Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

As pessoas felizes lêem livros e bebem café (ou sobre a importância de sabermos o que nos faz felizes)

IMG_5586.jpg

Num mundo que corre cada vez mais rápido, saber abrandar é fundamental. Parar para apreciar o que de bom esta vida tem e saber reconhecer aquilo que nos preenche e reconforta a alma é cada vez mais um exercício obrigatório para mantermos os nossos níveis de energia e motivação em alta. 

Se falar é fácil e bonito, pôr isto em prática pode tornar-se um verdadeiro desafio. Julgo que facilmente todos nós somos capazes de identificar uma série de coisas que nos fazem realmente felizes, mas até que ponto somos capazes de realmente parar, desligar, para disfrutarmos dessas coisas? Até que ponto não estamos a fazer essas coisas felizes mas com a cabeça a fugir recorrentemente para lugares comuns e quotidianos? Milhentas vezes, certo? No que me diz respeito, certíssimo! 

Se a idade e a vida me têm ensinado a valorizar cada vez mais e melhor aqulo que realmente importa para mim e faz a diferença nos meus dias, a mesma idade e a mesma vida têm transformado a minha mente e as minhas entranhas numa garrafa de coca-cola que está constantemente a ser agitada. Desligar é para mim atualmente um exercício dificílimo! Pode parecer um contra senso; eu, psicóloga por formação e convicção, eu, que passo os meus dias a dizer "tenha calma, tudo se vai resolver"...mas já diz o ditado, em casa de ferreiro espeto de pau e é bem verdade. Aconselhar é fácil, saber o correto e o errado é possível, aconselhar é maravilhoso, mas quando viramos o espeto para nós é que conseguimos perceber que a teoria é realmente muito bonita. 

O meu esforço é constante e permanente, mas a minha ´ansiosa mente´ não tem remédio. Sou feliz a fazer uma série de coisas; tenho procurado rodear-me daquilo e daqueles que me fazem bem e me acalmam a alma; sei reconhecer quando estou a exagerar; sei que tenho de abrandar mental e fisicamente (a difuculdade que eu tenho e estar parada chega a ser assustadora!); sei isso tudinho, mas a garrafa de coca cola, que não bebo há séculos, continua a borbulhar cá dentro. Talvez também por isto, por reconhecer isto, cada vez valorizo mais a vida e cada vez me foco mais em aproveitar o meu tempo livre a fazer aquilo que mais gosto e me acalma. Dificilmente consigo desligar totalmente, mas algures lá pelo meio há momentos de calmaria! 

Se eu gostava de ser diferente? Gostava! Sou positiva, sou optimista, sei não dramatizar, sei gerir esta mixórdia toda que nos vai cá dentro. Mas também sei que esta minha característica me rouba anos de vida, me rouba sorrisos, me acelera os minutos e o metabolismo (é um facto!) e me faz descarregar muitas vezes em cima de quem não tem culpa nenhuma. Como positiva que sou resta-me acreditar que mais uma vez a vida, as pessoas e a experiência me vão ensinar a ser capaz de passar de garrafa de coca cola a garrafa de água. Entretanto vou continuando a tentar, sem nunca deixar de viver o que me faz feliz! Acima de tudo! O que quer que seja que nos faz felizes é o que tem de ser valorizado, é onde temos de investir o nosso tempo e o nosso dinheiro, se assim for necessário (e, venha quem vier, muitas vezes é necessário), seja em mais uma viagem de descoberta ou em 20 min sentada numa esplanada a beber um café e ler um livro. 

Valoriza quanto vales. Sem pudores.

IMG_5265.JPG 

Vivemos num mundo de excessiva valorização do que é material. Não é novidade nenhuma isto; o dinheiro comando o mundo moderno e, por isso, ter tornou-se muito mais importante que ser. Mas também hoje, mais do que nunca, assistimos a fortes incentivos à valorização do "não material". O desprender dos bens materias está na moda, os retiros espirituais em Bali estão na moda (e custam balúrdios, by the way, só para contrabalanças as coisas), o yoga e toda a sua filosofia de bem com a vida está na moda (nada contra, o yoga é provavelmente dos hábitos passados que abandonei de que mais falta sinto!), a meditação está na moda, vender a roupa que já não usamos nas redes sociais está na moda... ou seja, há uma forte corrente no sentido de nos ensinar a viver com menos, mas a viver mais.

