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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

É Portugal!!!

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Cara Europa,

É a primeira vez que peço o livro de reclamações. Uma vez na Worten comprei um desumidificador que não desumidificava mas tive vergonha. Desta vez é mais grave: desconfio ter em mãos um país europeu com defeito.

Foi-me prometido Portugal, um país mediterrâneo com clima simpático mas que, desde que Gil Eanes dobrou o Cabo Bojador, apenas conseguiu estar na bocas do mundo quando um ousado jovem de skate foi trend no 9GAG por gritar Sai da frente Guedes.

Deve ter havido um engano. O resto da Europa está a funcionar normalmente, na mediana: franceses andam entretidos com Le Pen, ingleses andam entretidos com Brexit e espanhóis continuam pouco entretidos por não entrar nas anedotas do português, do inglês e do francês.

Por cá, estamos imparáveis. Somos campeões da Europa de futebol. Temos o melhor jogador do mundo em futebol, futebol de salão, futebol de praia e desconfio que se houvesse futebol de pomar, com duas nespereiras a fazer de baliza, o melhor do mundo também era nosso.

Algo está mal. Desconfio que nos foi dado um país em segunda-mão, porque os exemplos de virtude já não são só com o desporto que se joga com o pé.

Vencemos a Eurovisão. Organizámos o maior evento de empreendedorismo da Europa. O NOS Alive foi eleito um dos melhores festivais da Europa. A Forbes deu um shout-out ao Vhils. Temos faculdades portuguesas a liderar o ranking do Financial Times. Até o pastel de nata, que era só nosso, decidimos exportar para o resto da Europa só para poder dizer que mesmo assim o nosso é que é o melhor da Europa.

Desconfio que temos o país fora-de-prazo. O nosso estado de graça caducava 3 dias depois do pontapé do Eder mas 10 meses depois ainda não tem bolor.

Todos os dias sai mais um artigo no The Guardian a dizer que Lisboa é a cidade mais cool da Europa, que o Porto é o epicentro da cultura, que o Algarve tem os melhores pores-do-sol, por-dos-sóis, pores-dos-sóis e eu continuo sem saber colocar o plural em palavras com hífen.

Não sei como funciona a vossa política de devoluções, mas via com agrado uma troca por Bulgária ou Croácia.

Eu só pedi Portugal, e deram-me por engano o melhor país da Europa. [Texto de Guilherme Geirinhas, publicado no site Informa+]

O bem que Salvador Sobral fez ao país

Não vou escrever sobre o Salvador Sobral ou a sua música, afinal gostos não se discutem, música cada um ouve a que gosta e acima de tudo, já chega de posts e mais posts sobre o rapaz e aquilo que ele canta.

Portugal ganhou pela primeira vez o Festival Eurovisão da Canção. Isto é que interessa. Não interessa se foi o Salvador, a Luísa, o Zeca Afonso ou o Quim Barreiros. Foi Portugal quem venceu o Festival Eurovisão da Canção. É a importância deste reconhecimento internacional que importa para um país como o nosso, que apesar de já ter descoberto mundos, vive há demasiados anos na sombra e na pequenez do "só de nós ninguém quer saber".

Portugal tem mostrado ao mundo que existe e que sabe o que faz. Não nos faltam exemplos: temos um nobel da literatura, temos o melhor jogador de futebol (e de futebol de salão) do mundo, fomos campeões da Europa, temos a cidade eleita o melhor destino europeu, temos das melhores praias do mundo, temos cérebros fantásticos a produzir conhecimento, temos Emmys... independentemente dos gostos pessoais ou do fato de considerarmos justo ou não cada título que temos conquistado, o que estes prémios e reconhecimentos nos têm de ensinar é que nós, portugueses, sabemos fazer e sabemos fazer muito bem. O Presidente da República felicitou Salvador Sobral dizendo que "quando somos muito bons, somos os melhores", e eu acrescento que quando somos muito bons e acreditamos no que valemos, fazemos diferente, e somos os melhores. E é só isto que interessa: nós, que não estamos (ou não estavamos!) habituados a ganhar, sabemos ser os melhores.

Salvador Sobral cantou que talvez pudesse amar pelos dois. Eu cá acho que cada conquista de um Português é um forma de amor, não pelos dois, mas por todos nós, portugueses, os melhores em tanto.  

