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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Os caminhos da infidelidade*

 

Blair & Chuck @ Gossip Girl

"A infidelidade em si mesma poderia não ser grave, mas fere profundamente o outro.

Isso todos nós sabemos pela experiência." (Octavio Paz)

   Para mim, a traição/infidelidade, como preferirem chamar-lhe, cabe no mesmo saco dos (outros) comportamentos de "consumo". É preciso muito pouco para se trair, assim como para se consumir: pouca cabeça, pouca personalidade, poucos princípios, pouca auto-estima, pouca determinação, pouco carácter e poucos recursos cognitivos...É tudo uma questão de momento e oportunidade. As "coisas" estão lá, disponíveis para nós, ao alcance de um esticar de braços, de uma dúzia de palavras certeiras e meia dúzia de gestos. Mas há uma coisa valiosíssima que o Criador nos deu e que nos esquecemos que carregamos connosco todos os dias: a cabecinha. E quando nos lembramos que a temos as oportunidades criam-se, os braços controlam-se, as palavras pensam-se e os gestos inibem-se. "Mas não é fácil", argumentam alguns. E lá vem a caixinha das desculpas: porque "aquilo" estava lá quando mais precisei, porque foi um momento de fraqueza, porque foi uma vez sem exemplo, porque eu nem queria mas, porque, porque, porque...Porquê? Porque em algum momento da nossa vida não pensámos, não usámos a cabecinha que carregamos e que é muito mais do que uma possível cara bonita e não tomámos consciência das consequências. O ser humano pode ser fraco na mesma proporção em que pode ser o mais forte dos seres. Vacila, duvida, coloca a hipótese...e algumas vezes fraqueja e cai, na tentação ou no erro, afinal são os dois humanos e perigosos.

   É muito fácil trair. Difícil é viver com a traição. Para quem foi traído e para quem trai (Ok! Para aqueles que conhecem o significado de "consciência"), assim como é muito fácil consumir. Difícil é deixar de o fazer. E ainda mais difícil é para quem está de fora tentar perceber o porquê, já não entrando nos domínios da aceitação. Não é exclusivo do homem ou da mulher e não "ataca" as minorias. É tranvessal e indiferenciado, mas acredito que pode ser controlado. E é egoísmo, no mais puro poder deste sentimento, porque trair implica a existência do outro que sofre e fazer sofrer aqueles que nos amam é o mais terrível acto de egoísmo.

   Traição e consumo cabem no saco do facilitismo e do "easy way". Há os que traem por dúvidas, por momentos, por falta de amor ou por amor dado à pessoa errada. E há os que traem por prazer, patologicamente, como modo de vida de quem não é capaz de se comprometer com nada nem com ninguém. Em qualquer dos casos, é a fraqueza humana a assumir o controlo de um momento  e de uma vida que poderá ruir para nunca mais se erguer. Uma relação, seja ela de que tipo for, que caí por traição é um quadro eternamente manchado. Por mais cor que se ponha por cima, há manchas que nunca mais se apagam, apenas se disfarçam e nunca se sabe quando poderão reaparecer.

  

* Teoricamente falando na infidelidade amorosa, mas com possibilidade de alargamento a todos os tipos de infidelidade...

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