   Eu gosto de ter. Ou de poder ter aquilo que gostaria de ter. Não sou excessivamente materialista, sou relativamente poupada, não sonho com marcas ou smartphones de última geração, mas gosto de ter as minhas coisas, os meus caprichos. Gosto de poder comprar uma peça de roupa que gosto, gosto de poder esbanjar/investir pequenas fortunas em livros e na minha alimentação "diferente", gosto de ir ali ao site da Ryanair e marcar uma viagem de um dia para o outro (posso fazer uma pausa para?). Gosto. Ponto. E não me envergonho. Felizmente a vida e a idade (maldita idade que tem as costas largas para tudo!) têm me ensinado a, não me armando em fundamentalista, valorizar muitos mais momentos do que coisas, afinal, são os momentos que vivemos, sejam eles bons ou menos bons, que nos tornam pessoa e que fazem esta passagem por cá valer realmente a pena.  

   Ora e este discurso toda sem nada de novo para quê? Por isto: hoje fui informada pela chefia que, como forma de reconhecimento pelo meu bom trabalho e pela forma positiva como agarrei o desafio que me foi lançado de assumir funções de coordenação há mais de 2 anos, o meu ordenado será aumentado (calma, ainda não vou poder fazer um retiro espiritual em Bali). 

   Todos nós gostamos de ser reconhecidos pelo esforço e dedicação diárias nas nossas funções, certo? Eu costumo dizer que o meu maior reconhecimento vem do feedback que vou recebendo dos meus clientes, idosos e crianças, e do bom ambiente de trabalho que consigo ter com toda a equipa que coordeno. E de fato tem de ser mesmo isto a alimentar-nos a alma diariamente. Mas o reconhecimento que vem de quem está a cima de nós também é igualmente importante. Fundamental até! Felizmente posso dizer que tenho tido diversos momentos em que fui superiormente reconhecida pelo meu trabalho, alguns deles públicos até, o que alimenta ainda mais a nossa auto-estima. Não tenho vergonha de o dizer, nem o faço com sentido de gabarolas. Eu faço o meu trabalho o melhor que posso e sei. Nem todos os dias são iguais, nem todos os dias estamos com a mesma capacidade, nem todos os dias sou o exemplo do bom profissional. Mas todos os dias sou o meu melhor. Ter um idoso a dizer "toma lá um beijinho que tu és um amor" é bom. Ter um familiar de um idoso dizer "obrigada por tudo o que fizeram pelo meu pai" é bom. Ter uma mãe no final do ano letivo a dizer "obrigada pela forma como sempre educaram o meu filho" é bom. Ter uma equipa com quem almoço diariamente e com quem partilho momentos de verdadeira galhofa mas que também se sente à vontade para desabafar comigo problemas pessoais é bom. Mas ouvir do presidente do conselho de administração dizer "os bons resultados deste centro devem-se ao excelente trabalho de quem dirige diariamente esta equipa e este serviço" ou "você agarrou os desafios que lhe lançamos e superou as expetativas de todo o conselho de administração" também é muito bom. E ser aumentada como forma de reconhecimento por tudo isto é bom. É muito bom! Hoje eu estou feliz por isso. Sem vergonhas. Sem falsas modéstias.

   Se é isto que me vai arrancar da cama amanhã para mais um dia de trabalho? Também é! Afinal não podemos esquecer que cada gesto de reconhecimento, material ou humano, tem acima de tudo de ser um elemento motivador e o combustível que nos faz querer ser ainda mais e melhor. Fazer aquilo que gostamos e chegar ao final do dia com aquela sensação deliciosa de missão cumprida tem de ser aquilo que nos move, mas, venha quem vier, o dinheiro também nos move. Tudo nesta vida tem um valor. Tudo. Cada um de nós também o tem. E sabe muito bem saber que a partir de 1 de Setembro o meu valor vai ser superior ao de hoje! 

