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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

As crianças de amanhã

   Finalmente encontrei alguém que corrobora as minhas afirmações/ suspeições acerca da estirpe daquelas doces crianças que dão rendimento ao ATL onde trabalho. O que eu sorri quando a minha nova colega de trabalho, professora de português - inglês - francês, diz, a respeito dos seus alunos (de 5º a 9º ano): "Estes meninos são muito problemáticos. Nunca vi nada igual". Ora eu, cuja experiência de trabalho com crianças se limita àquele ATL, fiquei no mínimo chocada com 90% daqueles miúdos. E o pior é chegar cá fora e ver que eles são apenas um exemplar do que existe por esse país fora. Não encaixo tanta falta de educação, tanta falta de maturidade,  tanta falta de empenho e tanta (preparem-se para o choque) burrice, provocada apenas e só pela falta de interesse pela escola e pela aprendizagem. Falta de interesse deles e dos pais, provavelmente os principais responsáveis pela maioria das situações. E depois temos crianças no 2º ano que não conhecem sequer as letras, temos crianças do 3º ano que não sabem o que é uma unidade, uma dezena ou uma centena, temos crianças do 4º ano que não sabem fazer contas de subtrair do tipo 8000-25. Se nos afastarmos das questões académicas, temos meninos que não conhecem regras, não respeitam regras, brincam a bater uns aos outros, respondem aos professores como se estivessem a falar com os colegas, atiram os livros ao chão, atiram cadeiras ou ameaçam com cadeiras.

   E a culpa é de quem? E a culpa é do quê? Essa é a resposta que todos queremos encontrar. Ela anda aí e ninguém a quer ver. Tapam-se os olhos com desculpas do tipo "Coitadinho, ainda é uma criança", "A culpa não é dele, é do professor", "Nós não temos muito tempo para ele", "É a vida e o trabalho, não dá para tudo", "Coitadinho, foi sem querer...". Coitadinhas destas crianças, sim. Tenho pena da forma como crescem, da vida que conhecem, dos seres que são e das pessoas que serão amanhã. Acho uma vergonha as crianças que temos. E não culpem os amigos, não culpem o grupo, o social...a personalidade forma-se com um conjunto de influências multidireccionais. Há que estar atento a tudo o que rodeia uma criança. Tudo. Porque é esse tudo que ele será.