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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

É por estas e por outras que eu prefiro os felinos

 

 

   O meu afilhado nº3, que é um Chiuaua castanho do tamanho de um porta-chaves, recebeu-me de forma bastante entusiasta, com um xixizito pelas minhas pernas abaixo, entre um e outro saltinho, enquanto tentava alcançar o pintainho de peluche que lhe levei como prenda do seu 1º aniversário.

   Alguma vez o meu Ruka ou o meu afilhado nº2, Tommy - o gatinho branco do meu Mr. Big, me receberia com um miminho destes??? Há que manter alguma compustura em momentos de maior excitação, quem melhor que os gatinhos para o fazer?

Sobre os elefantes

 

   "As pessoas estão muito enganadas a respeito dos elefantes. Imaginam que eles se divertem quando são obrigados a equilibrar-se sobre uma pesada esfera metálica, numa reduzida superfície curva em que as patas mal conseguem encontrar apoio. O que nos vale é o bom feitio dos elefantes, especialmente os oriundos da índia. Pensam eles que é preciso ter muita paciência para aturar os seres humanos, inclusive quando nós os perseguimos e matamos para lhes serrarmos ou arrancarmos os dentes por causa do marfim. Entre os elefantes recordam-se com frequência as famosas palavras pronunciadas por um dos seus profetas, aquelas que dizem, perdoai-lhes senhor, porque eles não sabem o que fazem. Eles somos todos nós (...)"

 

José Saramago, "A viagem do Elefante"

Estado em que se encontra este blog

 

 

   Em contagem decrescente e já a pensar no que vai pôr na mala, em como vai ser, o que vai ver, o que vai fazer, o que vai conhecer, o que vai ouvir, o que vai sentir, como vai estar o tempo, como será o Mar Negro, como será o hotel, como será a comida (!), como serão as pessoas...

   Conclusão: can`t wait to Check-in!

"Plof"

   "Fez plof e sumiu-se. Há onomatopeias providenciais. Imagine-se que tinhamos de descrever o processo de sumição do sujeito com todos os pormenores. Seriam precisas, pelo menos, dez páginas. Plof."

 

José Saramago, "A viagem do Elefante"

...

   "Creio que na cabeça de salomão o não querer e o não saber se confundem numa grande interrogação sobre o mundo em que o puseram a viver, aliás, penso que nessa interrogação nos encontramos todos, nós e os elefantes."

 

"A viagem do Elefante", José Saramago

Eu e ele na mesma cama

 

 

   Até era coisa para funcionar. O problema é que tu és querido demais e esse excesso de meiguice rouba-me algumas horitas de sono. Não é que ressones, como parece que muitos homens fazem, mas fazes rum-rum rum-rum praticamente toda a noite, o que para mim é quase tão mau como ressonares, não fosse o facto de esse teu ronronar ser sinónimo de satisfação. Mas o grande problema são as tuas demonstrações de carinho a qualquer hora da noite. Acordar de madrugada com uma língua a passear por praticamente todo o meu corpo não é o meu sinónimo de noite perfeita. Muito menos quando furas por baixo dos lençóis. E tu sabes que eu te adoro e que quero muito que estejas por perto, mas a cama é grande, não precisas de dormir sempre colado à minha barriga, em cima do meu braço ou tão perto da minha cara que te sinto o respirar. Mais! Quando eu vou à casa de banho, e tu sabes que eu sou uma rapariga de bexiga sensível, não precisas de vir atrás de mim e me saltar para o colo. E aquele copo de água que estava no quarto, era para mim, não era para tu beberes metade mesmo à minha frente.

   Por isso, meu querido Ruka, aquela cama de casal é demasiado pequena para nós os dois. Amiguinho, esta noite, não vais para o sofá, mas vai dormir cada um na sua caminha.

Soraya M.

