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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Estou aqui

 

«Não adianta ficar aqui a usar palavras que não querem dizer nada. Vai experimentar. Está na hora de tu saíres daqui. Reconquistar o teu reino, agora corrompido pela rotina. Chega de repetir sempre a mesma lição, não é isso que te fará aprender algo novo.

- Não se trata de rotina. Estou infeliz.

- O nome disso é rotina. Achas que existes porque estás infeliz. Algumas pessoas existem em função dos seus problemas e passam o tempo a falar compulsivamente a respeito deles... Não param para pensar: estou aqui. Sou o resultado de tudo o que aconteceu e acontecerá, mas estou aqui. Se fiz algo de errado, posso corrigi-lo ou pelo menos pedir perdão. Se fiz algo certo, isso deixa-me mais feliz e ligado ao agora.»

Paulo Coelho, O Aleph 

Eu perdoo

As lágrimas que me fizeram verter, eu perdoo.

As dores e as decepções, eu perdoo.

As traições e mentiras, eu perdoo.

O ódio e a perseguição, eu perdoo.

Os golpes que me feriram, eu perdoo.

Os sonhos destruídos, eu perdoo.

As esperanças mortas, eu perdoo.

O desamor e o ciúme, eu perdoo.

A indiferença e a má vontade, eu perdoo.

A injustiça em nome da justiça, eu perdoo.

A cólera e os maus-tratos, eu perdoo.

A negligência e o esquecimento, eu perdoo.

O mundo, com todo o seu mal, eu perdoo.

A propósito do dia em que nos lembramos da morte

«Nunca, absolutamente nunca perdemos nossos entes queridos. Eles acompanham-nos, não desaparecem das nossas vidas. Estamos apenas em quartos diferentes. Eu não posso ver o que existe na carruagem que está na minha frente, mas há ali pessoas a viajarem no mesmo tempo que eu, que vocês, que toda a gente. O fato de não podermos falar com eles, saber o que está a acontecer naoutra carruagem, é absolutamente irrelevante; eles estão lá. Assim, aquilo que chamamos “vida” é um comboio com muitos vagões. Às vezes estamos num, às vezes noutro. Outras vezes atravessamos de um para o outro, quando sonhamos ou quando nos deixamos levar pelo extraordinário.

(...)

O amor vence sempre aquilo que chamamos morte. Por isso não precisamos de chorar pelos nossos entes queridos, porque eles continuam queridos e permanecem ao nosso lado. Temos uma grande dificuldade em aceitar isso.»

Paulo Coelho, O Aleph

Um abraço

«Tudo o que eu preciso neste momento é de um abraço. Um gesto tão antigo como a humanidade  e que significa muito mais do que o encontro de dois corpos. Um abraço quer dizer: você não me ameaça, não tenho medo de estar tão perto, posso relexar, me sentir em casa, estou protegido e alguém me compreende. Diz a tradição que, cada vez que abraçamos alguém com vontade, ganhamos um dia de vida.»

Paulo Coelho, "O Aleph" 

«O Aleph», Paulo Coelho

 

O Aleph assinala o regresso de Paulo Coelho às suas origens literárias. Num relato pessoal franco e surpreendente, revela como uma grave crise de fé o levou a procurar um caminho de renovação espiritual. Com o fim de recuperar o empenho, a paixão e voltar a entusiasmar-se pela vida, o autor resolve começar tudo de novo: viajar, viver novas experiências, relacionar-se com as pessoas e o mundo. Assim, guiado por sinais, visita três continentes - Europa, África e Ásia -, lançando-se numa jornada através do tempo e do espaço, do passado e do presente, em busca de si mesmo. Ao longo da viagem, Paulo vai, pouco a pouco, saindo do seu isolamento, despindo-se do ego e do orgulho e abrindo-se à amizade, ao amor, à fé e ao perdão, sem medo de enfrentar os desafios inerentes à vida. Da mesma maneira que o pastor Santiago em O Alquimista, o autor descobre que é preciso percorrer grandes distâncias para conseguir compreender aquilo que nos é mais próximo. A peregrinação faz com que se sinta vivo novamente, capaz de ver o mundo com os olhos de uma criança e de encontrar Deus nos pequenos gestos quotidianos.

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   O último e único livro de Paulo Coelho por ler está "arrumado". Demorei pouco mais de 48h a lê-lo. O que não significa que tenha gostado particularmente dele. De facto, não faz muito o meu género: demasiado filosófico, demasiado espiritual, demasiado busca de um sentido para vida, o que não é de todo a minha "onda". Ainda assim, não é maçudo nem exaustivo e ainda consegui sublinhar uma data de ideias que me pareceram interessantes e que provavelmente acabarei por aqui partilhar. Mas depois deste último livro fico com a mesma sensação com que fiquei após ler os últimos livros do escritor: Paulo Coelho já não é o que era!

 

   Na verdade, se o li tão rápido foi porque estou ansiosa por começar um livro que promete ser um livrão: "Os pilares da terra - vol. 1". Ken Follett, for sure! 

