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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Para quê complicar?

  

   Numa visita a essa grande superfície que fala sueco, apela ao "viva mais a sua casa" mas depois "oferece" pequenos almoços a 1euro, almoços a 1euro e meio e cachorros a 50cêntimos e cujo nome contém as letras I-K-E-A (não necessariamente por esta ordem é claro, não estamos aqui a fazer publicidade a ninguém) existiam objectivos a cumprir (leia-se coisas a comprar), o que é importante quando nos enfiamos naqueles intermináveis corredores de materialismo. Entre outras coisas, uma almofada era precisa. Olha isto, olha aquilo, mete pró carrinho porque é barato e faz sempre jeito e lá estão as ditas cujas. Um primeiro olhar e...mas que raio???...então não é que os suecos nos oferecem uma complicada variedade de almofadas para dormir de barriga, dormir de costas, dormir de lado e sei lá mais o quê, já para não referir as "medicinais", para a zona média das costas, para o escoço, para a coluna, and so on...ah! E as altas, baixas, médias, compridas, pequenas...(isto deixa qualquer um cognitivamente de rastos). Mas então e se eu, numa noite só, dormir de barriga, de costas e de lá? Hem? Levo as 3 e vou rolando na cama conforme a posição? Será que nem na nossa cama somos livres de decidir o que queremos e temos subter à ditadura de uma almofada? Vamos comprar uma almofada e saimos de lá a desejar a nossa cama, tal é o esforço de escolha. E quem não gosta de desafios sai de mãos a abanar.

   Meus senhores, eu até gosto de vos visitar e não regressar de mão a abanar (mas não como esse cachorro de 50cêntimos, não, não), mas se vocês apelam e vendem esse espírito prático e eficiente do "faça você mesmo" perfeito para um século XXI de correria e efemeridades, não complicam as coisas! Não com coisas tão simples como uma almofadinha...Para além de vivermos mais a nossa casa, deixem-nos também viver mais a nossa vida, com almofada de barriga, de costas ou de lado.

Pecados meus

   Fui desafiada pela Closet mais uma vez (e desta vez bem mais simples do que aquele dos desejos para 2009). O desafio? Avaliar moi même a partir dos 7 pecados capitais...

   Aqui me confesso caros amigos (de joelhos não, vá! Sentadinha na cama)

1. Gula

   Inocente. Completamente inocente. Se pela boca morre o peixe, já a borboleta não corre o mesmo risco. Nem o melhor amigo da mulher (chocolate) se salva aqui...vá, se vier com roupita de Ferrero Rocher ainda perco a cabeça e como um ou dois. Tenho um ou outro prato favorito, uma ou outra coisita que gosto mais de trincar, mas por aqui não peco.

   Minto! Perco a cabeça com pinhões no Natal. É a única coisa que como sem parar. Mas são tão pequeninos, é pecar?

 

2. Avareza

   Não dou tudo, mas dou, a quem merece. Sou filha única, mas nunca, nunca avarenta ou egoísta. E orgulho-me de poder dizer isso de cabeça erguida.

   Depois de mais um momento de reflexão tenho de confessar que havia uma Barbie ou outra que eu guardava religiosamente na caixa e só eu brincava com elas. Não era egoísmo. Era medo que as estragassem...é mau?

 

3. Inveja

   GRrrr....muita! De quem tem um closet arrebatador como o da série Lipstick Jungle, carregadinho de roupa, sapatos e malas...grrrrr.

   Podia falar de quem tem o emprego dos meus sonhos, o carro dos meus sonhos, a casa dos meus sonhos, as viagens dos meus sonhos, as roupas dos meus sonhos, os sapatos dos meus sonhos...mas não. Não os invejo. Perda de tempo. Prefiro investir em mim e nos meus sonhos do que invejar os outros e os seus (meus) sonhos realizados.