 

 

   Soraya Manutchehri, uma iraniana que viveu até aos 35 anos, casou aos 13 com um marido escolhido pelo pai, marido esse que a sujeitava a violência física, verbal e psicológica, que fazia de tudo para colocar os seus filhos homens contra a mãe, que menosprezava as filhas mulheres e que via nas prostitutas as suas melhores amigas. Soraya M., tornou-se, como ela própria se definia, uma esposa inconveniente. Em Agosto de 1986, o marido de Soraya M. mostrou ser um monstro sádico escondido na máscara do fundamentalista islámico. Conheceu uma criança (!) de 14 anos com quem decidiu que queroa casar. Mas primeiro precisava de se divorciar de Soraya, que se opôs por amor às filhas, que sem um pai e num país onde as mulheres não podem trabalhar, estaria condenadas à fome e à miséria. A solução? Acusar, através de um esquema doentio, a mulher de infidelidade, com a cúmplicidade dos altos representantes da vila, os senhores que mascaram erros em títulos de lei islâmica. Não interessava não existirem provas de infidelidade, nem o facto de as supostas testemunhas terem sido chantageadas a confessar o que não viram. Não interessava que Soraya tivesse filhos para criar. Não interessava que Soraya fosse inocente. 

   Soraya M. foi condenada à morte. E foi morta. Por apedrejamento, em praça pública.

  

   Tudo isto aconteceu à décadas. Actualmente, embora se negue, muitas mulheres são apedrejadas até à morte por acusações de adultério. Hoje, no século XXI, existem homens capazes de comportamentos abaixo dos da Idade da Pedra. E nós permanecemos no nosso cantinho, indiferentes a tudo isto e muito mais. E só podemos estar gratos por estes filmes e livros que nos abrem os olhos para as atrocidades que se praticam por esses mundos fora. Vergonha é tudo o que conseguimos sentir perante estes relatos. Vergonha por pedras serem atiradas de mãos de seres da mesma raça que nós.  

Sobre a personalidade, o sucesso e a satisfação profissional

 

   Nestas minhas leituras e análises de artigos e publicações científicas para construção de um dos meus artigos com pretensões de científico descobri informação muito interessante acerca desta relação entre personalidade e desempenho/sucesso profissional.

   Existem autores que defendem a ideia de que cada profissão, pelas diferentes características que possui e que a diferenciam de todas as outras, possui também ela uma "personalidade". A partir daqui, traçam uma teoria interessantíssima, que se resume no facto de o sucesso e satisfação porfissionais dependerão do matching entre a "personalidade da profissão" e a personalidade do profissional que a exerce. Uma relação clara como a água do Mar Mediterrâneo. Se fazemos aquilo de que não gostamos e que é completamente incompatível com aquilo que somos (e nós somos o que a nossa personalidade é), a probabilidade de sucesso é baixa (mas nunca nula) e a satisfação profissional e pessoal, dois dos principais e mais importantes elementos motivadores, andarão ao nível das camadas mais profundas do solo.

   Tudo isto faz-me pensar na importância crucial de um bom processo de orientação vocacional (que andará longe dos habitualmente e maioritariamente praticados na actualidade) e no perigo que a escolha precoce de uma "área de especialização" representa ao ser feita numa idade tão confusa e cheia de incertezas como são os 15/16 anos que precedem a entrada no ensino secundário.

   Como contronar esta questão? Não será a personalidade um dos factores chave para uma boa escolha? Será que, actualmente, lhe é dada a devida importância ou ficamo-nos pelas cruzinhas de um qualquer suposto teste de preferências vocacionais? Não deveriam as áreas de estudo do ensino secundário ser mais abrangentes? Ou essa maior abrangência deveria surgir no Ensino Superior? Não estaremos a exigir demais dos nossos adolescentes? O que fazer quando descobrirmos que a personalidade da nossa profissão não encaixa na nossa personalidade?

 

   Tinhamos aqui pano para muitas mangas. Quanto a mim, acabei por descobrir um assunto que desperta a minha ainda jovem veia de investigadora. Vou pensar nisto.