(atendendo à temática, achei que uma foto tirada à porta do Casino de Tróia, encaixava bem aqui...)

 

Amazing things will happen

Porque na realidade o que é preciso é acreditar. Acreditar que o queremos é o certo para nós e que o certo para nós vai chegar. Acreditar que a vida tem uma infinita capacidade de nos surpreender e que pode ser boa. Muito boa até. Acreditar que tudo pode acontecer e que no meio desse tudo coisas, pessoas e momentos fantásticos virão. Às vezes é difícil, às vezes não me apetece, às vezes parece só ilusão, mas na verdade, é a acreditar no lado bom da vida que esta vida vale a pena ser vivida. E nós até só temos esta, por isso porque não acreditar que esta vai ser amazing? E se for preciso, faz como eu: compra um quadro que te lembre diariamente do que por de acontecer!!! Bom fim-de-semana !!!!

Press Play

IMG_4536.JPG

   Amanhã arranca Agosto e eu regresso ao trabalho.

   Pela primeira vez desde que comecei a trabalhar, já lá vão uns anitos, marquei 12 dias de férias seguidos (18 se contarmos com os fins-de-semana) e que bem que me soube. Mais do que nunca estava a precisar disto. Não do descanso físico, que esse eu até dispenso e nem sei lidar com o "estar parada", mas do procurar desligar do trabalho e de tudo o que lhe está associado. Este foi provavelmente o ano em que mais ansiosamente contei os minutinhos que faltavam para o período de "férias grandes" chegar. Os últimos dois, dois meses e meios foram estupidamente desgastantes, psicologica e mentalmente falando, sobretudo, e sentia que estava mesmo mesmo a atingir o meu limite. Eu, que adoro o que faço, ia nos últimos tempos trabalhar por obrigação e com um único pensamento: "mas que raio de problemas vão hoje acontecer?". Acredito que todos passamos por estas fases de absoluta saturação e desgaste em alguns momentos da nossa vida profissional e que a única solução é meter pernas ao caminho e dar a volta por cima, mas confesso que as férias vieram mesmo, mesmo, a calhar neste período.

    E estás pronta para regressar? Pois tenho que estar!

   Não estou propriamente feliz (mas quem é que o está?) e confesso que regresso um pouco apreensiva com o que vou encontrar depois destes 12 dias de completa ausência (palminhas para mim que desliguei o telemóvel profissional quando saí no último dia de trabalho e nem email profissional consultei durante estes dias!). Vou pronta para trabalhar (e eu adoro trabalhar em Agosto, apesar de estar sozinha) mas sinto que não vou na minha carga máxima. Provavelmente o correr dos dias irá dar-me o boost final de que preciso para agarrar novamente as minhass rotinas e responsabilidades, mas muito certamente os primeiros dias serão de muito mau humor (quem não?).

   Quanto as estas férias, foram maravilhosas! Não parei por casa um só dia, bem como eu gosto. Entre uma semana em Marrocos e 3 dias em Setúbal, os restantes dias foram passados por cá a rabiar, como manda a lei e o meu espírito. Foram sobretudo dias leves, sem obrigações, sem complicações e a tentar não pensar em nada de muito sério. Foram 18 dias sem usar maquilhagem, sem calçar uns saltos, sem me preocupar em vestir-me de forma "adulta", sem usar um par de calças (até isto vai custar!)... foram dias bons. Dias muito bons!

   Acho que a idade nos faz isto: ensina-nos a valorizar ainda mais pequenas coisas e a aproveitar ao máximo cada momento da forma mais leve e ligeira possível. Toda e cada pequena coisa deve servir para nos carregar a bateria, nem que seja só um bocadinho de cada vez. É preciso que a nossa alma se saiba alimentar dessas pequenas coisas e guardá-las bem lá dentro, porque são essas pequenas coisas que, todas juntas, nos dão a força que precisamos para viver cada dia!

