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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Perseverança

   "Anos e anos a insistir, a compreender que:– Ainda não encontrei, ainda não encontrei. Todos eram melhores que eu e no entanto a certeza que seria melhor que eles um dia. De onde me vinha essa certeza? Sentia a força, ignorava como manejá-la. Levei séculos. Agora que consegui a questão é: – Não chega, tens obrigação de ir mais longe. De modo que me sinto de novo no princípio. Tens obrigação de ir mais longe. E nem que deixe a pele nessa luta hei-de ir. Nem que deixe a pele é um eufemismo: deixo-a mesmo. E sem pele continuo.
Se perder os pés continuo com os cotos, se não houver cotos continuo com as unhas, se não houver unhas continuo com os dentes. Não pretendo ensinar nada, mostrar nada, ajudar nada: apenas me preocupa atingir o coração do coração e iluminar tudo. Até cegar de tanto ver. E, uma vez cego, paro e deito-me. Acabou-se a viagem."

António Lobo Antunes, Crónica com um sorriso no fim, in Revista Visão

O carro que mudou de sítio

  

    Isto dá chuva e do vento é incompatível com caminhadas ao ar livre. Então vai daí caminha-se no shopping...engana-se quem pensa: "ah e junta-se o útil ao agradável, vê-se umas montras, faz-se umas compras de Natal...". Errado! Caminhamos é certo, mas no...parque de estacionamento. Ok! Agora estão a pensar: "Coitaditos, foi um momento de descompensação". Não, não somos maluquinhos. Simplesmente...hum...como dizer isto sem nos envergonhar?...bem...simplesmente...perdemos o carro no parque de estacionamento! Ele era vira para a esquerda, vira para a direita, "Mas tu lembras-te disto?", "E a porta era assim tão longe?", explora o lado esquerdo do parque, explora o lado direito, "Procura desse lado que eu procuro deste", e mais momentos vergonhosos do tipo. Até que "Espera. E este é o piso certo?", Não!!! Toca a ir para o piso -2. Problema resolvido. Errado! A saga continua. Lado direito, lado esquerdo, "não me lembro de passar aqui"...e acabámos a fazer a pé o percurso que fizemos de carro desde que entrámos até estacionarmos. E, lá estava ele, no mesmo sítio onde o tínhamos deixado.

   Valeu pelo exercício físico!

Precisa-se

...de tempo e inspiração para tanto solicitação, que é como quem diz, para tanto trabalho rigorosamente estruturado para realizar num curto espaço de tempo. E depois há aquelas pessoas que até nos deveriam incentivar e, qui ça, inspirar para todos estes processos e que afinal só nos dizem: "Oh people pelo que eu estou a ver nesta turma vai tudo reprovar. ", "Comigo ninguém passa se não possuir excelentes capacidades de investigador." (ai como eu a-d-o-r-o investigação)...blá blá blá bla blá whiskas saquetas blá blá blá blá..."dedos para vocês". Ok! Já percebemos a mensagem. É a mesma, aquela desencorajadora, desde o início das aulas. Eu diria mais. É a mesma desde as aulas de licenciatura...mas isto sou eu a descompensar, ok ok.

   Pronto, depois deste grito vou dormir que amanhã é sábado e dia de madrugar para mais aulas dos adoráveis Métodos de Investigação Em Psicologia Clínica. E viva ao meu mestrado!

   Avizinham-se longas noites em frente a este computador e muitos, muitos suspiros de desespero.

 

   Isto passa! São só fúrias de quem acaba de chegar das aulas de Mestrado sem saber para onde se virar. Para já, viro-me para o lado esquerdo, que é aquele lado em que mais facilmente adormeço. O resto fica para outras noites.

 

Uma conjunçãozinha

 

 

   "- Bem sei que não devia estar a ligar-te assim tão tarde. Lamento sinceramente. Para mais, a esta hora, quando ainda nem os galos começaram a cantar. A esta hora, quando a pobre lua, pendurada a leste num canto do céu, mais parece um rim em mau estado. Mas agora pensa também um bocadinho em mim, que tive de mergulhar na escuridão total para chegar até aqui agarrada a este cartão de telefone que me deram no dia do casamento da minha prima. Com uma fotografia do feliz casal de mãos dadas. Consegues imaginar até que ponto estas coisas me deprimem? Tem dó de mim! As meias que trago calçadas são desirmanadas. Uma tem um desenho do rato Mickey e a outra é de lã, toda lisa. O meu quarto está uma perfeita bagunça, não consigo encontrar nada. O melhor é não dizer isto muito alto, mas não imaginas o estado em que tenho as cuecas. Duvdido mesmo que até um desses tarados que coleccionam roupa interior quisesse ficar com elas. Se um maluco qualquer acabasse comigo, no estado em que eu estou, nunca mais descansaria em paz. Não te estou a pedir que tenhas pena de mim, mas seria simpático da tua parte se, aí desse lado, pudesses dizer-me qualquer coisa com pés e cabeça. Para além dessas tuas frouxas interjeições, dos ohs e hums. Que tal uma conjunçãozinha? Uma conjunção já seria bom. Um sim ou um mas, por exemplo.