A Outra Parte

Diane Kruger & Quentin Tarantino

   "...se no começo existiam tão poucos seres humanos sobre a face da Terra e hoje existem tantos, de onde vieram essas novas almas? (...) A nossa alma transforma-se em duas, estas novas almas transformam-se noutras duas e assim, nalgumas gerações, estamos espalhados por uma boa parte da terra. (...) assim como nos dividimos, também nos reencontramos. E este reencontro chama-se Amor. Porque quando uma alma se divide, ela divide-se sempre numa parte masculina e numa parte feminina. (...) Os seres humanos estão todos interligados (...). Em cada vida temos a obrigação de reencontrar, pelo menos, uma dessas Outras Partes. O Amor Maior, que as separou, fica contente com o Amor que volta a uni-las.

   - E como posso saber quem é a minha Outra Parte?

   (...) Era possível conhecer a Outra Parte pelo bilho dos olhos - assim, desde o início dos tempos, as pessoas reconheciam o seu verdadeiro amor. A Tradição da Lua tinha outro processo: um tipo de visão que mostrava um ponto luminoso acima do ombro esquerdo da Outra Parte. (...)

   - Correndo riscos. Correndo o risco do fracasso, das decepções, das desilusões, mas nunca deixando de procurar o Amor. Quem não desistir de procurar, vencerá. (...)

   - Podemos encontrar mais do que uma Outra Parte?

   Sim. (...) E quando isso acontece, o coração fica dividido e o resultado é dor e sofrimento (...).

   (...) Somos responsáveis por reunir, pelo menos uma vez em cada encarnação, a Outra Parte que com certeza irá cruzar-se no nosso caminho. Mesmo que seja apenas por instantes; porque esses instantes trazem um Amor tão intenso que justifica o resto dos nossos dias.

   (...) Também podemos deixar que a nossa Outra Parte siga adiante, sem a aceitar, ou, sequer, percebê-la. (...) E por causa do nosso egoísmo, seremos condenados ao pior suplício que inventámos para nós mesmos: a solidão."

"Brida", Paulo Coelho

guerreiros da luz

Todo o guerreiro da uz já teve medo de entrar em combate.

Todo o guerreiro da luz já traiu e mentiu no passado.

Todo o guerreiro da luz já trilhou um caminho que não era o dele.

Todo o guerreiro da luz já sofreu por coisas sem importância.

Todo o guerreiro da luz já achou que não era guerreiro da luz.

Todo o guerreiro da luz já falhou nas suas obrigações espirituais.

Todo o guerreiro da luz já disse sim quando queria dizer não.

Todo o guerreiro da luz já feriu alguém que amava.

Por isso é um guerreiro da luz; porque passou por tudo isso, e não perdeu a esperança de ser melhor do que era.

 

"Manual do guerreiro da luz", Paulo Coelho

Veronika decide morrer - o filme

 

   O livro "Veronika decide morrer" iniciou a minha paixão por Paulo Coelho. Olhei para ele na prateleira de um hipermercado na altura do seu lançamento, há já alguns anos atrás, peguei nele e bastou-me virá-lo e ler a frase "Seja como a fonte que transborda e não como o tanque que contém sempre a mesma água" para desejar lê-lo. Trouxe-o para casa e, até hoje, é um dos meus livros favoritos, estando no topo do top dos melhores livros de Paulo Coelho.

   Descobri a adaptação ao cinema desse livro e tive de a ver o mais depressa possível. Não me desiludi. O que fariamos se, depois de uma tentativa de suicídio falhada, descobrissemos que temos poucos dias de vida? Que a vida, ou a morte, deciciu dar-nos uma segunda oportunidade, mas limitada. Não a aproveitariamos ao máximo? Não quereriamos viver cada dia como se fosse o último, porque afinal pode mesmo ser? E se durante esses últimos dias descobrissemos tudo aquilo que nos dá vida e nos faz desejar querer vivê-la para sempre? E se afinal tudo não passasse de uma lição, de uma mentira, de uma nova oportunidade de aprender a viver? Não valerá a pena acreditar, saber, que amanhã poderemos não cá estar para ver o sol nascer?

   É a vida. E é o bem mais precioso que temos. Com sonhos realizados e outros por realizar. Com tristezas e alegrias. É a vida que merece ser vivida. A cada dia. Todos os dias. Como se fosse o último.

   Tal como o livro, o filme surpreende.

 

Mudanças

   "Sempre acreditei que as profundas transformações, tanto no ser humano como na sociedade, ocorrem em períodos de tempo muito reduzidos. Quando menos esperamos, a vida coloca diante de nós um desafio para testar a nossa coragem e a nossa vontade de mudança; nesse momento, não adinata fingirmos que nada acontece, ou desculparmo-nos dizendo que ainda não estamos prontos.

   O desafio não espera. A vida não olha para trás. Uma semana é tempo maus que suficiente para sabermos decidir se aceitamos ou não o nosso destino."

 

Paulo Coelho, "O demónio e a Senhorita Prym"