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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Monotonia (que mata e mói)

Jennifer Aniston

   A monotonia cansa-me. Corrói-me. Mata-me aos poucos por dentro. Porque gera habituação, e tudo o que fazemos por hábito e como um hábito tira-nos a espontaneidade e a alegria do momento.

   A monotonia perturba-me. Em tudo. Não consigo fazer uma mesma coisa todos os dias, ouvir as mesmas palavras todos os dias, dizer as mesmas coisas vezes e vezes sem conta. Não consigo ouvir sempre as mesmas músicas, ler sempre o mesmo género de livros ou sentir o mesmo sabor trago após trago. Não consigo usar a mesma roupa dois dias seguidos (nem sequer duas vezes na mesma semana, ou até duas vezes em duas semanas! Ok, doentio!), frequentar sempre os mesmos sítios ou ver sempre as mesmas cores. O wallpaper do meu portátil e do meu telemóvel muda com uma frequência quase semanal, a decoração do meu quarto é mudada sempre que me começa a aborrecer (a parede do meu quarto vai mesmo mudar de cor muito em breve) e até a roupa é alvo de mudança de gavetas ou ordem. Não gosto de molduras sempre com a mesma fotografia e, por isso, a minha moldura digital é a minha melhor amiga. Não gosto de acontecimentos programados, de acções step-by-step, de saber o que veio imediatamente antes e o que virá, incondicionalmente, a seguir. Não gosto daquelas mensagens de "feliz qualquer coisa..." que enviamos para a lista de contactos inteira. Não gosto de fazer sempre o mesmo percurso nas minhas caminhadas. As que fazem bem à saúde a as da vida. Não gosto de linhas rectas. Na vida. Gosto de cruzamentos, curvas e contra-curvas. De não saber o que e quem estará ao virar da esquina.

   A monotonia rouba-nos o sorriso, o brilho no olhar, as borboletas na barriga, o tremor nas pernas. Não dá para viver sem isto. Quem consegue não sentir a ânsia da aproximação, o desejo de algo que nem sabemos bem o que é, o não saber quando vai começar e como vai terminar? A vida precisa de montanhas russas, de voltas que a virem "de pernas para o ar". A ela e a nós. Que nos façam questionar, perceber, imaginar, lutar, mudar. Evoluir. Que nos façam viver. Porque viver é mesmo isto: imprevisibilidade e nunca, nunca, uma rotina esteriotipada pela inimiga monotonia.  

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