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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Are there any gentleman?

  Dizem que já não há homens como antigamente, que não há cavalheiros, simpatias, mimos e romantismos. Que os homens de hoje deviam aprender com os homens de tempos idos a abrir a porta do carro a uma senhora, a ceder-lhe passagem, a dar lugar no autocarro, a oferecer flores e caixinhas de bombons. Pois eu digo: homens do presente, não vos preocupeis. Nós, mulheres modernas, também já não somos como as de antigamente. Gostamos de uma surpresa-surpresa, daquelas sem previsão ou motivo, mas não precisamos de quem nos abra a porta, nos ceda passagem ou nos dê lugar. Crescemos, emancipamo-nos e enchemo-nos de independência e auto-suficiência. Hoje somos capazes de gerir uma casa, com ou sem filhos, e uma carreira de sucesso e ainda arranjamos tempo para os cremes, as loções, as bases, a celulite e para a visita semanal às nossas lojas de eleição. Estamos cheias de nós, de personalidade e atitude.

   Já não há homens como antigamento. Os cavalheiros. Se não há cavalheiros, há homens que ultrapassam os ditos. São românticos, gentis, amorosos, cuidadosos, preocupados, bem-humorados, inteligentes, cultos, interessantes e misteriosos. São desses cavalheiros do século XXI que nós, as mulheres guerreiras, gostamos. É por eles que aguardamos e é a eles que queremos conhecer. São amigos, familiares ou amantes, porque a admiração não escolhe o tipo de relação, nem deve envergonhar-se dela. Conheço alguns destes heróis. Poucos, como costuma acontecer com as pessoas ou coisas especiais. É um prazer conviver com eles, ser "cuidada" por eles, porque para eles, cada mulher deve ser cuidadosamente cuidada, mimada e acarinhada, seja amiga, familiar ou amante. Fazem-nos sentir especiais na mesma medida em que são especiais. E fazem-nos pensar que já não há homens como antigamente...há bem melhores! Não nos sufocam, mas mimam-nos. Não nos enchem a casa de flores e chocolates, mas adoçam-nos os dias com palavras, gestos e emoções. Fazem-nos rir quando nos apetece chorar, dão-nos a mão e não nos estendem o tapete vermelho, mas estendem-nos o seu apoio e compreensão. Não são como os de antigamente, mas esses não nos fazem falta. Porque nós, também já não somos as mulheres de antigamente.