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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Homens que nos mimam demais

 

   "Mas então o mimo pode ser demais?", perguntam vocês, para começarmos já com as interrogações. Pode. Como os doces que são doces demais e acabam por nos enjoar e fazer dores de cabeça. Também há homens assim. Mimam, mimam, mimam, desfazem-se em cavalheirismos e cortesias, em demonstrações de amor e em gestos românticos. E de tanto pensarem na forma de nos mimarem ainda mais esquecem-se de nos deixar respirar. Estão sempre lá, parece que nunca falham e de alguma forma, acabam por nos relembrar que nós, mulheres, as antigas românticas das relações, podiamos e deviamos ser pessoas melhores. E podiamos agora tecer longas teorias acerca desta suposição de que este mimo todo nos (ou me) incomoda porque nos relembra aquilo que já fomos e, sabe-se lá como ou/e porquê, deixamos de ser e não sabemos se queremos ou se seremos capazes de voltar a ser. Mas quanto a esse terreno minado, hoje não o cruzaremos.

   A minha prima casou com um homem que a mima demais (o que não invalida a excelente pessoa que ele é). Desdobra-se em gentilezas e simpatias, em carinhos e romantismos. Hoje parece-me "mais controlado" (serão os efeitos do casamento), mas desde que o conheci que senti que não era capaz de viver com um homem como ele, que quase não nos deixa dar um passo sozinhas, antecipando sempre uma mão estendida ou um "queres ajuda" sincero mas desnecessário. Homens, nós ainda estamos em fase de afirmação (e talvez por lá continuemos pela eternidade fora), por isso precisamos de fazer certas coisas sozinhas! De trepar e cair, de tentar e não conseguir, de instalar todo um sistema de som e no final descobrir que de som temos zero. Não vos sabe bem ouvir um "podes ajudar-me?" , em vez de um "mas eu não quero que me ajudes"?

   O meu melhor amigo sempre foi um homem que mima demais e isso sempre foi o que mais confusão me fez na nossa relação. Nunca consegui deixar de sentir o "é boa pessoa demais" e sempre pensei que a mulher que lhe agarrasse o coração ia ser uma sortuda, mas que teria de gostar tanto, tanto de ser o centro da vida de alguém que teria de usar alguma máscara de oxigénio para não sufocar (Sorry, my friend!). Felizmente hoje ele está mudado. Felizmente para ele, que aprendeu a valorizar-se mais e descobriu que o centro do nosso mundo devemos ser nós próprios. Quando interiorizarmos bem isto e nos sentirmos bem com tal, então aí sim, podemos convidar alguém para estar no centro connosco.

   Quando conheci o meu Mr. Big nunca o imaginei a ser um homem que mima demais. A verdade é que se eu não lhe ponho o travão o mimo vai por aí fora feito doido e quando dou por mim, já estou rodeada de surpresas e prendas, de gestos e palavras, de mãos estendidas e de "queres ajuda". Então e isso não é bom? É. Com conta, peso e medida, como tudo na vida. No momento certo, que é sempre o momento que nunca imaginariamos que seria o momento certo.

   Eu nunca seria uma mulher que mima demais, o que para mim não entra na saca XL dos defeitos. As relações precisam de espaço. Cada um a fazer as suas coisas, juntos. É isso que tento construir junto do meu Mr. Big, o que nem sempre lhe é fácil aceitar. Não preciso de 10 "Amo-te" por dia, a verdade é que nem sequer preciso de um "Amo-te" por dia. Quando as relações se controem a dois, passo a passo, desafio a desafio, alegria a alegria, a confiança cresce para níveis impossíveis de mensurar e a confiança traz-nos tudo e dá-nos tudo. Dá-nos muito mais do que uma barrigada de mimos, dá-nos muito mais do que todos os "Amo-te" do mundo.

   A vida é feita de momentos e de pequenos nadas. Assim como as relações. O mimo bom é o que chega de surpresa, quando já começavamos a sentir saudades dele. E a saudade é boa, porque nos ensina a sentir. Toda a mulher gosta de ser mimada. Mas nem toda gosta de se tornar um Deusa ou Musa. Até porque essas têm sempre um final trágico.

   Homens, mimem-nos com moderação. Só assim teremos um final feliz.

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