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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Não deixes...

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Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco, sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos. Não te deixes vencer pelo desalento. Não permitas que alguém retire o direito de te expressares, que é quase um dever. Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário. Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo. Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta. Somos seres cheios de paixão. A vida é deserto e oásis. Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história. Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua: tu podes tocar uma estrofe. Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre. Walt Whitman

O bem que Salvador Sobral fez ao país

Não vou escrever sobre o Salvador Sobral ou a sua música, afinal gostos não se discutem, música cada um ouve a que gosta e acima de tudo, já chega de posts e mais posts sobre o rapaz e aquilo que ele canta.

Portugal ganhou pela primeira vez o Festival Eurovisão da Canção. Isto é que interessa. Não interessa se foi o Salvador, a Luísa, o Zeca Afonso ou o Quim Barreiros. Foi Portugal quem venceu o Festival Eurovisão da Canção. É a importância deste reconhecimento internacional que importa para um país como o nosso, que apesar de já ter descoberto mundos, vive há demasiados anos na sombra e na pequenez do "só de nós ninguém quer saber".

Portugal tem mostrado ao mundo que existe e que sabe o que faz. Não nos faltam exemplos: temos um nobel da literatura, temos o melhor jogador de futebol (e de futebol de salão) do mundo, fomos campeões da Europa, temos a cidade eleita o melhor destino europeu, temos das melhores praias do mundo, temos cérebros fantásticos a produzir conhecimento, temos Emmys... independentemente dos gostos pessoais ou do fato de considerarmos justo ou não cada título que temos conquistado, o que estes prémios e reconhecimentos nos têm de ensinar é que nós, portugueses, sabemos fazer e sabemos fazer muito bem. O Presidente da República felicitou Salvador Sobral dizendo que "quando somos muito bons, somos os melhores", e eu acrescento que quando somos muito bons e acreditamos no que valemos, fazemos diferente, e somos os melhores. E é só isto que interessa: nós, que não estamos (ou não estavamos!) habituados a ganhar, sabemos ser os melhores.

Salvador Sobral cantou que talvez pudesse amar pelos dois. Eu cá acho que cada conquista de um Português é um forma de amor, não pelos dois, mas por todos nós, portugueses, os melhores em tanto.  

Silêncios contemplativos

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Marta era dada a silêncios contemplativos, a momentos nos quais nada cá fora parecia corresponder ao que ela, lá dentro, nutria, apaixonada; durante esse tempo limitava-se a olhar para um sítio imediatamente atrás das coisas que fixava com a retina e deixava que o interior e o exterior, com o tempo, voltassem a harmonizar-se na mesma frequência disposicional.

(Autismo, Valério Romão)

Liberdade

 

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  Nós, que crescemos e vivemos num tempo livre e muitas vezes até sem regras, esquecemo-nos demasiadas vezes do quão importante é essa coisa chamada liberdade, em qualquer uma das suas vertentes. Da liberdade de expressão à liberdade de pensamento e acção, importa não esquecer os sortudos que somos por podermos escolher a vida que queremos viver, a história que queremos contar. Mais do que homenagear ou lembrar quem lutou pela nossa liberdade, foquemo-nos em fazer essa luta valer a pena, todos os dias, para cada um de nós. Viver uma vida plena e que faça jus à nossa essência é a melhor forma de o fazermos. Aproveitar esta passagem por cá para espalhar coisas boas e fazer o bem, porque também somos livres no amor e na pegada afetiva que deixamos no mundo. A liberdade dos sentimentos e dos afetos é talvez dos maiores tesouros que possuimos, por isso, de que estamos à espera para amar a liberdade com amor, pela vida, pelos nossos, pelos outros e, acima de tudo, por nós?

   Que na vossa vida haja sempre liberdade para serem felizes!

Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.

(Simone de Beauvoir)

 

Kicking some asses (ou não e de como isso é ainda melhor)

