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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Nós somos assim...

Nós somos assim, cheios de pressa de barrar a manteiga, de dar conselhos, de mudar uma porta de sítio para reconfigurar a geometria doméstica. Como toda a gente, temos planos, e são eles as âncoras que jogamos rente ao futuro, para nos movermos à força de braços para lá. Os mais novos, é claro, têm planos feitos da mesma imprestável merda, mas envernizam-nos com uma camada sonhada de grandiosidade que consiste em chegar a chefe de repartição ou em comprar uma casa maior. Na verdade, todos os sonhos são rídiculos e é o rídiculo que nos move, mas os velhos riem-se dos novoos e os novos riem das crianças , e o riso é ntergeracionalmente estanque, e é isso que mantém o circo a funcionar em continuo, sem que ninguém dê pela marosca e peça o dinheiro de volta ou se converta, interiormente e de forma radical, à anarquia misant´rópica ou ao ateísmo militante.

Autismo, Valério Romão

Ler: Autismo, Valério Romão

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 Trata-se da primeira abordagem literária de um tema que toca cada vez mais gente em Portugal. Este primeiro romance do jovem autor dá-nos a experimentar, de um modo nunca óbvio, o impacto devastador da doença na família, mas também faz um retrato impiedoso da comunidade médica além de abordar, sempre de um modo fortemente literário, as inúmeras consequências do autismo. O romance, com um final inesperado, afirma-se como reflexão dinâmica e até aventurosa sobre a solidão, a impossibilidade de comunicar e o desespero…       

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Mais um daqueles livros que compramos por impulso só pelo título.

Um excelente testemunho sobre o que um diagnóstico de autismo pode fazer a uma família, a uma criança, a um casal, a uma rotina... um testemunho sobretudo duro, por vezes até incompreensível e a roçar o irracional, mas um testemunho que é possível de ser encontrado em quem tem de ultrapassar uma realidade destas.  

Ler: Rapariga em Guerra, Sara Novic

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 Uma saga de guerra, um relato da passagem à idade adulta, uma história de amor e de memória, Rapariga em Guerra percorre todas estas facetas e revela-se um romance de estreia ao mesmo tempo perturbador e cheio de esperança, escrito com a força da verdade. Zagreb, 1991. Ana Juric é uma menina de dez anos com um espírito descontraído, que vive com a sua família na capital da Croácia. Mas, nesse ano, a Jugoslávia é abalada pela guerra civil, destruindo a infância idílica de Ana. A paz do dia a dia é manchada pelo racionamento, pelos constantes raids aéreos e os jogos de futebol são substituídos pelo fogo das armas. Os vizinhos começam a desconfiar uns dos outros e a sensação de segurança começa a desvanecer-se. Quando a guerra lhe bate à porta, Ana tem de encontrar um novo caminho num mundo perigoso.

Nova Iorque, 2001. Ana é agora uma estudante universitária em Manhattan. Apesar de todas as tentativas para deixar o passado para trás, não consegue escapar às recordações de guerra e aos segredos que guarda até dos que lhe são mais próximos. Perseguida pelos acontecimentos que lhe roubaram a família para sempre, regressa à Croácia depois de uma década de ausência, na esperança de fazer as pazes com o lugar a que um dia chamou casa. Enquanto enfrenta o passado, procura reconciliar-se com a história difícil do seu país e com os acontecimentos que lhe interromperam a infância, há tantos anos. Avançando e recuando no tempo, este livro é um retrato franco e generoso de um país devastado pela guerra, mostrando-nos, com uma escrita brilhante, a impossibilidade de separar a história de um país e a história do indivíduo.

Sara Novic revela destemidamente o impacto da guerra numa menina e o seu legado em todos nós. É a estreia de uma escritora que olhou para o passado recente e encontrou uma história que ressoa ainda hoje.

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   A sinopse deste livro já diz quase tudo o que podemos esperar. É um livro de guerra, mais um livro sobre a guerra, se assim o preferirmos, que é um tema que se me agradou, apesar de começar a cansar um pouco. Este, felizmente, foge à habitual 1ª e 2ª guerras mundiais, o que é o seu principal ponto positivo. De resto, é um livro simples e previsível: guerra, crianças perdidas, familias separadas, morte, partidas, traumas e regressos.

Ler: O Pintor Debaixo do Lava-Loiças, Afonso Cruz

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A liberdade, muitas vezes, acaba por sobreviver graças a espaços tão apertados quanto o lava-loiças de um fotógrafo. Esta é a história, baseada num episódio real (passado com os avós do autor), de um pintor eslovaco que nasceu no final do século XIX, no império Austro- Húngaro, que emigrou para os EUA e voltou a Bratislava e que, por causa do nazismo, teve de fugir para debaixo de um lava-loiças.