Ir é o melhor remédio: Aveiro

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 Há cerca de 2 semanas, aproveitando a "ponte" do feriado de 25 de Abril, deixamos os homens a trabalhar e fui com a minha mãe passear até Aveiro. Para mim foi um regresso, mas já dizia o ditado que devemos sempre voltar aos locais onde fomos felizes e as terras que visitamos e gostamos são sempre locais onde fomos e seremos sempre felizes.

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Aveiro é uma cidade relativamente pequena e fácil de conhecer num dia apenas. Há quem a chame de "Veneza portuguesa" pela existência dos canais da ria, pelas pontes e pelas barcaças que navegam pela ria. Por isso, andar nos barquinhos é ponto obrigatório numa passagem por Aveiro e é uma excelente forma de termos uma visão da cidade do meio da ria, num passeio de cerca de 45/50 min, quase sempre acompanhado por guias super simpáticos e divertidos.

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Para lá da ria temos as ruazinhas de Aveiro e quem gosta de palminhar cidades e locais sabe que muito do encanto de um lugares está nas suas ruas, nos seus cantinhos, nos seus cafés, nas lojinhas, nas esplanadas, nas igrejas e nas suas gentes. Descobrir ruas é talvez das partes que mais gosto em qualquer passeio. Muito mais que visitar os pontos turísticos, o melhor de cada lugar está naquilo que os guias não mostram e que podemos descobrir pelos nossos próprios pés e olhos!

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Mas porque Aveiro também é praia, não venham embora sem uma paragem nas famosas e adoráveis casinhas às riscas da praia da Costa Nova, uma das zonas balneares mais frequentadas, a par da praia da Barra, mesmo ao ladinho.

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Bons passeios! E já sabem, ir é o melhor remédio!!!!

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Portugal de paradoxos

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Em 2015, Portugal não é um país para velhos: pelo menos seis em cada dez pensionistas por velhice recebem valores inferiores ao salário mínimo nacional. A população continua a envelhecer e o número de idosos isolados aumenta. Também não é país para jovens; cerca de um terço dos portugueses entre os 18 e os 24 anos não está a estudar nem possui o secundário completo (mais do dobro da média europeia) e a taxa de desemprego jovem é uma das mais altas da OCDE. 

Há capitais de distrito sem cinemas, cidades sem maternidades, vilas sem centros de saúde. Há autoestradas desertas, vias «sem custo para os utilizadores» cobradas com sistemas inexplicáveis, estradas com várias designações e falta de amnutenção. No Porto, a TAP tem cada vez menos ligações de longo curso: se não fosse pelas companhias de baixo custo, o Norte estaria praticamente desabastecido.

A deslocalização para o litoral é imparável e a falta de oportunidades de trabalho empurra os mais novos para outras paragens: na última legislatura, saíram do país cerca de 300 mil portugueses, uma vaga de emigração que ameaça reinstalar a sensação de atraso em relação à Europa das gerações anteriores.

Não é país para portugueses, mas é um destino cada vez mais apetecido. Portugal está na moda e bate, todos os anos, recordes de turistas, de receitas e até de crescimento no setor. Em paralelo, as oportunidades no mercado imobiliário e as vantagens fiscais atraem um número crescente de investidores e novos residentes - estrangeiros ou emigrantes que decidem regressar, simples reformados ou interessados nos vistos gold.

Ir é o melhor remédio: Buçaco

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 Conhecer a serra e o Palácio do Buçaco estavam nos meus planos de passeio há algum tempo. A pouco mais de 100km do Porto, já não havia desculpa para este lugar e ponto turístico do nosso país me continuar a falhar. Aproveitei o feriado de 5 de Outubro para finalmente me deliciar com este lugar. 

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Passamos apenas umas horas da tarde por aqui, mas deu para me apaixonar! Há todo um ambiente de romantismo histórico neste lugar, não só pelo belíssimo Palácio, atualmente convertido em hotel de luxo, mas também pelos fantásticos e super-verdes jardins que o envolvem e fazem parte da serra do Buçaco. 

