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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Uma vez não conta, uma vez é nunca, mas uma vez é tudo o que parece haver

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Não há, contudo, contudo, nenhum universo em que se viva sem dor e sem beleza. Nenhum universo vazio de flores ou música, nenhum universo onde a felicidade seja fácil, o amor simples, a vida desprovida de peso. Em todos os universos os milhares de milhões de pessoas andam pelo mundo, com os seus sonhos, merda e memórias, incapazes de viver sem imaginar outras possibilidades para a vida, condenados a atravessar os anos sem o dom de voltar para trás e escolher de forma diferente. Uma vez não conta, uma vez é nunca, mas uma vez é tudo o que parece haver. Em todos os universos as vidas vivem-se na certeza de que o seu destino é a morte. Porém, antes que a segunda data fique escrita na campa, antes da cinza às cinzas, do pó ao pó, antes dos familiares de olhos húmidos e cabeças baixas, cada vida cria a sua história única, cada pessoa acumula as suas decisões, gestos, amores, desesperos, epifanias, violências, risos, contradições e entusiasmos numa história única, épica, irrepetível, que deixa para todo o sempre uma cicatriz no cosmos. 

Nuno Amado, "Manual de felicidade para neuróticos"

 

Este é, de longe, a melhor tirada do livro.