Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Novas Conquistadoras

 

   Ser mulher no século XXI é, felizmente, diferente do passado. É SER verdadeiramente mulher, ser humano individual, independente, ambicioso e lutador. Basta pensarmos nas protagonistas dessa série de sucesso, 6 vezes premiada com Emmys: O Sexo e a Cidade. As quatro amigas de Nova Iorque vieram baralhar os valores tidos como tradicionais: passar a falar sobre sexo abertamente, não ter pudor em usar e abusar da moda e, sobretudo, ser capaz de exigir na escolha do Mister Right. As mulheres tornam-se predadoras, têm mais possibilidade de o ser, estão em meios mais competitivos, gostam mais do jogo e sentem-se à vontade para o fazer.

    Na era das mulheres XXI, das anti-ciderelas, invertem-se valores, desconstroem-se mitos e nós, mulheres, assumi-mo-nos iguais a eles, homens. Somos mulheres. Somos seres fantásticos. Dotadas de personalidades tão diversas, mas todas elas determinadas e precisas. A mulher de hoje é uma heroína. Ela deve ser a profissional de sucesso, ter um casamento feliz, ser mãe, continuar a sair à noite e a divertir-se com os amigos.

   Este século (e um pouco do final do século anterior) é o século da afirmação. Da nossa afirmação. So...let´s go girls! Vamos lá sentir-nos deslumbrantes, lindas, únicas, especiais, caminhar de cabeça erguida e sorriso rasgado no rosto. Vamos irradiar positivismo, coragem, determinação, força e um "não sei quê de magia feminina". Como diz o iogurte: "Se gostarmos de nós, quem não gostará?". E se um iogurte consegue, nós conseguimos de certeza ir bem mais longe.

Primeiro dia

   Final do primeiro dia de trabalho. Primeiras impressões: positivas. Não é fácil gerir tanto ser humano em fase de crescimento, não é fácil levá-los a fazer o que nós queremos. Nem sequer é fácil mantê-los sentados durante todo o tempo que desejámos. Ainda assim o mais difícil está mesmo a ser decorar o nome de todas aquelas pestinhas, mas lá chegaremos.

   No primeiro dia não fui agredida por nenhum deles (são crianças, havia alguma probabilidade, certo?), não tive de gritar (muito) e os ojectivos foram todos cumpridos. Ainda houve tempo para discutir acerca do melhor local para comprar iogurtes com smarties (isto com crianças de 6 e 7 anos) e para ouvir comentários do género "você é bonita", "porquê que tens as unhas pintadas de vermelho?" ou "o que é isso que tem aí? Um cinto? Mas não tem a coisinha para a apertar à frente. E tem molas atrás? E usa-se aí na barriga?". Também recebi carinhos na mão, no cabelo, nas pernas, nas costas e pestinhas a agarrarem-me e a disputarem a minha presença ao seu lado. Que mais poderemos desejar?

   Um bom começo. Piores dias virão, de certeza!

 

   Receio que nos próximos tempos irei ser chamada daquilo que eu sempre disse que NUNCA quereria ser ou ser chamada "Professsooooraaaa". Quando se trabalha com crianças pequenas corremos esse risco. Somos todos iguais: professores.

Me? Again?

 

   1001 pequenos nadas mereceu novamente o destaque do sapinho...Ser uma vez destacada é bom, ser duas vezes destacada é...hollywoodesco! Com a concorrência de peso que existe por toda essa blogosfera anfíbia, este miminho, juntamente com todo o sol com que temos sido premiados nos últimos dias, faz da vida um Carnaval antecipado!

   Obrigada Sapinho!

Nova Rotina

    Um emprego de segunda a sexta. Um horário de trabalho. Responsabilidades. Saber que hoje é dia de trabalho, e amanhã também e depois de amanhã também. Largar o "emprego" em part part time e agarrar esta nova aventura. Amanhã entro numa nova rotina. Não a dos meus sonhos, mas uma rotina. Para já, isso vai-me bastando.

   Wish me luck (porque aquelas pestinhas não me vão dar descanso)!

O dia dos namorados

   Não gosto. Insultem-me, acusem-me, batam-me. Mas não gosto. É só mais um dia de e para consumistas, no qual todos e todas passeiam de mãos dadas, oferecem flores, peças e de roupa, perfumes, jóias e afins e terminam num suposto jantar romântico. E aqui encontramos dois tipos de "namorados": os que se derretem em doçuras e gestos de amor, qual chocolate quente a escorregar pelos morangos fora de época mas partilhados a uma só taça, um só garfo e ora comes tu, ora como eu, e os que entram no restaurante, sentam-se e as únicas palavras que partilham são:"o que vais querer para jantar?".