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   Que Afonso Cruz é um dos melhores escritores nacionais já todos os apreciadores de literatura o sabem. O que eu não sei se todos sabem é a preciosidade que é este livro!

   Não há propriamente uma "história normal", mas há uma personagem adorável, suficientemente melancólica para nos fascinar desde a primeira página, porque é exatamente aí que percebemos que este livro vai transbordar todas as nossas medidas e expectativas. É tão bom, tão cheio de coisas boas, tão cheio de vida sofrida mas vivida, tão repleto de reflexões deliciosas e tão regado com aquele cheirinho de "hum, Saramago podia ter escrito isto" que, além de ser recomendado pelo Plano Nacional de Leitura deveria ser recomendado e obrigatório na vida literária de todos nós!

   Por favor, devorem-no!

Ler: O coração é o último a morrer, Margaret Atwood

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Charmaine e Stan estão desesperados: sobrevivem de pequenos trabalhos menores e vivem no carro. Portanto, quando veem um anúncio a Consiliência, uma «experiência social» que oferece empregos estáveis e casa própria, inscrevem-se imediatamente. A única coisa que têm de fazer em troca é ceder a sua liberdade mês sim, mês não, trocando a sua casa por uma cela da prisão. Não tarda, porém, que Stan e Charmaine, sem o saberem um do outro, comecem a desenvolver obsessões apaixonadas pelos seus «Alternantes», o casal que ocupa a sua casa quando estão na prisão. E assim mergulham num pesadelo de desconfiança, culpa e desejo.

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   Mais um livro que foi uma agradável surpresa para mim descobrir. Há aqui um cheirinho de George Orwell com a idealização/criação de um mundo alternativo e aparentemente perfeito, mas que como seria de esperar está carregadinho de imperfeições e terrores, fazendo-nos preferir a dureza do mundo real do que a ilusão deste mundo perfeitamente falso.

   Espreitem, que este é daqueles que vale bem a pena.

Ler: "Quando perdes tudo não tens pressa de ir a lado nenhum", Dulce Garcia

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Um homem, duas mulheres, uma criança. A história de um triângulo amoroso à luz do que são hoje as relações sentimentais, marcadas por separações e recomeços e jogos psicológicos variados. Um romance onde se fala de paixão, desejo, raiva e um medo incrível da loucura. Também tem ameaças, mentiras e sexo. E humor, esse lado cómico que existe em todos os episódios, até nos mais trágicos.
O que nos leva a apaixonarmo-nos e deixar tudo para trás? Como é possível mentirmos para obrigarmos alguém a ficar ao nosso lado. É normal um pai não gostar de um filho? E o amor, sempre o amor, é hoje uma doença ou a única terapia?
Isabel sempre disfarçou os seus sentimentos debaixo de uma capa de serenidade, sobretudo desde que o irmão enlouqueceu depois de assistir a uma autópsia. Mas apaixona-se.
Uma história de amor escandalosamente contemporânea, que fala de desejo e raiva, da violência do fim dos casamentos e da luta em torno da guarda dos filhos, da culpa de quem decide partir e de como isso pode arrasar o futuro.

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   O que me chamou a atenção neste livro foi o título e o facto de ser produção nacional (não sei quanto a vocês, mas eu sinto falta de ler bons livros portugueses). Trouxe-o completamente às escuras e com total desconhecimento da autora ou do que o livro tratava. Bastaram umas primeiras páginas para perceber que não iria arrepender desta compra impulsiva. Este é um livro português bom. Este é um livro português com uma história cinzenta, como a capa, com personagens pesadas e doentias. Este é um livro que tem tudo para ser gostado da primeira à última página. Não é um romance lamechas, mas é amor. Puro, verdadeiro e doentio, como as personagens. E como, por vezes, o próprio amor.

   Não hesitem em lê-lo!  

Ler: "Anna e o Homem Andorinha", Gavriel Savit

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Uma história sobre a perda da inocência perante a tragédia.
Ao longo da viagem, Anna e o Homem-Andorinha escaparão a bombas e a soldados e também farão amigos.
Mas, num mundo louco, tudo pode ser um perigo.
Também o Homem-Andorinha. «Este romance profundamente comovente une, de forma magistral, a doçura infantil com o fundo cruel e inumano da Segunda Guerra Mundial.»  

