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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Ir

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"Viajar... é viver o suficiente para se achar. É podar as próprias raízes. É brincar de ter asas. É máquina de fazer memórias. É desenhar um mapa com vivências. É atestar a imensidão do mundo. É pegar carona no vento. É perceber que a nossa casa é passageira, cidades são estações e nós somos o trem. É a gente conhecendo o mundo (ou o mundo conhecendo a gente?)" #joaodoederlein :::::::::::::::::::: Das coisas que mais prazer me dá nesta vida: viajar, passear, conhecer. Não preciso de ir para longe, não preciso de ir para lugares paradisíacos, só preciso de ir. Conhecer o mundo e apresentar-me ao mundo. Ir, ver, cheirar, fotografar e guardar na memória cada pedacinho descoberto. Hoje fui. E voltei de coração cheio e alma renovada para o resto da semana! Boas viagens e boa semana!

Porque a minha força é imortal

Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal. José Luís Peixoto

A cada mil lágrimas sai um milagre

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Em caso de dor ponha gelo/Mude o corte de cabelo /Mude como modelo /Vá ao cinema/ dê um sorriso Ainda que amarelo /esqueça seu cotovelo/ Se amargo foi já ter sido /Troque já esse vestido/ Troque o padrão do tecido /Saia do sério /deixe os critérios/ Siga todos os sentidos /Faça fazer sentido /A cada mil lágrimas sai um milagre. Em caso de tristeza vire a mesa/ Coma só a sobremesa /coma somente a cereja /Jogue para cima/ faça cena /Cante as rimas de um poema /Sofra penas/ viva apenas Sendo só fissura ou loucura/ Quem sabe casando cura /Ninguém sabe o que procura/ Faça uma novena/ reze um terço Caia fora do contexto invente seu endereço/ A cada mil lágrimas sai um milagre. Mas se apesar de banal/ Chorar for inevitável/ Sinta o gosto do sal do sal do sal/ Sinta o gosto do sal/ Gota a gota, uma a uma /Duas três dez cem mil lágrimas/ sinta o milagre/ A cada mil lágrimas sai um milagre. ( Alice Ruiz)

