Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O nosso legado

"Passei a vida inteira a pensar que a imortalidade era possível. Relacionei-me com meninas jovens para lhes extrair a vitalidade e prolongar a minha juventude, fiz ginástica sueca e um longo passeio tpdas as manhãs, tomei todos os dias banho em água gelada, até tudo o que comia era devidamente pensado e pesado, a cada refeição só comia não sei quantos gramas de iogurte e de fruta e de peixe e de tudo o mais que me prolongasse a vida. Quis fazer da minha própria existência qualquer coisa de único...sei lá, uma obra de arte. (...) Tudo isto para quê? (...) Para estar aqui deitado a vê-lo tirar-me a urina porque já nem a maldita da minha bexiga consigo controlar...

(...)

Deixe-me explicar-lhe uma coisa, senhor Sarkasian, (...) É preciso que o senhor saiba que não finais felizes. Se a vida fosse um rosto a sua expressão seria de tristeza. Desenhou um arco no ar. Começamos cá em baixo, subimos na vida, atingimos um pico em que estamos na plenitude das nossas capacidades e principiamos a descer, primeiro devagar e depois mais e mais depressa, até terminarmos de novo cá em baixo, como a curva de uma boca triste na cara de uma pessoa. A vida é isso.

Então para que aqui estamos, doutor? Porque vivemos?

Não tenho resposta para essa pergunta (...) O que importa talvez seja o que fazemos enquanto cá estamos e o que deixamos aos que cá ficam. Não vivemos para morrer, vivemos para fazer algo que perdure. Talvez o verdadeiro sentido da nossa existência esteja no nosso legado."

«Um milionário em Lisboa», José Rodrigues dos Santos

«Um Milionário em Lisboa», José Rodrigues dos Santos

 

Baseado em acontecimentos verídicos, Um Milionário em Lisboa conclui a espantosa história iniciada em O Homem de Constantinopla e transporta-nos no percurso da vida do arménio que mudou o mundo - confirmando José Rodrigues dos Santos como um dos maiores narradores da literatura contemporânea. 
Kaloust Sarkisian completa a arquitectura do negócio mundial do petróleo e torna-se o homem mais rico do século. Dividido entre Paris e Londres, cidades em cujas suítes dos hotéis Ritz mantém em permanência uma beldade núbil, dedica-se à arte e torna-se o maior coleccionador do seu tempo. 
Mas o destino interveio. 
O horror da matança dos Arménios na Primeira Guerra Mundial e a hecatombe da Segunda Guerra Mundial levam o milionário arménio a procurar um novo sítio para viver. Após semanas a agonizar sobre a escolha que teria de fazer, é o filho quem lhe apresenta a solução:
Lisboa. 
O homem mais rico do planeta decide viver no bucólico Portugal. O país agita-se, Salazar questiona-se, o mundo do petróleo espanta-se. E a polícia portuguesa prende-o.

____________________________________________

   A conclusão da história de O Homem de Constantinopla, que, apesar de também ter gostado deste segundo livro, me cativou mais. Parece-me que esta segunda parte enrola um pouco mais a história. Ainda assim, gostei e continuo a afirmar que José Rodrigues dos Santos é bem melhor no romance histórico que em qualquer outro tipo de literatura.