   Mas porquê que tem de existir um dia para festejar o amor? Todos os dias são dias de amor e de ser amado. Todos os dias são dias para festejar, para passear de mãos dadas à beira mar, para oferecer uma flor ou uma prenda. Porquê que só uma vez por ano vemos corações por tudo quanto é lado, acompanhados de frases do tipo "14 de Fevereiro. Celebre o seu amor"? Quanto ao resto dos dias, continuem com a vossa vidinha, cada um para seu lado, as prendas voltarão no dia de anos e no Natal e o amor esse vai andando por aí, perdido entre uma chamada e outra, um passeio apressado e a correria do dia-a-dia.

   Não gosto do dia dos namorados. Não ofereço prendas no dia dos namorados. Não recebo prendas (ai dele que se atrevesse!). Se festejo? Festejo-o com o mesmo entusiasmo que festejo cada dia passado ao seu lado.

   Hoje foi um bonito dia. Não por ser dia dos namorados. Foi mais um dia nosso. Fartei-me de rir, de amar e ser amada. Repete-se diariamente. Porque haveria de querer um dia para celebrar o amor quando o posso celebrar todos os dias?

 

(Não sou assim tão má pessoa ao ponto de não ter ido jantar fora com coraçõezinhos pendurados por cima da minha cabeça. Mas não houve cadeiras puxadas para me sentar, nem comida partilhada pelo mesmo garfo. Muito menos morangos com chocalate quente. E quero acreditar que aquele acto de me abrir a porta do carro para eu sair foi só mesmo um gesto provocador. Porque romântico, romântico é eu chegar ao carro, descalçar os sapatos e tu dizeres "Podes pôr os pés aí em cima" (leia-se tablier). E ele é assim todos os dias.)

Estou...

...pelos cabelos!!! Com quê? Com tudo!

   É a dor de cabeça que teima em não passar há horas. Foi o último exame que se assemelhou a uma valente treta e me fez perder horas e horas de estudo para chegar lá e ficar sem saber o que escrever. É esta minha mania de querer fazer tudo e não parar de estudar que já mete nojo a mim própria. É a tese de mestrado que tem de começar a ser estruturada em breve. É o disco rígido que eu tanto quero para ver Gossip Girl e está a ser utilizado. É a complete edition dos Sims que não consigo instalar. São os pés gelados. São as frieiras nas mãos...resumindo, é o meu mau feitio que hoje apanhou sol a mais e dá nisto. Já não estava habituada a dias bonitos (perdidos a estudar).

  Felizmente já é noite, os exames acabaram, o 1º ano de Mestrado está concluido (maravilhas de uma licenciatura pré-bolonha. Dois exames e o 1º ano está feito), a cama está quente, o novo livro aguarda-me e as minhas 3 almofadas já prometeram domesticar esta bad mood que me atacou hoje. 

   O sistema voltará ao normal o mais brevemente possível.  

 

Ensaio sobre a cegueira

   Vi o filme. Gostei. Fiquei curiosa para ler o livro. Li o livro. Gostei ainda mais. E depois de ler o livro fiquei a gostar ainda mais do filme a admirar o trabalho do realizador Fernado Meirelles, que conseguiu fazer um trabalho notável e bastante fiel ao texto de José Saramago. Compreendo agora as lágrimas deste ao ver o filme do seu livro pela primeira vez. Esta lá (quase, quase) tudo.

   Ficam as palavras de Vítor Aguiar e Silva, que tudo dizem:

   «A cegueira é a metáfora da desumanização e da indignidade do homem. Com ela, irrompem os demónios e os monstros apocalípticos: a fome, a violência, a crueldade, a bestialidade...O manicómio desactivado onde são encerrados os cegos e os contaminados é a metáfora dos campos da morte da nossa excruciante memória histórica contemporânea. A sujidade nauseabunda dos corpos, das camaratas, dos corredores e das sentinas do manicómio e o cheiro pestilencial que envolve e mortalmente abafa toda a cidade são metáforas do apodrecimento do homem. O manicómio e a cidade fantasmática, no seu horror absoluto, são a visão sublime e grotesca da aflição, do sofrimente, da indignidade e da loucura dos homens. Na igreja, as próprias imagens de Cristo e dos santos têm os olhos tapados com uma venda ou com uma grossa pincelada branca, metáforas terrificantes da ausência de Deus.