Body Goals

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Nós mulheres vivemos em permanente discussão com o nosso corpo. Se há coisa que parece nunca nos agradar é o nosso corpo, as nossas formas, o nosso peso. Agora mais do que nunca, besta época em que tanto se valoriza a imagem, os números, o tipo de alimentação que temos e as horas que passamos no ginásio. Cobiçar o corpo alheio é fácil. Gostar do nosso, nem sempre. Eu, que nunca tive qualquer problema de excesso de peso, não sou excepção a essa preocupação por vezes irracional dos pesos e medidas. Nunca tendo sido "um palito", já que sempre tive algumas formas, sempre fui tendencialmente magra. Sou baixa (1,58m) e nunca pesei 50kg na vida, apesar de sempre me terem dito que seria um peso normal para a minha altura. Mas eu sei, sem por lá passar, que nunca me iria sentir bem com 50kg. Sei, porque o meu corpo iria mudar e é isso que nos dói, ver o corpo mudar. Eu treino (forte, ou pelo menos tento que o seja!) regularmente e tenho uma alimentação cuidada diariamente e isto já trouxe resultados bem diferentes ao meu corpo, com oscilações de peso (quase sempre para baixo, excessivamente para baixo) e sobretudo de forma corporal, acima de tudo porque acabei por descobrir que tenho uma facilidade enorme em perder massa gorda. Há cerca de 1 ano atrás estaria com pouco mais de 47kg e excessivamente "seca". Sentia-me cheia de energia e em forma, mas visualmente, e hoje consigo admitir isso, não estaria no meu melhor. Parando para pensar, era fácil perceber que o tipo de treino que fazia não era o mais indicado para mim: demasiadas aulas de Grit (treino intervalado de alta intensidade) eram o problema principal. Queimava demais e a minha alimentação não repunha os gastos. Bastou mudar o tipo de treino, apostar no treino muscular e nas cardas pesadas (que eu adoro!), reduzindo drasticamente os treinos de alta intensidade (mas sem abandonar!!!) para uns meses depois ver os resultados. Hoje peso pouco mais de 48kg (não é grande diferença eu sei), tenho uma massa gorda vergonhosamente baixa, sim, mas uma massa muscular e resistência muscular/força bem apetecível para alguém que até há meia dúzia de anos nunca gostou de se mexer muito. Continuo a ter um IMC nos limites inferiores, precisaria de ganhar massa gorda, mas, e é aqui que quero chegar, o meu corpo mudou, "cresceu", ganhou formas diferentes. Sendo mulher, e mulher com dias em que ninguém me atura, tenho fases em que facilmente sou assaltada pelo pensamento ridículo de "estou a ficar gorda", "tenho estas pernas muito grossas" e por aí fora... o que não é verdade! Eu tenho pernas de quem carrega bem sempre que há pernas para treinar. Tenho pernas diferentes, mais rijas, mais definidas, mas nunca gordas (e com muito menos celulite!!!). Tenho "o umbigo colado às costas" porque tenho abdominais definidos (so proud!!!) e tenho uns bracinhos que apesar de continuarem fininhos, ganharam um bom tamanho no bicep e tricep. Tenho hoje um corpo que não é perfeito, que não agradará a muita gente, que em alguns dias nem a mim agrada, mas que é um corpo que é meu, trabalhado e cuidado por mim. E para mim. Tudo isto porque estamos em pleno Verão e o que mais há são corpinhos à mostra, uns com mais vergonha que outros, mas o importante é sermos capazes de nos valorizarmos e nos aceitarmos, sem nunca perderemos a vontade de cuidarmos de nós e querermos ser todos os dias uma melhor versão de nós mesmos e sem nunca esquecermos que nada, NADA, se consegue de um dia para o outro. O nosso corpo é só nosso. Tem de ser cuidado e gostado por nós. Dias difíceis todos temos e sempre vamos ter. Insatisfações vão-nos acompanhar toda a vida, mas enquanto formos capazes de um pensamento racional, valorizemos cada conquista e acima de tudo as coisas que realmente importam na vida. Posto isto, bons treinos. Melhor alimentação. E muitos sorrisos.

Regressar às rotinas...

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'Procurar uma resposta, mas as respostas são perguntas mortas. São as perguntas que nos fazem mexer. As certezas fazem-nos parar. As perguntas são a porta da rua. Quando nos interrogamos, quando duvidamos das nossas paredes, é porque estamos a passar pela porta. O facto de nos espantarmos com o que se passa à nossa volta é sinónimo de vida. Os cemitérios estão cheios de pessoas que se espantam com nada.'

(Afonso Cruz, Para onde vão os guarda-chuvas?)

 

Duas semanas de férias foi o tempo que tive para recuperar baterias, acalmar a alma e enchê-la de tudo aquilo que nos dá força para continuarmos diariamente em frente e a subir. Não sinto que esteja com a carga completa, mas conhecendo-me como me conheço vou em frente e a subir, ainda que alguns dias os sorrisos possam ser mais forçados e a garra precise de alguns empurrõezinhos.

A todos os que regressam ao trabalho amnhã, força para nós!

A todos os que iniciam as suas férias, aproveitem a vida!

Para todos os outros, e porque amanhã é segunda-feira, muita garra nisso!

Luta. Luto. E vida.