 

   Para quem regressa ao trabalho amanhã, força nisso, vergamos mas não quebramos! Para quem inicia as suas férias, enjoy it, live it, sem pensar no "ai que isto passa a voar" mas antes no "ai que isto é tão bom!".  

Ir é o melhor remédio: Serra da Arrábida, a paisagem que não precisa de filtros

IMG_5474.jpg

Este era daqueles destinos que já estava na minha lista de "must go places" há algum tempo. Por todo lado se veem fotografias deliciosas das praias da Arrábida e a vontade de ir comprovar in loco que não havia mesmo filtros naquelas imagens maravilhosas. E resumindo já: comprovado e confirmado! A Arrábida é bela demais para precisar de qualquer filtro!

IMG_5392.JPG

    Para tudo ser mais prático optamos por ficar num hotel no centro de Setúbal - escolhemos o Melia Setúbal, que muitíssimo bem nos recebeu e acolheu - e fazer todos os transportes para as praias de autocarro, até porque parte da serra e das praias estão este ano (e muito bem!) interditas ao trânsito. Desde o centro da cidade existem autocarros regulares para a Praia da Figueirinha, a primeira praia da serra. Aí apanhamos o vai-e-vem para as principais e mais procuradas e bonitas praias da Arrábida: Galapos, Galapinhos e Portinho da Árrabida. 

IMG_5427.JPG

 IMG_5510.jpg

   Apesar de serem praias pequenas e muito concorridas, são praias com um ambiente muito agradável e onde se está muito bem. é impossível não ficarmos totalmente rendidos àquela paisagem: o verde da serra e as 500 mil tonalidades de azul do mar, que é, de longe, dos mais belos que já vi e que acredito que faça frente a muitas das fotografias dos mares das Caraíbas e afins que se veem por aí. 

IMG_5395.JPG

IMG_5515.jpg

     Perfeito, perfeito só mesmo se tivesse uma temperatura de água ligeiramente mais agradável, mas apesar de ser bem fresquinho, é um mar tão tão bonito que é impossível não querermos estar o dia inteiro lá dentro (eu, que sou a pessoa mais friorenta para mares que podem conhecer, passei o dia entre toalha e mar!). 

IMG_5416.JPG

IMG_5521.jpg

    Depois desta primeira visita, a Arrábida tornou-se um destino absolutamente obrigatório em Portugal. Dos locais mais bonitos em que já estive e daqueles a que vamos querer voltar vezes e vezes sem conta (pelo menos uma vez por ano vai ter de ser! É bonito demais para me deixar assustar pelos 350km de viagem!). Se outros motivos faltassem, aquelas águas cristalinas eram suficientes para convencer os mais resistentes! Foram só 3 dias, carregados de beleza e sol, mas ficou mesmo a vontade de que fossem muitos mais!

IMG_5587.jpg

IMG_5567.JPG

Aproveitamos também estes 3 dias para ir conhecer a renovada Tróia, que também é um lugar bem simpático, uma espécie de Principado do Mónaco português, assim como explorar um bocadinho a cidade de Setúbal, que apesar de ter ficado ainda muito por conhecer, me pareceu um lugar bem simpático. E onde se come muito bem, diga-se de passagem! 

 

 

 

Ir: SAIDIA, Marrocos

IMG_5076.JPG

   Viajar é das coisas que mais prazer me dá. Sou adepta do "sapatilhas nos pés, mochila às costas e máquina fotográfica na mão" e siga descobrir mais um lugar, mas uma vez por ano, no Verão, gosto de me estender de papo para o ar em algum lugar onde haja sol, praia, calor e piscina garantidos, para uma semana de fazer absolutamente nenhum.

   Na altura de escolher o destino procuro sempre locais novos, com uma boa relação qualidade-preço e sem ter de me enfiar horas e horas num avião. Este ano não foi excepção. Ia com uma ou outra ideia na altura de escolher o destino, Marrocos era uma delas. Estudadas as opções e analisados valores e tempos de viagem acho que automaticamente pensei "seja Marrocos"!