   No meio, porém, desta catástrofe horrenda, no meio de tanta miséria física e moral, de tanta dor e tanta aflição, a esperança do homem ainda guarda sentido, alimentada por uma tenaz consciência moral, pela capacidade espantosa de sacrifício e pela generosidade de alguns. (...) Na única mulher que não cegou, a mulher do médico, encontro eu a metáfora do espírito da esperança. Como um novo Moisés, ela soube conduzir a sua tribo à sua casa. E após a expiação, o sofrimento inumano e a morte de muitos, os cegos começaram de novo a ver...

 

| SE PODES OLHAR, VÊ. SE PODES VER, REPARA |

Todos iguais

   E de repente parece-me que os senhores do governo começam a fazer algo de jeito. Até quando continuaremos a viver num mundo de preconceitos?

   A Igreja é contra. Outra coisa não seria de esperar. Os senhores padres (que educada que estou hoje) parece que andam para aí a dizer que vão apelar aos fiéis que não votem em quem defende esta "aberração contra natura". Querem instituição erguida em alicerces de preconceito, radicalismos e princípios que se mantêm desde o tempo em que o mar se abriu ao meio? Aqui a têm. Só é pena estarmos a falar daqueles que defendem a igualdade, o amor, a paz, a plenitude...no papel, está claro.

   Mas algo me diz que os senhores padres não têm muito com que se preocupar. Promessa de político de gravata vermelha (temos tido evoluções ultimamente para o verde e o azul) tende a não passar disso mesmo: promessa. E promessas, tal como palavras, leva-as o vento...

É notícia

 

   Quando abrimos uma revista dita "cor-de-rosa" e nos deparamos com observações/ títulos do tipo: "Vem aí o piças da família", relativamente à gravidez de uma dessas senhoras do panorama televisivo português, ficamos a pensar se o/a editor(a) da dita revista não estará a ser chatageado/a para publicar qualquer coisita...

   São assim os "nossos" VIP`s...dizem a primeira coisita que lhes vem à cabeça, parecem não possuir juízo crítico e ainda aparecem numa revista. 

A vida privada de Salazar

 

   Assisti na Sic à mini-série acerca da vida privada de Salazar. Confesso que nutro algum interesse por este período da nossa história, muito provavelmente porque não a vivi nem sofri as consequências dos seus radicalismos. Esperava ver na série mais referências ao regime político da altura, as acções e decisões tomadas por esse homem imponente, duro, e ao que parece, solitário e com uma grande queda para romances turbulentes e sempre polémicos. À semelhança do que li há uns tempos num livro intitulado "Máscaras de Salazar", parece-me que tem surgido uma corrente que tenta suavizar a figura do Presidente do Conselho. Por trás de toda aquela ditadura e sede de poder, mostram-nos um homem só, amargurado pela (e com a) vida, preso ao passado, triste e com o desejo de conquistar tudo aquilo que nunca teve e sempre desejou. Um homem de gostos refinados, que nunca descalça as suas botas ou perde a postura. Mas depois há a paixão e qui ça o amor, e aqui se descobrem as maiores fragilidades do ser humano. António de Oliveira Salazar encerrava em si um secreto D. Juan, que exercia tamanha atracção e poder (também aqui) nas mulheres desde o primeiro contacto. E é vê-lo perdido de amores uma e outra vez e ainda outra e mais outra, questionando a sua vida e o seu significado, equacionando pelo menos uma vez, largar tudo por amor. Mas a sede de poder, a ambição e o desejo de vingança são sempre mais fortes e difíceis de controlar e todas as suas conquistas passam a "assunto resolvido" , com a extrema educação e formalidade típicas deste homem. Fica-lhe Maria, a eterna governanta e cuidadora, que desejou sempre desejou ser muito mais que isso mas nunca o abandonou.

   Impossível separar os actos do homem que os pratica ou os ordena. Ainda assim, vale sempre a pena conhecer a vida por detrás das máscaras. A do Sr. Professor parece-me que foi triste e só. Intercalada por paixões avassaladoras, e uma ou outra amizade sincera, pelas quais nunca teve coragem de "descalçar as botas" e levantar-se da sua cadeira do poder.