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Fiquei com uma vontade enorme de voltar com tempo para palmilhar e descobrir os cantinhos destes bosques (e quem sabe relaxar neste hotel de princesa), já que uma das ofertas do local é precisamente a possibilidade de fazer belas caminhadas pelos trilhos da serra. 

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Por isso já sabem, se gostam de natureza com uma mistura de história e um toque de conto-de-fadas, este é o lugar perfeito! Para uma visita mais curta ou para umas belas caminhadas pelo imenso verde que o rodeiam!

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Passadiços do Paiva

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 Adoro natureza e adoro conhecer o nosso país, por isso assim que ouvi falar dos Passadiços do Paiva e procurei informação sobre isto decidi que rapidamente tinha de os conhecer e palminhar. Basicamente, temos um percurso de 8km - percurso apenas numa direcção - junto às margens do rio Paiva, a maioria dele em passadiços de madeira, mas também em caminhos de terra batida. É um percurso com altos e baixos, com picos de subidas (e consequentemente de descidas), nomeadamente em escadas que nunca mais acabam - diz que são mais de 600 - e uma parte com uma simpática subida em terra batida que também dá que suar. Não se trata, portanto, de um mero passeio na natureza. Se querem fazer o percurso completo de ida e volta, preparem-se para suar e sentir bem as vossas perninhas; são mais de 16km e não contem com grandes planícies.

Se vale a pena? Vale. Pela experiência e pelas paisagens.
Custa muito? Para quem não tem preparação física acredito que custe muito. Como disse, subir todas aquelas escadas e caminhos de terra não é fácil.
Não se justifica fazer só metade do percurso ou apenas num sentido. Se é para fazer, é ir e vir até ao fim - pesar de nos últimos 2/3 km já estarmos ansiosos para que acabe, porque as pernas começam a ressentir-se e nunca mais avistamos o carro!
Conselhos simples: muita água para hidratarem. Roupa e calçado confortáveis para caminhar muito. Comidinha para repôr as energias, de preferência fruta e umas bolachinhas saudáveis para dar açucar ao corpo (pelo menos eu senti essa necessidade). Máquina fotográfica. E não arrisquem fazê-lo num dia de céu azul e temperaturas elevadas pois tem zonas de grande exposição ao sol e ao calor; ontem o dia estava cinzento e a temperatura não chegava aos 25 graus e deu bem para sentir o calor que por ali faz. Para quem se quiser refrescar existem duas praias pelo caminho, uma delas aos 4 km e outra no Areinho, ponto de partida ou chegada. 

Existem duas hipóteses ou direcções para o percurso: Espiunca - Areinho ou o contrário. Nós optámos pelo primeiro, por dizerem que seria a melhor opção para quem quer fazer ida e volta. Neste percurso a subida da escadaria mais dolorosa (os tais 600 degraus) é feita ao km 6, o que torna coisa mais fácil, pois se fizerem o percurso ao contrário a subida vai acontecer aos 14km, o que faz toda a diferença. Ainda assim, no retorno do Areinho para Espiunca, logo no primeiro km (9km para quem estava a regressar) há também muita escada para subir e uma parte de caminho térreo que é muito, muito má. 
Mas vale a pena. Acreditem que vale. São cerca de 3h a caminhar, a apreciar e a queimar calorias. Se puderem, experimentem!

Coisas que me fazem uma certa confusão...

... que o nosso sistema nacional de saúde não tenha dinheiro para desfibrilhadores nos hospitais e morra gente à custa disso;

...não tenha dinheiro para contratar mais profissionais de saúde e morra gente por causa disso;

...não tenha dinheiro para adquirir determinados instrumentos cirurgicos, ficando por isso algumas cirurgias por reallizar, e morra gente por causa disso;

... não tenha dinheiro para comprar um medicamento fundamental para o tratamento de certas doenças e morra gente por causa disso;

... não tenha dinheiro para melhor o nosso serviço de urgência dos hospitais e das ruas e morra gente por causa disso;

... não tenha dinheiro para tratamentos/terapias específicas (psicologia, terapia da fala, terapia ocupacional, entre outras) e haja gente a sofrer por causa disso;

MAS...