   Apesar de eu ser uma apreciadora da cultura árabe (já estive 2 vezes na Tunísia e adorei aquilo tudo!) sabia à partida que em Saidia não ia encontrar Marrocos puro (esse que quero conhecer em breve com uma visita a Marraquexe). Saidia é praia e nada mais. Localizada no norte de Marrocos, a 1h35 de viagem do Porto e bem no Mar Mediterrâneo, Saidia é a nova aposta para o turismo de Verão de Marrocos.

IMG_4940.JPG

Pessoalmente, não me desiludiu.

   A praia, localizada nas portas dos hóteis é bastante boa, com um longo areal e um mar que sendo o Mediterrâneo, o que só por si já é garantia de maravilha, tem uma temperatura muito, muito boa, das melhores que já encontrei até hoje (melhor que Cabo Verde ou que o de Palma de Maiorca, que para mim é uma espécie de "mar dos meus sonhos". Julgo que só na Bulgária entrei num mar mais quentinho!). As temperaturas rondaram sempre os 30 graus, tendo estado acima disso nos últimos 2/3 dias, com noites bem agradáveis também. Apesar de serem temperaturas quentes, junto ao mar são completamente toleráveis e como a temperatura da água é tão agradável, é fácil não sairmos da água!

IMG_4531.JPG

   Quanto ao alojamento as opções não são muitas, mas todos os hóteis funcionam em regime de tudo incluído. Optei pelo Be Live Collection Saidia, e não me arrependo. Um hotel grande, perfeitamente enquadrado com a paisagem africana de marrocos, com muito espaço exterior e grandes piscinas, com acesso direto à praia. Os quartos eram bem grandes e todos os espaços do hotel eram bastante simpáticos. Não foi o melhor hotel onde já estive, é certo. Mas vamos lá ver uma coisa, aquilo é Marrocos, África, destino relativamente recente, não podemos colocar todos os destinos no mesmo patamar de qualidade. É certo que o último hotel TI em que estive, o Riu Palace na Ilha do Sal em Outubro do ano passado era bastante superior a este em tudo, mas não paguei o mesmo valor lá que paguei em Marrocos, nem de longe, de maneira que na tal relação qualidade-preço, este hotel (e este destino) não deixa nada a desejar. Um TI no Algarve fica bem mais caro que este, sem contar com viagens e portagens e não é em nada superior a este hotel onde fiquei. 

IMG_4936.jpg

    Para mim, o único ponto menos positivo neste hotel é a alimentação. É certo que eu não sou a pessoal ideal para avaliar o tipo de alimentação dos hotéis; tenho noção das minhas escolhas alimentares e de que isso limita muito a minha satisfação com os alimentos existentes. Mas de facto, para mim, este foi o aspeto que menos me agradou. O pequeno-almoço, especialmente, que para mim é a melhor refeição do dia e que nos hóteis é a melhor parte, neste hotel era um pouco limitado (passei 7 dias a ovos mexidos e pão torrado). Nas refeições principais faltava-lhe mais peixe e mais opções grelhadas, para além de que tudo era ligeiramente condimentado, nao propriamente salgado ou picante, mas condimentado, não estivessemos nós em Marrocos! De maneira que me vingava nas saladas (aqui sim várias opções) e juntava-lhe sempre a carne ou peixe mais básicos que encontrasse. Mesmo assim não me livrei que o meu organismo rejeitasse estas alterações alimentares e passei uns maus bocados. Basicamente, não passei fome, mas regressei com um peso absolutamente vergonhoso e assustador. 

   Ah! Para os apreciadores de doces, não falta por lá nada, desde o pequeno-almoço, refeições principais e snacks! Não me perguntem se são bons porque nem um provei! 

IMG_4511.JPG  

  Um apontamento bastante positivo sobre este destino e este hotel: a simpatia das pessoas, a animação do hotel (música e atividades durante o dia inteiro na piscina) e a quantidade de pessoas que falavam português!!! Foi provavelmente o único destino onde quase todos os locais sabiam falar português e no hotel não havia qualquer problema em comunicar porque todos nos percebiam! 