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(Não se deixem enganar pela forma como este post vai começar. É uma profunda reflexão sobre a vida. Prometo!) Uma das coisas que sempre me agradou nas aulas de Body Combat foi a possibilidade de, mais do que noutras aulas, exorcisarmos as nossas frustrações e raivas acumuladas naqueles socos e pontapés esquizofrénicos, é certo, mas muito reconfortantes. Na última aula, a professora gritou o clássico "imagina a cara daquela pessoa que mais vos chateia à vossa frente e dá-lhe com força". Eu sou pessoa que gosta de treinar pra valer e por isso imaginei com muita força a cara que estava ali à minha frente e... não consegui parar de sorrir quando percebi a resposta. Nada. Nenhuma. Continuei a ver apenas e só as costas da colega que treinava à minha frente. E foi ali, e é aqui que se isto se torna a profunda e séria reflexão sobre a vida, numa aula de Body Combat, ao som de "Work it out " dos Netsky (bom som, by the way), a dar murros esquizofrénicos com muito power, que eu percebi que neste momento não há nada nem ninguém que me ponha fora de mim, que me roube o sorriso, ou que me faça ter vontade de espancar alguém e ainda o atirar de um penhasco abaixo. Pode parecer banal, mas já perceberam a importância real e o peso de nos sentirmos genuinamente bem com a nossa vida? Quantas vezes o conseguimos? Quantas pessoas o conseguem? Durante quanto tempo conseguimos viver nesta plenitude? Não devemos aproveitar ao máximo cada momento em que nos sentimos cheios de nós e de vida? Eu sei que tudo muda num repente. Eu sei que amanhã é incerto. Eu sei que isto não é um estado permanente. Mas parar 1segundo que seja para perceber que neste momento a vida que vivemos nos enche a alma e o coração e que, mesmo nos dias mais cinzentos-pérola, conseguimos gerir os problemas e as emoções de forma a não deixarmos que isso afete o nosso bem-estar e o nosso sorriso dá-nos esperança de que afinal isto de viver pode realmente ter coisas muito boas. Conclusão: não encontrei cara para os meus socos, mas "soquei" na mesma com muita garra e determinação, assim só para afastar possíveis ladrões de vidas (e ficar com uns braços e uns abdominais ainda mais fortes!).

De cada dia, para todas as noites

Normalmente, a sua mente era como uma praia apinhada de gente - durante todo o dia, andava a correr de um lado para o outro, deixando pegadas, construindo pequenos montes e castelos, anotando ideias e diagramas com os dedos na areia, mas, quando a maré da noite subia, ela fechava os olhos e permitia que cada onda de rítmica respiração lavasse a acumulação do seu dia e, em pouco tempo, a praia ficava limpa e vazia, e ela conseguia adormecer.

«Anna e o Homem - Andorinha», Gavriel Savit

Sim. Isto é um post sobre o dia dos namorados

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Nunca fui propriamente uma pessoa romântica. Tive os meus devaneios, os meus sonhos, os meus momentos "aiiii, que lindo", mas nunca fui aquela pessoa de dizer amo-te a cada 5min, muito menos de fazer surpresas ou grandes programas romantico-lamechas. Mas a vida, os anos, a maturidade, e aqui entre nós que ninguém nos ouve, o mau feitio, tornaram-me muito mais distante e repelente dos grandes gestos de amor. Dias como o de hoje nunca me motivaram e agora encaixo-os na categoria das maiores pirosices e palermices que o calendário anual nos oferece. Chego a considerar deprimente e rídiculo as coisas que se fazem e se dizem neste dia, já para não falar na quantidade assustadora de dinheiro que se gasta em presentes neste dia. Felizmente a vida premiou-me com um namorado que respeita estas minhas manias (não me livrei de presentes no primeiro e segundo ano, mas depois consegui domesticá-lo!), apesar de ele ser uma pessoa extremamente afectuosa e até romântica e que eu sei que gosta de me mimar com presentes. Para mim, ou para nós, faz muito mais sentido marcar e festejar "o nosso dia de anos de namoro", porque essa sim será sempre uma data especial para nós e apenas para nós. De maneira que para mim (para nós) hoje foi mais um dia normal da semana. Sem gestos especiais, sem mensagens lamechas, sem flores, prendas ou jantares românticos. Uma relação que precisa disto e de gestos bonitos em dias calendarizados no mundo inteiro para sobreviver não é uma relação que valha a pena viver. Um amor que se alimenta no dia 14 de Fevereiro e é esquecido nos restantes 364 dias não é um amor que mereça ser amado. Porque o amor tem de ser diário, tem de estar nas pequenas coisas e acima de tudo surgir e manter-se naturalmente na nossa vida. Tem de fazer parte de nós de forma tão intrínseca que não precisa de datas para ser lembrado. O amor é a vida inteira, o corpo inteiro, o ano inteiro, a cada dia, todos os dias; e não uma sucessão de coraçõezinhos vermelhos espetados em vasos e afins num dia marcado, com mesa e hora marcada. Nestes dias vêm-me recorrentemente à cabeça as palavras mais sábias que alguma vez ouvi sobre o amor. Dizia o Dr. Pinto da Costa, no meu último ano de licenciatura, durante uma aula de psicologia forense, que os jovenzinhos apaixonados deveriam escrever as palavras I Love You dentro de cérebros e não de corações, porque o amor é e tem sempre de ser racional, começar e acabar no nosso cérebro e ser comandado por ele. É cérebro que nos faz amar, que nos ensina a amar. E também é o cérebro que nos ensina a valorizar o que é realmente importante nesta vida. Haja amor. Todos os dias. Sempre.