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Este fim-de-semana, enquanto sorriamos e aproveitávamos o melhor da vida entre mergulhos de mar e piscina, muitas vidas, demasiadas vidas, chegaram ao fim. O mesmo calor que nos fez felizes foi o calor que matou dezenas de seres humanos mesmo ali ao nosso lado (no meu caso, a pouco mais de 20km do local onde desfrutava da vida e amaldiçoava o facto de 2a feira estar à porta e ter de voltar à rotina). Acho que todos nós temos o direito de nos questionarmos como é que isto foi possível. Pode até ser muito fácil apontar o dedo e encontrar supostos culpados. Podemos e devemos perceber o que corr u mal para evitar algo semelhante no futuro. Mas o que não podemos com toda a certeza é recuperar as vidas que se perderam de forma tão estúpida e desumana. Falamos em terrorismo. Falamos do mal que o homem consegue fazer ao homem. Mas de repente o fogo vem e leva tudo. Tudo. Tudo o que temos. Tudo o que somos. Não há palavras que possam explicar o sofrimento que por estes dias se vive em Portugal. Não há gestos que apaguem as imagens que nos chegam. Não há dinheiro algum no mundo que minimize as feridas abertas. Não há milagre algum que traga aquelas pessoas das cinzas. Só nos resta transmitir toda a força do mundo a quem dela precisa. Só nos resta acreditar que algum deus, alguma fé, algo, conseguirá reconfortar corações ardidos. Só nos resta esperar que onde quer que estejam, estejam em paz e descanso. E, acima de tudo, por aqueles que partiram, só nos resta viver intensamente enquanto por cá estamos. Porque num instante pode tudo terminar. UM BEM HAJA PARA TODOS AQUELES QUE POR ESTES DIAS PRATICAM O BEM NO NOSSO PAÍS E FAZEM PEQUENOS MILAGRES QUE SALVAM VIDAS.

Aquilo por que vale a pena viver

Calculo que não tardarás a regressar à universidade em Tóquio - declarou Midorikawa num tom calmo. - À vida real. Aproveita-a ao máximo. Por muito superficial e que monótona que a vida possa ser, vale a pena tirar partido dela, garanto-te. Olha que não estou a ser irónico nem contraditório. Simplesmente, no meu caso, o que a vida tem de bom transformou-se num fardo, e não consigo aguentar mais. Se calhar, não nasci talhado para isso. E então, como os gatos que sabem que vão morrer, procurei refúgio num lugar escuro e sossegado, onde espero tranquilamente que chegue a minha hora. Nem sequer me queixo. Mas contigo é diferente. Tu deverás ser capaz de aguentar o peso desta vida. Utiliza o fio da lógica para guardar junto a ti, no teu corpo, o melhor que puderes, aquilo por que vale a pena viver.

Haruki Murakami, A Peregrinação do Rapaz sem Cor

Relativizar, para uma vida mais fácil de ser vivida

   No início do mês fomos a um concerto dos The Gift na Casa da Música (fantástico, como sempre, by the way!!!). Ao regressarmos ao carro fomos surpreendidos por um vidro partido. Toda a alegria e satisfação de uma noite bem passada a dois foi imediatamente esquecida e substituida pela surpresa, pelo desânimo e pela raiva, sobretudo por parte do meu Mr. Big, que lhe viu roubados o computador profissional, discos externos, pens e cadernos carregados de informação e trabalho. Ele insultou, disparatou, vociferou, amaldiçoou e centralizou toda a sua energia e pensamentos para aquele acontecimento negativo, sobrevalorizando-o, digo eu agora.

   Saimos de casa animados, divertimo-nos imenso durante o concerto, acabamos a noite (ou começamos o dia seguinte!) na esquadra e a fazer telefonemas para linhas de atendimento de bancos e afins para cancelar acessos a contas e senhas. Regressamos a casa. Deitamo-nos na cama. Dormimos pouco. Acordamos e seguimos com a nossa vida, ele bem mais devagar. Hoje, menos de 1 mês depois, já não falamos disso.

   Há uns dias centenas de pessoas foram assistir a um concerto da Ariana Grande na Arena de Manchester. Divertiram-se imenso, cantaram, dançaram, aproveitaram o melhor da vida. No final foram surpreendidos por um bombista suícida. Muitas pessoas não regressaram a casa nessa noite. Muitas pessoas acordaram no dia seguinte numa cama de hospital e ainda não puderam seguir com as suas vidas.

   22 pessoas nunca mais regressarão às suas casas...