... que este mesmo sistema nacional de saúde, que não tem dinheiro para salvar vidas, tenha dinheiro para comparticipar cirurgias puramente egocêntrico-caprichosas-vaidosas para, por exemplo, colocação de banda gástrica a quem precisa é de aprender a fechar a boquinha e suar umas camisolas ou redução de gordurinhas localizadas (e são mesmo gordurinhas muito localizadinhas) que precisam é de trabalhinho e não de facas. 

   Esperemos que estas pessoas nunca precisem do dinheiro que o sistema nacional de saúde gastou a torná-las mais felizes sem se esforçarem para algum dos exemplos citados antes do MAS. 

Paço dos Duques - Guimarães
















   Em Agosto Portugal rebenta de turistas e para nós, que por cá nos passeamos todo o ano, esta é uma boa altura para também vestirmos a fatiota de turistas na nossa terra e irmos conhecer o que ainda não conhecemos. Porque quando um país é cheio da maravilhas, há sempre algo mais para conhecer. Desta vez, em Guimarães.

Que país é este?

   Hoje, enquanto lanchava em plena praça da restauração do Norteshopping, reparei num senhor a remexer nos tabuleiros abandonados. Pelo que me apercebi de imediato, o senhor andava a recolher os pacotes de açucar que não tinham sido usados. Enquanto me preparava para comentar isto com o meu namorado e dar-lhe, confesso, um tom jocoso do tipo "que o português gosta de levar os pacotes de açucar para casa já sabia, agora andar à procura de pacotes açucar nas mesas livres é o cumulo do espírito português". Provavelmente era algo do género que me teria saído, não tivesse eu reparado então no mesmo senhor a pegar em 2 pacotes de açucar, colocá-los na saco plástica, e voltar-se para trás e pegar num mini croissant que tinha ficado esquecido num tabuleiro abandonado e colocá-lo de imediato no mesmo saco plástico...

   Foi como se tivesse sido atingida por uma pedra bem no coração. Não consigo pôr em palavras o quanto aquela situação me incomodou e mexeu comigo emocionalmente. Em muito porque inicialmente julguei mal a situação. Mas sobretudo porque situações destas têm de envergonhar o nosso país. Eu sei que há muita gente a remexer no lixo, todos nós já as vimos, mas quando o desespero (ou a fome) que nos atinge coloca um ser humano num shopping à pinha à procura de restos nos tabuleiros de alguém que se pode dar ao luxo de desperdiçar alimentos...sem palavras...

   Ficou um aperto no coração que magoa e envergonha.

 

E, por favor, não desperdicem comida!!! Ultimamente tornei-me realmente paranóica com esta questão. Mas há tanta gente a passar fome, tanta, que ver comida ir para o lixo, mais do que me irritar e perturbar e fazer saltar a tampa seja com quem for, dói-me imenso.

Um país em chamas

   Aqui pelo norte do nosso país parece que estamos a ver o mundo por uma lente embaciada. O motivo é o inferno de chamas em que se tornou o nosso país nos últimos dias. Por cá não há céu azul durante o dia, nem céu estrelado à noite. O sol não consegue brilhar em todo o seu esplendor e muitas noites nem a lua conseguimos ver de forma clara. Há uma nuvem enorme de fumo no ar que nos entra pelas casas e pelo corpo dentro e não nos deixa respirar plenamente. Deitamo-nos com o fumo, levantamo-nos com o fumo, vivemos com ele. Com o fumo.

   Depois há os que vivem com o fumo, o fogo, as chamas, o calor abrasador, o medo, a perda, a dor, o desespero e até a morte. E desses nem consigo falar, pois se aqui o fumo nos perturba, que espécie de vida e sobrevivência será a daqueles que estão no terreno, sejam bombeiros que lutam um luta cruel e injusta, sejam as populações em perigo que perdem tudo da forma mais cruel e absurda possível. E é de lamentar que, mais uma vez, verão e calor seja sinónimo de fogo incontrolável, terra queimada e vidas perdidas. Até quando é que este vai ser o nosso cenário de verão?

   De pouco adiantará, mas não consigo passar sem deixar uma palavra de força a todos os bombeiros que travam esta luta inglória e tenebrosa há tantos dias, muitos deles de forma totalmente voluntária. Um bem haja para todos eles, mais odo que nunca soldados da paz.