1 de fevereiro 2017

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A 1 de Setembro de 2015 iniciei aquele que foi até hoje o meu maior desafio profissional: o de diretora técnica de um dos nossos centros sociais, felizmente o mais pequeno, apenas com a valência da 3a idade. Os primeiros tempos não foram fáceis para mim: não aceitei bem a mudança, não encarei bem a equipa e fui cheia de receios relativamente ao meus desempenho e ao futuro daquele centro, que estava a passar por uma fase menos boas em termos de ambiente e até financeiramente. Não desisti, adaptei-me, conformei-me e a dada altura percebi que as coisas começavam a rolar e que até se poderia fazer ali um bom trabalho. Com todas as expectativas, o centro cresceu muito, ficamos com casa cheia, passamos do prejuízo a um dos mais lucrativos e eu entreguei-me de alma e coração aquilo. Foi assim que consegui mudar aquele centro, aquela equipa e aqueles idosos. Conseguimos ser equipa, desde a empregada de limpeza até à diretora técnica e isso refletiu-se nos números e nos sorrisos, nossos e dos nossos idosos. Talvez fruto deste sucesso diário, há algum tempo que se manifestava uma vontade da chefia em me dar uma "casa maior". Sim, eu sou ambiciosa, sim eu quero chegar mais longe, sim eu gosto de fazer mais e melhor, mas sinceramente uma ano e três meses não era para mim o tempo suficiente para eu mostrar tudo o que podia fazer por aquele centro. Não agora, que estávamos melhores que nunca, que a equipa estava super motivada e eu completamente absorvida por aquele trabalho, aquele grupo de idosos e familiares e aquela equipa. Criei laços e relações como nunca e nesta área em que trabalho esta é a maior ferramenta de trabalho e de sucesso. Mas já diz o ditado "ano novo, vida nova", só nunca pensei que no meu caso a vida nova chegasse tão cedo. E assim, a 1 de Fevereiro de 2017, volto a aceitar o maior desafio da minha vida profissional: ser diretora técnica de um dos nossos maiores centros sociais, desta vez com uma população que vai dos 6 meses aos 100 anos e uma equipa enorme. É um desafio gigantesco que eu estou a tentar encarar como uma voto de confiança, uma espécie de promoção e uma oportunidade de crescimento pessoal e na minha carreira. Andei não cheguei à parte da aceitação de tudo isto, até porque a mudança aconteceu depressa demais e há todo um luto que preciso de fazer de tudo aquilo que fiz até hoje e de todas as relações que criei e ficaram para trás. Amanhã começo uma nova etapa da minha vida profissional. Vou com medo. Vou. Não tanto de falhar mas mais de não me adaptar, de não me encaixar e de não sentir aquilo como meu. É sempre esse o meu receio nas mudanças: não me sentir bem comigo. Mas vou com fé, com vontade de aprender , com vontade de fazer o melhor. Acima de tudo vou de coração cheio por tudo o que consegui até hoje com o que fiz durante estes cerca de 16meses. Se há coisa que estes dois dias de despedida me deram foi a nítida certeza de dever cumprido. Quer do ponto de vista profissional quer do ponto de vista emocional. Criei afetos durante 16meses e essa foi talvez a minha maior arma. Hoje dói saber o que deixei para trás, mas saber que a minha saída tocou tanta gente é a maior prova de sucesso que eu poderia ter. E agora é confiar. Vergar mas não quebrar e ir.

Mudanças que nos mudam

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E as coisas só nos matam quando nos entregamos a elas ao ponto de ser terrivelmente doloroso largá-las. Dias difíceis são estes em que percebemos que há coisas e pessoas que vão sentir a tua falta tanto como tu delas; dias em temos de romper laços, guardar só o que é de guardar e continuar a sorrir. Por ti, por eles e pelo que está para chegar. #confia

Ventos de mudança...

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Fevereiro está a chegar e vai trazer mudanças na minha vida. 

E eu sei que temos de ver ser o lado positivo de todas as coisas e esta até tende a ter um elevado grau de positividade, mas é uma mudança e todas as mudanças exigem adaptação, aceitação, abandono e coragem. Eu ainda não cheguei à fase da aceitação total porque, como em todas as mudanças na minha vida, ainda não percebi se me vai fazer sentir bem ou não, se me vai motivar, se me vai deixar dar o melhor de mim...isto, e ainda não ter sido capaz de aceitar o que vou deixar para trás, que tanto trabalho me deu a construir mas de que me tanto me orgulho. O problema de tudo isto é que ainda não aprendi que quanto mais nos damos, mais custa cortar o cordão umbilical...

Haja coragem e força para confiar.