   - Contudo.

   - Contudo. Tudo bem, já não é mau."

(in «Sputnik, Meu Amor», de Haruki Murakami)

 

 

O Natal e as compras

  

   Começaram as compras de Natal! O (vergonhoso) espírito consumista está no seu auge e os cartoões multibanco não param de passar nas máquinas. Os shoppings estão a abarrotar, os parques de estacionamento parecem avenidas em hora de ponta e as duas mãos não chegam para tantos sacos,

   E agora eu penso: felizes daqueles que podem viver esta época na totalidade e oferecer algo áqueles de quem mais gostam. Calma! Não sou a favor do consumismo desenfreado e de deixar qualquer um na banca rota. Sou a favor do espírito de Natal, e Natal só é Natal com prendas(não vale a pena negar, os pioneiros disto tudo também ofereciam prendas - leia-se os Reis Magos a Jesus).

   Eu gosto de oferecer prendinhas no Natal. Mais. Eu gosto de comandar a distribuição das prendas e vestida a rigor, à meia noite em ponto! As tradições de Natal para mim são bonitas e de manter. Gosto de uma casa cheia à volta de uma mesa bem decorada. De uma sala de jantar com direito a lareira acesa, árvore de Natal com luzes e presentes à espera de serem descobertos. Gosto do cheiro a bacalhau cozido com batatas e de encher a mesa com os doces típicos, ainda que não goste tanto de os comer. E gosto de ver o sorriso na cara das pessoas quando têm uma prenda na mão e a desembrulham para descobrir o que lhes calhou.

   Eu adoro o Natal e, por isso, o meu período de compras de Natal também já começou. Regra básica: gastar o menos possível e alegrar o coração daqueles que amo.

Subsídio da ignorância

- Mas o subsídio de Natal é quanto?

- É outro salário.

- O QUê? Igual? Recebe-se duas vezes? A dobrar?

- Sim.

- Eu não sabia disso. Pensei que era só uma percentagem.

 

Mais um belo momento da minha bela ignorância...Vê-se bem que nunca recebi nenhum. E queres tu ser consultora de recursos humanos, não é? Keep learning young girl.

A tentação do manto branco

  

  

   O Norte do País está coberto de branco. O Norte do País é, por estes dias, notícia de abertura de todos os telejornais, faz capa de jornal e ilumina os olhares dos portugueses. Já fazia falta um pouco de magia na vida dos portugueses. Pelo menos por uns instantes esquecem-se crises económicas, bancos e banqueiros corruptos, congressos de partidos, aldrabices políticas e outras pérolas do nosso Portugal.

   O Natal aproxima-se e há neve por todo o lado. As imagens fazem lembrar verdadeiros postais de locais do nosso imaginário. Ver estas imagens deixa-me feliz e aquece-me o coração. Afinal, o mundo ainda é um lugar bonito de se viver. E que melhor altura para nevar senão o Dezembro natalício? Já viram os sorrisos nas caras das crianças? Já viram os mais crescidos a fazer bolas de neve e a gritarem de entusiasmo? Já viram as famílias inteiras reunidas num passeio à neve (nem que seja para ficarem fechadas no carro, presas num estrada fechada)? Se este manto branco é responsável por tudo isto, então abençoada seja a tentação!

    Há magia no ar. Não deixem que ela derreta.

 

Aiiiiiiii

  

   Necessito urgentemente de uma aura Zen que me inspire sobre a melhor forma de terminar este projecto de investigação interminável que me corrói os melhores e mais dinâmicos neurónios e me faz ranger os dentes de desespero. Mas porque raio é que as tabelas não ficam quietinhas no sítio delas? E alguém, alguém, me explica como é que compilo a informação de 6 meses de trabalho em meia dúzia de páginas? E já agora, alguém se oferece para fazer o poster científico segundo as normas da APA? Não? Não mesmo?

   É nestas alturas que odeio o progresso científico.

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