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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Sim, eles fazem-me sorrir

   Hoje, pela manhãzinha, assim que entrei no meu local de trabalho, fui recebida com um abraço apertadinho e caloroso. Não é a primeira vez que isso acontece, mas desta vez soube-me bem. A criança em causa tem passado o período de férias em casa, pelo que acrescentou um "Tinha saudades suas", facto prontamente confirmado pela mãe. E aquilo soube-me mesmo muito bem.

   Ao chegar a casa ao final do dia apercebi-me que nem tudo é mau no meu trabalho. Desdobro-me em lamúrias e queixas, porque, de facto, não foi isto que idealizei para minha vida, nem é isto que, profissionalmente, me realiza, no entanto, o meu trabalho com aquelas crianças consegue ser...caloroso, (quase) todos os dias. Há sempre alguém que me abraça, que me dá a mão, que desabafa comigo, que pergunta por mim quando não vou ou quando me atraso 5 minutos, que me diz "Está muito bonita hoje!", ou que avalia toda a minha indumentária. Os mais problemáticos respeitam-me e dizem-me "Feche os olhos e abra à mão...Tome, à L. só dei duas pipocas, mas a si dou uma mão cheia". Os mais pequeninos mimam-me, questionam-me, aprendem comigo e contam-me proezas e castigos. As mais crescidas cobiçam-me a roupa e os sapatos e contam-me as suas vidas. E os ainda mais crescidos, que nem sequer são "da minha responsabilidade", querem-me nos seus grupos de Poker, Torneios de Buzz ou pc e ensinam-me as melhores técnicas para fazer um strike no Bowling, com atentos "Não é assim...olhe pra mim, veja...faça assim...atire com mais força...aponte ao centro da pista...boa!".

   Hoje sentei-me ao sol a vê-los brincar (É para isso que te pagam?) e passei a maior parte do tempo a rir. Cheguei mesmo a rir às gargalhadas. Apercebi-me que, quase todos os dias, me rio no meu trabalho. Deles e com eles. Porque são crianças e são espontâneas e sinceras. Se já me rendi ao trabalho com crianças? Não. E provavelmente não me renderei. Talvez seja uma questão de vocação, de instinto, de predisposição, mas "não é a minha praia". Mas sei que faço um bom trabalho. Sei que as conquistei, da mesma forma que elas me vão conquistando. Sei que impus alguma mudança nas suas vidas e quero acreditar que, de alguma forma, estou a deixar a minha marca. Ao fim de mais de um ano, acho que posso dizer que eles já deixaram uma marquinha cá dentro. Pelos sorrisos. Os meus e os deles. Os roubados, os espontâneos e os oferecidos.