   O facto de ser um destino que recebe uma quantidade enorme de portugueses atualmente justifica o domínio da língua, mas mesmo assim é de louvar. De facto, nunca estive de férias num local com tantos portugueses! Nem no Algarve faço férias com tantos tugas, acreditem! Portugueses, espanhóis e árabes dominam o turismo por ali, o que torna muito giro de se ver o constraste de culturas, com os europeus (as!!!)  a passearem-se todo o dia praticamente despidos e as mulheres árabes a banharem-se literalmente vestidas da cabeça aos pés. 

   Provavelmente este é mais um dos motivos que torna este destino interessante: conseguimos sentir o choque cultural, mas também conseguimos apaixonarnos por esta cultura e este povo, que são tudo, tudo mesmo, menos os extremistas religiosos que ultimamente têm dominado esta cultura. Facilmente encontramos marroquinos que condenam totalmente esses comportamentos e que defendem até a aceitação de todas as diferenças culturais e religiosas, e a prova disso é que estavamos ali todos juntos. Todos diferentes, mas todos juntos, a dançarem, a cantarem, a bronzearem-se lado a lado, sem qualquer sinal de constrangimento ou repulsa. 

IMG_5101.JPG

   Conclusão: recomendavas Saidia? Claro que sim! Voltavas? Claro que sim! 

   Se querem conhecer Marrocos, este não é o local ideal. 

   Se querem boa praia, muito bom mar, bom hotel e papo para o ar sem fazer absolutamente nada durante uma semana mas sem darem pelo tempo passar, então Saidia não vos vai desiludir! 

   

Boas férias!!!!

IMG_4711.JPG

 

 

LER: Romain Puértolas

IMG_4341.JPG

 

O primeiro livro de Romain Puértolas que li, em 2015 (!!!) foi precisamente aquele que agora chegou aos cinemas: a incrível viagem do faquir que ficou fechado num armário do IKEA. Nunca tinha ouvido falar deste escritor, que na verdade não é nada falado no nosso país, mas o título do livro captou a minha curiosidade (quantos livros não compramos só porque o título ou a capa nos tocam de alguma forma?). Foi um livro que simplesmente adorei. Do princípio ao fim um registo de comicidade inteligente absolutamente deliciosa que torna um livro leve mas viciante. Lembro-me de ter recomendado este livro a uma data de pessoas e de que uns tempos mais tarde, na feira do livro do Porto, num balcão que o vendia, uma Sra pegava nele e comentava "olha que título engraçado. Será bom?" E eu não ter controlado um "leve, é muito giro, muito bom mesmo".

Na altura não havia por cá mais nada editado deste escritor, mas no verão do ano passado eis que chega o Re-viva o imperador, com uma capa mais uma vez super apelativa e novamente um livro carregado de humor inteligente e igualmente delicioso, numa história de um Nápoleão descongelado e regressado à Franca atual.

Eis que recentemente soube da existência deste terceiro livro do escritor editado em Portugal. Num registo completamente diferente dos dois anteriores, esta menina que engoliu uma nuvem do tamanho da torre Eiffel é ternura do princípio ao fim. O humor continua presente, o toque de "isto é ridículo mas se fosse verdade era engraçado" característico dos dois anteriores livros também lá está, mas este livro é sobretudo uma história de amor sem fronteiras, uma espécie de conto de fadas cheio de esperança e capacidade de sonhar.

Isto tudo para vos dizer que Romain Puértolas tem de fazer parte da vossa biblioteca. Isto para vos pedir que leiam Romain Puértolas. Agora que um dos seus livros foi adaptado ao cinema decerto que mais facilmente encontraremos os seus livros à venda, mas Puértolas merece ser lido muito antes de se tornar filme (até porque tenho a certeza que o livro é mil vezes superior!), porque é um escritor que nos sabe pôr a rir com palavras, sem esquecer de nos deixar um toquezinho de moral da história no final de cada um dos seus livros. 

