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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Se podiamos fazer férias no nosso país?

   O nosso Presidente Cavaco sugeriu. E nós até consideramos tal sugestão, Sr Presidente. Temos um cantinho à beira-mar plantado, não nos metemos com ninguém, não temos inimigos, temos sol, praia, boa comida, locais bonitos...mas depois olhamos para o passado e lembramo-nos que somos o povo das descobertas, que partimos por mares nunca antes navegados e desbravamos terras por esse mundo fora, que já foi tão nosso e hoje nos ignora. E lembramo-nos ainda de abrir revistas e consultar a internet e descobrimos locais maravilhosos além fronteiras. E quando conseguimos visitá-los descobrimos que a hospitalidade não é uma característica só dos portugueses, pois há quem nos trate tão ou bem melhor que nós próprios, descobrimos que há mares bem mais quentes que o da costa alentejana ou algarvia, que há praias sem vento, onde não precisamos de pedir licença para estender a toalha e onde não somos obrigados a ouvir a vida da Maria e do Manel e dos vizinhos da Maria e do Manel, onde não enriquecemos o nosso vocabulário obsceno e onde não temos de ouvir 55 vezes a mesma frase "Desculpe lá a bola", sem esquecer o cãozinho da Maria e do Manel e o respectivo cocózinho e xixizinho. Tudo isto por um preço bem mais acessível que os que nos oferecem no nosso país por um serviço de qualidade bem inferior e sem ter de pagar o combustível mais caro, as portagens absurdas e o Iva, ah o querido do Iva, que mais parece o balão do João, que sobe, sobe sem parar e já que estamos numa de musiquinhas, entre um e outro pagamento, lá vamos descobrindo que o que é nacional é caro.

   Posto isto, não me julguem anti-patriota. Ok, podem acusar-me da falta de algum patriotismo, porque como outras tantas raízes, as do patriotismo também se me apresentam em quantidade reduzida. No entanto, sou uma defensora das belezas do nosso país. Adoro viajar, adoro descobrir e o "vá para fora cá dentro" também me atrai. Passei muitos Verões no Algarve e guardo boas recordações de todos eles. Tirando o vento que nos visitava todas as tardes, tirando as noites frias demais para Verão, tirando as discrepâncias de tratamento recebido. Adoro o meu país e quero conhecê-lo ao pormenor, entre um e outro fim-de-semana mais ou menos prolongado, dependendo da disposição da minha conta bancária. A verdade é que desde que atravessei fronteiras...nunca mais deixei de as atravessar! Férias-férias só em estilo "Vá para fora mesmo". Fazer a mala, pegar nos bilhetes, porque não pegar no passaporte e aí vamos nós desbravar culturas e gentes, longe de casa, onde ninguém nos conhece e poucos nos percebem. Só indo para fora poderemos sentir algo que é só nosso e só português: a saudade. E a saudade faz-nos bem, porque nos ensina a valorizar.

   E Sr. Presidente, se me permite uma opinião, o que seria de nós, portugueses de um Portugal que já foi economicamente comparado à Grécia, se todos os seus colegas andassem por aí a falar ao seu povo: "Caros cidadãos, férias só no nosso país"? Parece-me justo esta igualdade de direitos, pois se nós não vamos lá, também ninguém tem de vir cá e depois não nos peçam para aturar as Superbocks e Sagres deste país, mais as unidades hoteleiras e as lojinhas e barraquinhas de souvenirs. Por isso, Sr. Presidente e caros compatriotas, se eu podia fazer férias (só) no nosso país? Podia, mas não era a mesma coisa. Não era a mesma coisa porque Portugal e os portugueses ainda têm muito a aprender e porque além mar há todo um mundo para descobrir e nos ensinar. E porque me parece um pedido egoísta. Mas isso, se calhar, já é mais uma daquelas características tão nossas.

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