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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Se há coisa que não me choca

É ouvir uma mulher/casal dizer que não quer ter filhos. Isto a propósito de uma reportagem a que assisti hoje sobre a diminuição dos nascimentos em Portugal, durante a qual uma das mulheres entrevistadas, que optou por não ter filhos, afirmava que muitas vezes opta por dizer que não tem filhos porque não pode e não porque não quer, apenas para não chocar e para evitar os olhares de espanto tradutores de "será era normal por não querer ter filhos?".

Pois eu acho perfeitamente normal uma mulher / casal não ter filhos. Uso esta dicotomia mulher/casal, porque muitas vezes a mulher é vista como a principal responsável por esta decisão. Falta-lhe o instinto maternal, dizem. E, mais uma vez, acho perfeitamente normal. Eu sinto o mesmo. Parafraseando a mesma senhora acima citada, até acho piada às crianças (algumas!) mas não sinto empatia maternal por elas. Até acho bonita uma mulher grávida, mas não anseio pelo dia em que estarei no seu lugar. A gravidez, a par da maternidade, não me atraem, não me fascinam e não preenchem os meus pensamentos e projectos futuros. Eu sou aquela que nunca gostou de brincar às mamãs e aos papás quando era criança. Nenucos tive, mas nunca os vi como meus filhos e serviam apenas para poder dizer "Eu tenho o Nenuco XPTO" e apertar o bracinho e a perninha para os ver fazer bolinhas e xixizinho. O meu vício eram as Barbies e os Ken, as suas bonitas roupas e as suas ainda mais bonitas histórias de amor e desamor. Eu sou aquela que quando ouviu a amiga dizer "Estou grávida!" ficou com a boca aberta, a cara em estado de choque profundo e o corpo rígido, ao ponto de a amiga ter de dizer "Mas podes-me dar o parabéns!". 

A maternidade não está em mim, como não está em muitas outras mulheres. E não é contra natura. A mulher não tem de ter filhos só porque veio com a capacidade para o fazer. Acredito que seja um dos momentos mais marcantes da vida de alguém. Gerar uma nova vida, criá-la, vê-la crescer. Acredito que deve ser ainda mais marcante quando tudo isto é o culminar de uma bonita história de amor, na qual os filhos são as flores do belo jardim que construiram a dois.  Mas também acredito que a mulher pode ser feliz sem filhos e que um casal pode ter um belo jardim sem flores. São opções, como tantas outras. São formas de vida tão dignas como qualquer outra, de seres humanos tão humanos como todos os outros.

 

Não quero com isto dizer que nunca serei mãe. Não sou tão radical numa fase tão precoce da minha vida. Hoje penso e sinto assim. Amanhã a vida poderá mudar-me. A vida, o amor e a vontade de deixar um pedacinho de mim e daquele que me preenche no mundo.

 

Depois disto, percebe-se a minha posição perante o meu trabalho com crianças, right?

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