 

4. Ira

   Mudanças de humor a roçar a bipolaridade, momentos graves de descompensação, crises psicóticas, neuroticismo acentuado, ansiedade e manifestações psicossomáticas (e atenção porque é uma psicóloga a falar), mau feitio completamente incontrolável, mas ira? Nahhh. Nem sei o que isso é! Nunca experimentei. Detesto discussões. Não sei lidar com elas.  

 

5. Soberba/Orgulho

   Peco, sim senhor. Orgulho-me do que sou e do que consegui até hoje. Coloco todo o meu esforço e empenho em cada pormenor e desafio da vida (não comecem agora a desafiar-me todos os dias!), dou o máximo de mim, corro até à exaustão. No final, como poderia não ficar orgulhosa de mim própria, das minhas lutas?

 

6. Luxúria

   Dizem que este é o pecado mais mortal, que abre a porta a todos os outros pecados...ora bem, prazer sensual e material...quem não o merece? Sim, peco, graças a Deus e sou feliz!E que atire a primeira pedra que nunca pecou!

 

7. Preguiça

   A minha preguiça também é bipolar. Umas vezes é preguiça, daquela que nos faz  desejar nada mais que um dia de cama e nos faz sentir que fomos a França a pé e viemos e por isso, por favor, não nos façam mexer um mini músculo que seja. Outras vezes é hiperactividade e nestes momentos não há ninguém que me pare, o pó que se cuide porque eu  ando de pano na mão, a roupa que se prepare para ser toda cuidadosamente arrumado e organizada, a loiça que não se atreva a estar suja e o shopping que se prepare porque eu estou a caminho!

 

   E aqui fiz o meu acto de contrição. Perdoai os meus pecados senhores, porque eu não sei o que digo!

 

Cavaleiro das ondas, tu és o próximo. Desafio-te para este acto de contrição.

 

Maravilhas do Google.com

   Hoje alguém chegou a este humilde espaço escrevinhando no google "boi do pai natal". Como é que isso é possível? Eu que passei todo o Dezembro elogiando o velhinho? Eu que adoro o fato vermelho, as barbas brancas, a barriguinha?

   Se é para insultar o Pai Natal vou já avisando: não é bem-vindo!

Sobre as Experiências de Quase Morte

 

   O que é, cientificamente falando, uma experiência de quase morte (EQM) ninguém sabe, ainda. Poderá arriscar-se a considerá-las como um «estado modificado da consciência, relatado por pessoas em estado de morte clínica confirmada, que se caracterizam por contactos extra-córporeos com estímulos sensitivos e sensoriais, seres luminosos e entes queridos já falecidos, a par de sentimentos de bem-estar (paz) extático e de auto-escopia».  Certo é que, quem as relata, em qualquer canto do mundo, em qualquer cultura, refere experiências assustadoramente semelhantes: saída do corpo, sensações de tranquilidade, entrada noutra realidade ou dimensão, seres espirituais, a comunicação, telepática, com alguém que interrompe a vivência, o túnel e uma luz intensa e pura. E depois há o milagroso regresso ao "lado de cá" e a vida (e a morte) ganhou outro sentido e outras cores. Não há mais medo de morrer e o desejo de viver intensifica-se.

   O mistério permanece e, talvez por isso nos sintámos tão fascinados por estas experiências (mas ainda e nunca o suficiente para arriscar estudá-las).

«(...) explicações, não temos e nem me parece que alguém tenha como facto consumado. Ideias sobre o que poderá estar por detrás das EQMs, isso sim. Estaremos, porventura, perante uma vivência de peri-morte, animada por uma dinâmica do tipo infra, intra, e supraluminosa. Tudo isto leva-nos a pensar, mas só a pensar, que a morte poderá não ser um fenómeno de tudo ou nada, mas sim um contínuo temporo-espacial, cuja dinâmica ainda não é conhecida. E nada mais me resta dizer senão que desejo, cada vez mais, que as várias sensiblidades se encontrem na divergência e investiguem arduamente, respeitando-se, para que mais esta fronteira cósmica seja transporta. Que assim seja.»

