoje. (...) Tive a resposta a este enigma no momento em que vi o mal naquela aldeia. Vi-o impregnado nos corpos carbonizados que se espalhavam pelos escombros, vi-o quando me questionei sobre o que levaria os homens a fazerem uma coisa tão cruel. E depois deparei-me com uma criança que saiu viva e intacta de baixo do corpo queimado de uma desgraçada que os soldados quase haviam morto e percebi que há coisas que o mal, por mais que tente, não poderá conquistar. O amor daquela mãe foi mais poderoso do que o mal daqueles homens, Mas só agora, enquanto estava aqui a ouvi-lo falar, é que consegui transformar em palavras a ideia que desde então me andava a ruminar na mente. (...) Sabe o que na verdade é o mal? (...) É a incapacidade de nos pormos no lugar do outro. Quando os soldados matam mulheres e crianças como quem mata formigas, estão possuídos pelo mal porque não conseguem pôr-se no lugar das vitímas, não conseguem perceber a posição delas nem sentir o que elas sentem. O mal é a incapacidade de imaginar os sentimentos do outro e de os sentir como se pudéssemos ser nós.»

José Rodrigues dos Santos, "O Anjo Branco"

«O Anjo Branco», José Rodrigues dos Santos

A vida de José Branco mudou no dia em que entrou naquela aldeia perdida no coração de África e se deparou com o terrível segredo. O médico tinha ido viver na década de 1960 para Moçambique, onde, confrontado com inúmeros problemas sanitários, teve uma ideia revolucionária: criar o Serviço Médico Aéreo.
No seu pequeno avião, José cruza diariamente um vasto território para levar ajuda aos recantos mais longínquos da província. O seu trabalho depressa atrai as atenções e o médico que chega do céu vestido de branco transforma-se numa lenda no mato.
Chamam-lhe o Anjo Branco.
Mas a guerra colonial rebenta e um dia, no decurso de mais uma missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar.
Inspirado em factos reais e desfilando uma galeria de personagens digna de uma grande produção, O Anjo Branco afirma-se como o mais pujante romance jamais publicado sobre a Guerra Colonial - e, acima de tudo, sobre os últimos anos da presença portuguesa em África.

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   Depois de ler este livro, do qual gostei muito, como é habitual em todos os romances históricos deste escritor, fiquei com a sensação que os portugueses que foram para o Ultramar foram uns pequenos monstros. Talvez por ter sido a parte que mais me interessou, a parte dos relatos das nossas tropas em África, o livro poderia insistir um pouco mais nisso e menos na história das personagens. Ainda assim, e apesar das quase 700 páginas, lê-se rápida e facilmente.

   Recomendo! 

«O último segredo», José Rodrigues dos Santos

Sinopse

 

Uma paleógrafa é brutalmente assassinada na Biblioteca Vaticana quando consultava um dos mais antigos manuscritos da Bíblia, o Codex Vaticanus. A polícia italiana convoca o célebre historiador e criptanalista português, Tomás Noronha, e mostra-lhe uma estranha mensagem deixada pelo assassino ao lado do cadáver.
A inspectora encarregada do caso é Valentina Ferro, uma beldade italiana que convence Tomás a ajuda-la no inquérito. Mas a sucessão de homicídios semelhantes noutros pontos do globo leva os dois investigadores a suspeitarem de que as vítimas estariam envolvidas em algo que as transcendia.
Na busca da solução para os crimes, Tomás e Valentina põem-se no trilho dos enigmas da Bíblia, uma demanda que os conduzirá à Terra Santa e os colocará diante do último segredo do Novo Testamento. A verdadeira identidade de Cristo.
Baseando-se em informações históricas genuínas, José Rodrigues dos Santos confirma-se nesta obra excepcional como o grande mestre do mistério. Mais do que um notável romance, O Último Segredo desvenda-nos a chave do mais desconcertante enigma das Escrituras.

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   Fazendo a inevitável comparação entre José Rodrigues dos Santos e Dan Brown, gostei bastante do Código DaVinci. Não tanto dos livros que se seguiram do mesmo escritor, embora os tenha lido sem grande sacrifício. Falando do escritor português, dentro do género tinha apenas lido o Codex 632, que, sinceramente, não me entusiasmou. Dei o benefício da dúvida a este último livro, assim como um dia darei À fórmula de Deus. Mais uma vez, este não me entusiasmou grandemente, até porque se tornou algo previsível e por vezes demasiado teórico e teológico...e depois há aquela parte do "se tudo isto é verdade, porquê que nunca ninguém falou disto antes"? É de facto interessante acolher esta nova perspectiva da vida de Jesus e do verdadeiro significado do cristianismo...ou pelo, menos conhecer uma outra perspectiva...no entanto, enquanto história, enredo, não é dos livros que mais me fascine. Gosto bem mais do José Rodrigues dos Santos dos romances históricos (O Anjo Branco já está ali na prateleira em espera).