  

   A vida pode ser mesmo isto: num momento estamos aos saltos e aos berros num concerto e no momento seguinte estamos de rastos ou nem sequer estamos. Como se não bastasse uma vida que consegue ser tão surpreendentemente fantástica de ser vivida como devastadora e cruel, ainda temos criaturas que vivem para matar, e da forma mais cruel possível. Nós perdemos um vidro e uma data de material importante. Eles perderam a vida. Posto assim, só temos que nos envergonhar por qualquer desanimo ou insatisfação com a vida que nos partiu um vidro. Podia ter sido tão pior.

   Pensar no poderia ter sido, mais do que amaldiçoar o que foi, é um exercício que devemos ser capazes de fazer sempre que algo nos corre menos bem. É um daqueles exercícios que me obrigo a fazer sempre e no qual me sinto orgulhosamente bem treinada. Naquela noite do vidro partido, fartei-me de repetir para uma pessoa que eu sei que não me ouvia, "deixa para lá, podia ter sido pior, estamos aqui, estamos bem, os nossos estão bem, deixa para lá, já passou...". Provavelmente ele já não me podia ouvir, mas a realidade era aquela! Podia realmente ter sido pior. Podia ter sido pior. É isto que temos de ser capazes de pensar. Porque podiamos simplesmente já cá não estar para pensar no que podia ter sido...

   A vida é tão curta, tão cheia de ratoeiras, tão cheia de provações e gente má, para quê tornar tudo ainda mais pesado? Estamos cá para viver, não para atirar as mãos ao céu e lamentar. Estamos cá para viver. Enquanto nos deixarem.

 

(Que todas as vítimas da maldade humana possam um dia encontrar o descanso e a paz merecidas. E que quem por cá fica saiba viver uma vida que merece ser vivida.)

Não deixes...

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Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco, sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos. Não te deixes vencer pelo desalento. Não permitas que alguém retire o direito de te expressares, que é quase um dever. Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário. Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo. Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta. Somos seres cheios de paixão. A vida é deserto e oásis. Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história. Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua: tu podes tocar uma estrofe. Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre. Walt Whitman

O bem que Salvador Sobral fez ao país

Não vou escrever sobre o Salvador Sobral ou a sua música, afinal gostos não se discutem, música cada um ouve a que gosta e acima de tudo, já chega de posts e mais posts sobre o rapaz e aquilo que ele canta.

Portugal ganhou pela primeira vez o Festival Eurovisão da Canção. Isto é que interessa. Não interessa se foi o Salvador, a Luísa, o Zeca Afonso ou o Quim Barreiros. Foi Portugal quem venceu o Festival Eurovisão da Canção. É a importância deste reconhecimento internacional que importa para um país como o nosso, que apesar de já ter descoberto mundos, vive há demasiados anos na sombra e na pequenez do "só de nós ninguém quer saber".

Portugal tem mostrado ao mundo que existe e que sabe o que faz. Não nos faltam exemplos: temos um nobel da literatura, temos o melhor jogador de futebol (e de futebol de salão) do mundo, fomos campeões da Europa, temos a cidade eleita o melhor destino europeu, temos das melhores praias do mundo, temos cérebros fantásticos a produzir conhecimento, temos Emmys... independentemente dos gostos pessoais ou do fato de considerarmos justo ou não cada título que temos conquistado, o que estes prémios e reconhecimentos nos têm de ensinar é que nós, portugueses, sabemos fazer e sabemos fazer muito bem. O Presidente da República felicitou Salvador Sobral dizendo que "quando somos muito bons, somos os melhores", e eu acrescento que quando somos muito bons e acreditamos no que valemos, fazemos diferente, e somos os melhores. E é só isto que interessa: nós, que não estamos (ou não estavamos!) habituados a ganhar, sabemos ser os melhores.

Salvador Sobral cantou que talvez pudesse amar pelos dois. Eu cá acho que cada conquista de um Português é um forma de amor, não pelos dois, mas por todos nós, portugueses, os melhores em tanto.