Dr. Manuel Domingos, neuropsicólogo (e meu adorável professor de neurociências do 1º ano e o responsável por este meu total fascínio pelo cérebro, pela neuropsicologia, pelas neurociências)

   Talvez a melhor solução seja «considerar a possibilidade de que a morte, tal como o nascimento, pode ser uma mera passagem de um estado de consciência para outro».

 

(Excertos retirados do livro "Experiências de Quase-Morte. Relatos verídicos.")

 

A caixinha de Pandora

«(...) nós não somos, apenas, um conjunto de fios eléctricos animados por não sei quantas substâncias químicas que nos permitem ser, estar, gostar, não gostar, sentir, eu sei lá, ter um ocenao de emoções e um oceano de afectos que se reduzem a isso.»

Manuel Domingos

«Entre a actividade cerebral e as manifestações comportamentais cognitivas a que nós assistimos, há um abismo cujo fundo se desconhece.»

Sherrington

 

Como podemos não nos sentir fascinados por este quilo e pouco de massa que carregamos à cabeça?

Sofrimento em lista de espera

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

           Um homem é vítima de assalto, violência, tortura e tentativa de violação.  Sozinho não é capaz de seguir a sua vida depois desta experiência traumática. Desloca-se a uma instituição do Sistema Nacional de Saúde onde pede apoio e acompanhamento psicológico. A resposta: "Se esperar 6 meses pode ser que haja resposta ao seu pedido."

           E eu questiono-me como é que alguém, como é que algum técnico de saúde mental, como é que algum psicólogo, é capaz de dizer a um ser humano em sofrimento justificável "Espere 6 meses (e entretanto continue a sofrer, porque ouvimos dizer que isso nos torna mais fortes)"?

A Lifetime dance

  O regresso a casa tardio e frio (com a cabeça já nas horas insultuosas a que tenho de acordar num sábado para absorver as palavras do sabido Prof. Eduardo Sá) depois de um dia de correria entre o cabeleireiro (desta vez ninguém poderá perguntar, um dia após ter ido ao dito cabeleireiro cortar o cabelo: "Ah, puseste extensões?"), o trabalho em part-part-time e o mestrado pouco produtivo em conhecimento académico mas produtivo q.b em "cusquice de gaja", ganha de repente uma cor e um som especial, daqueles de fazer aumentar o volume do rádio até fazer dói nos timpanos e nos pôr a cantar (vá, a expelir palavras ao som da música). Na rádio (aquela do Oceano Pacífico, só para não fazer publicidade), George Michael e o seu Careless Whisper (quando penso nas músicas que hoje me fazem aumentar o volume percebo como estou a ficar velha!).

 

I'm never gonna dance again
guilty feet have got no rhythm
though it's easy to pretend
I know you're not a fool.
Should've known better than to cheat a friend
and waste the chance that I've been given
so I'm never gonna dance again
the way I danced with you

   Porque o par perfeito para a dança de uma vida só aparece uma vez.
 

E casamento em que eu seja noiva tem de ter esta música! Qual valsa xpto, qual Apita o comboio? Careless Whisper, eu e ele e a dança de uma vida, ali, para sempre.

the Hero(plane)

 

   E o mundo tem um novo herói. O piloto do avião que ontem "aterrou" no Rio Hudson (N.Y) merece uma, duas, três, todas as salvas de palmas. Com 58 anos e 30 ao serviço da American Airlines, este homem foi o responsável por o milagre de salvação de todos os passageiros e tripulação daquele avião, quando em apenas 3 minutos tomou todas as medidas necessárias para a "aterragem perfeita"...num rio.

   Um bem haja ao senhor!

 

 E com tudo isto as únicas vítimas a lamentar são mesmo os pobres (mas malandros) dos pássaros, ao que parece gansos. Esperemos que os queridos terroristas não tenham visto TV nas últimas 24 horas, caso contrário teremos uma nova "bomba nuclear" com bico, asas e penas.