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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O meu novo desafio

 

   A partir de amanhã, vou trabalhar numa instituição privada de solidariedade e promoção social, bastante (re)conhecida do Grande Porto. Resumindo e simplificando, vou integrar uma equipa de mais 2 psicólogos (homens!) e vamos actuar junto de crianças e idosos que frequentam os centros sociais de 13 dos piores bairros sociais do Porto. Posto isto, sinto-me no direito de pensar que me aguarda um grande desafio mas, sobretudo, uma aprendizagem gigantesca, tendo em conta a população com que vou directamente lidar. Mais uma vez, será a realidade pura, dura e crua. Muito crescimento pessoal se avizinha, acompanhado de muitos choques emocionais.

   Mal posso esperar!!!! Mas agora, só consigo sentir nervosismo.

Das coisas que compensam (no momento do adeus)

 

 

   Quando, no momento da despedida, os pequeninos saem de lágrimas nos olhos e nos perguntam "porquê?" e os "crescidos" nos dizem "lá se vai a nossa lufada de ar fresco", não podemos desejar maior reconhecimento do nosso trabalho. Ou da nossa maneira de estar no mundo. Pelo menos naquele mundo fomos capazes de deixar a nossa pegada.

 

   E hoje é isto, este misto de sentimentos...

 

Sobre o estado do país, as palavras ideais

 

   «A frase devia estar hoje inscrita por todo o lado, nas ruas, nas praças, a fogo para se ver de noite: portugueses, aqui está o abismo, aqui está o inferno, aqui estão as profundezas, não vos deixeis fascinar pelo tenebroso caminho com que o inferno nos seduz. Ganância, superficialidade, desespero, fuga em frente, irresponsabilidade, pequenos interesses, tudo leva a que muitos dancem nas bordas esfareladas do abismo. É só uma questão de tempo até caírem.

   José Sócrates e o PS foram os grandes escavadores do abismo. Não fizeram outra coisa nos últimos seis anos, com ajuda de outros escavadores nos últimos 15. O gigantesco buraco que escavaram ficou a olhar para cima com uma pantagruélica, incomensurável boca, na qual um dente de falso ouro, engana os que olham de cima, atraídos pela luz escassa, que ilude o escuro das profundezas. Luz que aparece prometedora, a luz do poder. (...) E o PSD atirou-se, iludido pelo falso ouro e pelas vozes. Duvido que alguém saiba muito bem o que está lá no fundo. No inferno.»

 

José Pacheco Pereira, Revista Sábado

Hoje é dia...

 

 

   De fechar uma porta. O meu último dia de trabalho no local que me acolheu nos últimos 2 anos e meio e, verdade seja dita, o único que até hoje me deu uma oportunidade.

   Não saio triste, nem lamento a minha saída. Não é segredo que nunca gostei do que fazia e que um dos meus maiores objectivos era sair dali, fosse para onde fosse. A questão é que, no momento da verdade, quando o relógio chegar perto das 19h, o meu coração vai vacilar um bocadinho. Não pelo trabalho que deixo, mas pelo que ali deixo, nomeadamente algumas pessoas, entre as quais a minha "chefa", que comigo nunca falhou e com quem mantinha uma relação que nunca foi de patrão-empregado, mas de partilha e proximidade. No momento em que lhe comuniquei a minha decisão, transmitiu-me toda a força do mundo, mas ao mesmo tempo demonstrou a sua tristeza pela minha partida, afinal já fazia parte da casa, o que para mim, só pode ser um motivo de orgulho.

   E depois há os meus meninos, que só hoje saberão da minha saída e que, acredito sem qualquer sentimento de superioridade, irão sentir a minha falta. E é por eles que mais sentirei a minha saída. Pela relação pura que criamos e que demorará muito tempo a criar com outra pessoa que me poderá substituir.

   Mas a escolha está feita e é a única possível. Nunca poderia continuar num local onde faço algo que me frustra diariamente, onde faço algo só pelo dinheiro e de onde saio sempre irritada e insatisfeita.

   Hoje fecho uma porta. Mas não a fecho à chave. Não a fecho eu, nem a fecham eles. Nada nesta vida é definitivo e a minha passagem por ali foi isso mesmo, uma passagem e, nesta vida, nunca sabemos quantas vezes passaremos pelos mesmos locais.

Se bem que...

...às vezes acho que não gostaria de ver governar o meu país alguém que pôs a sede de poder à frente do bem-estar miníno deste mesmo país e que, por isso, devo reflectir esta minha ideia fugaz no hipotético dia das decisões.

Diz lá o que pensas da situação política do país

 

   Estou ansiosa-ansiosa para ver os laranjas no poder e ver as fábricas a abrirem, o iva a diminuir, os jovens a arranjarem emprego, o défice a desaparecer, as pensões a aumentarem, laralai lirili. Eu gosto desta gente, cheia de certezas e soluções. Ah, esperem lá! O homem dos laranjas já não disse que não promete não aumentar os impostos? Huummm...E esperam lá outra vez, daqui a uns meses, quando os salvadores da pátria subirem ao poleiro, não vamos estar todos na mesma ou pior? Ai, ai, ai, já estou a falar demais. Deixa-me já começar a pensar se voto em branco ou se voto na abstenção, se bem que com isto do cartão do cidadão o melhor será mesmo ir apanhar sol lá para Julho do que ir às urnas e acordar no dia seguinte para descobrir que, mais uma vez, só a cor é que muda.

 

PS - Se estiver errada, e Deus, Alá e Buda assim o queiram, cá estarei para me redimir e apresentar um pedido de desculpas formal a quem quer que esteja no poleiro.

Finalmente a vida me faz sorrir

 

 

   O melhor de tudo isto é que surgiu quando nada o fazia prever. Essa história do manter a esperança, do acreditar que a nossa oportunidade vai chegar, blá, blá, blá, blá, não resulta quando estamos há tanto tempo a aguardar a pela nossa oportunidade. Acho que muito disto se resume à velha questão da nossa estrelinha brilhar. E um dia ela tem de brilhar, e quando isso acontece há que agarrar a oportunidade com todas as nossas forças. Mesmo que isso possa representar um risco. No meu caso, sendo um contrato de substituição (não podia sair logo da categoria geração à rasca), nada é definitivo e dentro de cerca de 6/7 meses regressarei à luta. Neste momento, isso não me entristece, ainda que me preocupe. No entanto, estou focada em aproveitar, esfolar-me a trabalhar, e mostrar o meu valor. Hoje, mais do que nunca, digo: o dia de amanhã ninguém o sabe. A prova disso é que há 2 dias atrás estava no fundo do poço da desmoralização e hoje já ali tenho o cartãozinho de identificação no meu novo local de trabalho e até diz "My name - Psicóloga". Como não poderia sorrir?