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   A história de uma menina a quem a guerra deixa só no mundo; a história de uma menina só que encontra um amigo, ou é encontrada por este, a história de uma menina e de um homem a quem a guerra deixou sós no mundo; a história de uma menina e de um homem que fazem da vida uma caminhada pela sobrevivência.

   Uma história de inocência cruelmente assassinada pela guerra. Ficção duramente inspirada na realidade.

De cada dia, para todas as noites

Normalmente, a sua mente era como uma praia apinhada de gente - durante todo o dia, andava a correr de um lado para o outro, deixando pegadas, construindo pequenos montes e castelos, anotando ideias e diagramas com os dedos na areia, mas, quando a maré da noite subia, ela fechava os olhos e permitia que cada onda de rítmica respiração lavasse a acumulação do seu dia e, em pouco tempo, a praia ficava limpa e vazia, e ela conseguia adormecer.

«Anna e o Homem - Andorinha», Gavriel Savit

Ler: «O Labirinto dos Espíritos», Carlos Ruiz Zafón

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Na Barcelona de fins dos anos de 1950, Daniel Sempere já não é aquele menino que descobriu um livro que havia de lhe mudar a vida entre os corredores do Cemitério dos Livros Esquecidos. O mistério da morte da mãe, Isabella, abriu-lhe um abismo na alma, do qual a mulher Bea e o fiel amigo Fermín tentam salvá-lo.
Quando Daniel acredita que está a um passo de resolver o enigma, uma conjura muito mais profunda e obscura do que jamais poderia imaginar planta a sua rede das entranhas do Regime. É quando aparece Alicia Gris, uma alma nascida das sombras da guerra, para os conduzir ao coração das trevas e revelar a história secreta da família… embora a um preço terrível.
O Labirinto dos Espíritos é uma história eletrizante de paixões, intrigas e aventuras. Através das suas páginas chegaremos ao grande final da saga iniciada com A Sombra do Vento, que alcança aqui toda a sua intensidade, desenhando uma grande homenagem ao mundo dos livros, à arte de narrar histórias e ao vínculo mágico entre a literatura e a vida.

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   Quarto e último livro da saga iniciada com A Sombra do Vento.

   São 850 páginas de história em volta de livros, autores, mistérios e uma Barcelona que dá muita vontade de conhecer. Apesar do assustador número de páginas, é um livro que não chega a aborrecer, pois vai sempre criando algum suspense relativamente ao que vai acontecer a seguir, mas sempre sem fantasiar.

   Foi uma história boa, esta que Záfon nos ofereceu ao longo de 4 livros e que demorou cerca de 15 anos a escrever. Este último volume dá continuidade à vida das personagens dos livros anteriores, obriga-nos a voltar a elas e ao passado e apresenta-nos novas histórias e novas personagens, para no final ficarmos finalmente a perceber a história da família Sempere. De resto, fica sobretudo uma grande celebração dos livros e uma vontade enorme de conhecer Barcelona!

Ler: "Destinos e Fúrias", Lauren Groff

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Todas as histórias têm duas versões.
Todas as relações têm dois pontos de vista.
Contudo, às vezes, a chave para um bom casamento não está na honestidade mas nos seus segredos.

Lotto e Mathilde, jovens altos e bonitos de 22 anos, estão perdidamente apaixonados e destinados aos maiores sucessos. Uma década mais tarde, o casamento ainda é alvo das invejas dos amigos, mas a realidade afigura-se mais complexa e extraordinária do que as aparências dão a entender. Destinos e Fúrias é o bestseller do New York Times que está a conquistar o mundo. 

Melhor Livro de 2015 da Amazon
Melhor Livro do Ano segundo Barack Obama
Finalista do National Book Award 2015

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Depois de ler críticas bastante positivas em relação a este livro, resolvi fazer uma pausa nas 800 e muitas páginas do Labirinto dos Espíritos, do Záfon e devorar este Destinos e Fúrias.

Sendo um livro bom não o achei nenhuma obra-prima. Aliás, a primeira parte do livro, a parte dos Destinos, chega a ser um pouco enfadonha. A segunda parte, a da Fúria é bastante melhor, bem mais intensa e fundamental para nos fazer voltar atrás na história e percebermos todas as páginas iniciais.

Trata-se de uma história de amor, sim, mas fica bem longe das histórias lamechas. A personagem feminina é uma personagem forte e que eu diria que assume o papel principal em todo o livro, dando-lhe toda a vida e intensidade que o poderão justificar todo o burburinho que se tem formado em volta deste livro.

Recomendo. Não fica na minha lista de favoritos, mas recomendo!