Sei que existe um quarto livro deste escritor, mais recente, cujo título original é "Tout un eté sans facebook" e mal posso esperar por o ver traduzido para português! 

 

Sanidade

Sabes qual é a diferença?, continuou. É que, nos tempos de Cervantes, um homem como o fidlgo de la Mancha não era internado num hospital e medicado até ficar a babar-se num sofá com a l+ingua de fora. Podiam chamar-lhe louco, mas era livre de acreditar em si próprio. Já reparaste que vivemos, deste lado do mundo, em torno de um mito construído em contradição com o que vulgarmente se define por "sanidade"? Um homem crucificado, mortinho da silva, que ressuscita ao fim de três dias! Aí está a tua sanidade, a tua devastadora contradiçõ. Desafio qualquer um a explicar-me que raio é isso da loucura. (...)

(...)

Sanidade, vociferou. Milhares de pessoas de joelhos rumo a Fátima, ou a Nossa Senhora de Guadalupe. Séculos de carnificinas em nome de um deus ou de outro, não importa. Cultos pejados de celebridades que acreditam em ficção científica. E nós no meio disto, reduzidos à conivência, não vá aquilo que pensamos desta farsa incomodar o vizinho. Temos de ser fortes, é o que dizem. Resisitir à tristeza, à melancolia. Construir diques para nos protegermos dos sentimentos. Esconder os doentes da cabeça nos manicómios. è preciso andarmos em filinha, caladinhos, a toque de caixa, ao ritmo que eles querem. Para terem a certeza de que nunca nos ergueremos acima desta vulgaridade.

 

"Ensina-me a voar sobre os telhado", João Tordo 

Have a lovely week

IMG_3045.JPG

Porra, disse eu, quase a gritar, e que tal para poderes respirar? E sentires o calor do sol, e o frio da noite, e saboreares um fruto, e poderes olhar para as estrelas e perguntares-te que raio andamos aqui a fazer, e sentires medo e dúvida e esperança e aquelas coisas todas que as pessoas que as pessoas sentem quando não estão fechadas nas suas cabeças a tentar resolver uma equação impossível? E que tal isto tudo? Não te serve? Nada disto te chega?

João Tordo, «Ensina-me a voar sobre os telhados»

#lugares: O Porto dos Gatos

IMG_1993.JPG

   Abriu no Porto o primeiro "cat cafe". Sendo eu uma catlover assumidíssima, não podia deixar passar mais um fim-de-semana sem ir conhecer esta maravilhosa iniciativa.

   Trata-se de um espaço vegetariano, onde servem almoços ou lanches, no qual as estrelas principais são, claro, os gatos. Dividido em 3 espaços diferentes: a zona de "restauração", uma simpática esplanada e o "quarto dos gatos", este espaço promete fazer as delícias de quem adoro os felinos.

IMG_1982.JPG

IMG_1988.JPG

IMG_1989.JPG

IMG_1995.JPG

IMG_1996.JPG

IMG_2008.JPG

IMG_2011.JPG   Todos os espaços são bastante acolhedores e decorados com muito bom gosto e sabe mesmo bem estar por ali e saber que nos podemos levantar e ir brincar com os gatos sempre que nos apetecer, ou, se nos sentarmos na esplanada, lancharmos com um amiguinho aos nossos pés! 

   Aplaudo de pé esta iniciativa. Não só pela maravilha que é tomar um café com um gato ao lado, mas sobretudo porque ali acolhem-se gatos que doutra forma poderiam estar na rua. Costumo dizer em jeito de brincadeira que o meu projeto de "fim de carreira" é juntar num mesmo espaço livros, café, gatos e cultura, por isso este cat cafe na minha cidade veio mesmo a calhar para me inspirar os sonhos! 

IMG_1981.JPGIMG_1990.JPGIMG_1994.JPGIMG_2004.JPG

 Se estão pelo Porto e gostam de gatos, é de visita obrigatória. Eu vou voltar! 

 

Morada: Avenida Rodrigues de Freitas, nr.93-95, Bonfim.